Cidades

MOBILIDADE URBANA

Capital pode ter aplicativo de transporte próprio como alternativa a Uber

Câmara debate criação de cooperativa a ser incubada e apoiada em Campo Grande

Campo Grande está perto de receber seu próprio aplicativo de mobilidade urbana, chamado até então de MOB CG, com o primeiro passo sendo a audiência pública para discutir o projeto de lei (10.484/22), que aconteceu na Câmara Municipal na manhã desta quarta-feira (06).  

Autor da proposta, Júnior Coringa aponta que, uma das justificativas para instituição do programa é que, na visão dele, os aplicativos tradicionais exploram os motoristas. Em primeiro momento ele comenta que a divisão de lucros entre motoristas e manutenção de cooperativa ficariam em 95% e 5% respectivamente.

"Não só de Campo Grande, mas de todo o Brasil e a gente criando o programa, encaminhamos para o poder executivo para poder fomentar a geração de emprego, trabalhando na questão de chamar, num chamamento público, cooperativas e incubando essas cooperativas na incubadora tecnológica da nossa cidade", comenta o parlamentar.  

Vale ressaltar que a Capital possui quatro incubadoras, sendo uma tecnológica localizada no bairro Estrela Dalva, ressaltou Mara Bethânia Gurgel de Menezes, representante da Secretaria Municipal de Inovação, Desenvolvimento Econômico e Agronegócio (Sidagro), durante audiência pública.  

Através das incubadoras a nova cooperativa terá prédio físico, com salas que devem servir de escritório, além de várias orientações. Mara aponta que no dia 8 de fevereiro foi lançado edital para quem quisesse entender o que é ser incubado pelo município.  

"Esse é o critério que temos, fomentar negócios. A nossa secretaria é exatamente isso, estamos de portas abertas sempre atendendo a todo mundo.

Lembrando que já temos edital publicado, vai até o mês 11 e ali tem todos os critérios de como pode ser feita a incubação de empresários, empresas e cooperativas", disse.

Nesse primeiro momento serão registradas as dúvidas, opiniões e sugestões do público presente em audiência, para formular o projeto que futuramente deve ser pautado pelo Executivo Municipal e pela Casa de Leis. 

Presidente da Comissão de Mobilidade Urbana, o vereador professor André apontou que Campo Grande não estará "inventando a roda", sendo que aplicativos dessa modalidade já existem em diversas regiões. "Em Curitiba, a prefeitura desenvolveu um aplicativo para os táxis, é oficial da prefeitura, então desde que, reconhecida a utilidade pública do serviço de deslocamento móvel, é possível a prefeitura fazer isso", afirmou.

Com dados de 2019, ele aponta que o custo (R$62 mil) para desenvolver o aplicativo é irrisório, mas que desenvolver é uma coisa e implementar o uso é outra. "Eu usei esse aplicativo, lá você coloca que quer desconto de 20%, os interessados em dar o desconto eles acionam e liberam o transporte pelo preço 20% menor do que o valor do taxímetro. Isso foi feito lá para os táxis, o que não impede que façamos algo semelhante aqui para o sistema de Uber, por exemplo, o sistema de deslocamento dessa via", comenta ele.  

Camila Jara também marcou presença e ressaltou que o transporte e mobilidade urbana são um dos "calcanhares de Aquiles" do município. "A gente sabe que se locomover de um ponto para outro garante qualidade de vida para a população. E discutir um aplicativo municipal é inserir Campo Grande no que tem de debate mais avançado sobre o transporte coletivo no mundo", disse Camila.  

Realidade dos motoristas

Presidente do Sindicato dos Motoristas de Mobilidade Urbana de Mato Grosso do Sul, Diego Raulino aponta que um dos caminhos seria aproveitar a cooperativa que já existe em Campo Grande, mas que é desunida. Também que esse possível "MOB CG" deve ser uma alternativa para o motorista, não única opção.  

"Uma nova opção sim, mas não monopolizar esse serviço para ficar apenas um 'app' na capital. O problema são os passageiros, tem muito que confia apenas nas multinacionais, pioneira na cidade, então vai depender muito de uma forte divulgação. A prefeita tem a fonte para divulgar e nos apoiar, outdoor, ponto de ônibus, isso vai ajudar muito a categoria e os passageiros a conhecer a plataforma e ter acesso a ela", comenta ele.  

Para Diego, o mais pesado para o motorista ainda é o investimento em combustível, e que, mesmo com um aplicativo mais rentável, as horas trabalhadas não devem voltar ao mesmo patamar de 2016, quando com oito horas de serviço era possível manter a família.  

"Poucos motoristas rodam dentro do GNV, que é mais em conta. A maioria roda com carro alugado e roda na gasolina. Hoje em dia são 14 horas trabalhadas para você ganhar a mesma coisa que ganhava em oito. Só isso dá para ter uma ideia quanto está mais difícil hoje do que antigamente para se trabalhar com aplicativo", finalizou. 

* Colaboraram Glaucea Vaccari e Naiara Camargo

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