O Consórcio Guaicurus ainda aguarda resposta da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg) sobre a revisão da tarifa técnica deste ano e afirma que há risco do transporte "sucumbir" sem a atualização tarifária.
O pedido foi feito após o reajuste do preço do diesel, que aumentou quase 20%. O Consórcio pediu que a tarifa técnica, calculada em R$ 5,14 no ano passado, suba para R$ 5,50.
Nesta quarta-feira (30), o presidente do Consórcio Guaicurus, João Rezende, explicou que o que foi solicitado é a atualização dos estudos da tarifa diante de "um fato de extrema relevância", que foi a alta do diesel.
Segundo ele, o peso do combustível na composição da tarifa era de 25% e passou para 35%.
Caso não haja o aumento, o Consórcio pede uma solução para que o transporte coletivo continue em funcionamento. Ele não esclareceu quais medidas seriam essas.
"Podemos ter aqui em Campo Grande o que teve em algumas cidades como Teresina, São Luís, uma crise que pode sucumbir o transporte", disse.
Enquanto não obtém o retorno da Agereg, Rezende diz que o serviço está operando, "tentando economizar na medida do possível".
Ele reforçou que com as flexibilizações de medidas restritivas o movimento de passageiros voltou a aumentar, além da economia dar sinais de recuperação, que podem ajudar a reduzir o déficit.
Com relação à isenção do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) e ao repasse de até R$ 12 milhões em 2022, referente a gratuidade dos estudantes da Rede Municipal, o Consórcio ainda não recebeu.
Essa demora no pagamento, no entanto, é esperada, segundo o presidente do Consórcio, que afirmou que o pagamento será retroativo quando for feito.
"Foi aprovada a lei e tem uma regulamentação, o Consórcio ainda não recebeu nenhum centavo, mas está a caminho", disse.
O pedido para a revisão tarifária não deve impactar diretamente o consumidor, pois o Consórcio pede que a prefeitura assuma a diferença, aumentando o valor do subsídio.
Na última quinta-feira, vereadores da Câmara Municipal de Campo Grande divergiram sobre conceder um aumento extraordinário da tarifa ao Consórcio Guaicurus.
A maioria dos parlamentares ouvidos pelo Correio do Estado é contra o reajuste, mas há os que afirmam que o impacto do combustível foi significativo e pode haver o direito ao aumento.
No entanto, como ainda não houve resposta da Agereg, também não há projeto protocolado na Casa de Leis.
Reajuste
O valor da passagem de ônibus foi reajustado no início do ano para R$ 4,40, apenas R$ 0,20 de diferença para o valor anterior.
Entretanto, como forma de compensar a não aplicação do valor integral da tarifa técnica, a prefeitura fez acordo com as empresas que formam o consórcio.
A administração encaminhou projeto que isentava a passagem deste ano do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) e também determinou a remissão dos valores cobrados pelo imposto em 2021 e 2020.
Além disso, a prefeitura também se comprometeu a repassar até R$ 12 milhões em 2022, divididos em 12 parcelas, que podem chegar a R$ 1 milhão.
O valor seria referente aos estudantes da Rede Municipal de Ensino (Reme) que utilizam da gratuidade e também de pessoas com deficiência.