Sul-mato-grossenses estão acostumados ao contato próximo com a fauna, com avistamentos de araras, quatis e cotias no perímetro urbano, além de várias outras espécies, entretanto nem todos esses encontros acabam bem e diversos animais saem feridos, como é o caso de duas antas atropeladas em menos de 24 em rodovias diferentes do Estado, segundo a Polícia Militar Ambiental.
Conforme relatos da equipe da PMA de Bonito, por volta das 19h de ontem (12), usuários da MS 178, que liga Bonito à cidade de Bodoquena, avistaram uma anta da espécie Tapirus terrestris, ferida à margem da rodovia. Um primeiro caso foi registrado ainda na segunda-feira (11), por volta das 19h30, na MS 382, que liga Bonito à cidade de Jardim.
Tenente-Coronel da PMA, Edenilson Paulino Queiroz explica que, com a expansão de rodovias para conectar municípios, antes isolados, à Capital e demais cidades, os acidentes acabam sendo inevitáveis.
"MS 040, que é uma rodovia nova e vai para Santa Rita do Pardo, tem bastante atropelamento. A população de lá ganhou muito com essa ligação direta com Campo Grande, mas isso [atropelamentos] vai acontecendo porque você não tinha veículos passando em determinado local, no meio de reservas, e acaba daí realmente vai acontecer atropelamento", comenta ele.
Entretanto, diversos desses acontecimentos se dão pelo fato de como Mato Grosso do Sul resolveu conservar suas cidades, com diversas reservas e unidades de conservação e proteção integral, que possui vários exemplos na Capital e geram bem-estar à população.
"Como o Parque do Prosa que emenda com o das Nações Indígenas; o Parque do Segredo com 177 hectares. Não tem atropelamento na antiga 38 de março, embaixo da Maracaju também, porque o córrego está canalizado e não tem animal", diz o tenente.
Conforme o militar, a conservação da fauna integrada ao perímetro urbano gera um "conflito bom", não pelos atropelamentos e resgates de espécimes selvagens em residência, "mas pelo fato de termos conservado essa fauna e flora para a qualidade de vida".
"A população precisa, cada vez mais, aprender a conviver, porque isso gera qualidade de vida. Se a gente tivesse escolhido só concreto, nós não teríamos os problemas de atropelamento e necessidades de resgate, mas também não teríamos os animais", reflete o Tenente-coronel.
Vale ressaltar que em ambos os casos, as antas atropeladas nas rodovias os animais foram encaminhados ao Recinto de Reabilitação de Animais silvestres (RARAS) de Bonito, espaço que auxilia a PMA no caso de espécimes feridos.
Veterinário voluntário do RARAS, Marcelo Mathias explicou aos policiais na manhã desta quarta-feira (13), que os dois animais já estavam bem e com saúde estabilizada. Ambos serão levados ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) em Campo Grande, que continuará o tratamento até a reintrodução na natureza.