Cidades

GOVERNO

Reajuste de 5% desagrada a servidores, que já falam em ampliar manifestações

Presidente da Fonacate, Rudinei Marques, também criticou a medida, ao apontar que a defasagem salarial dos servidores federais está entre 30% a 40%

Inara Ramos

13/04/2022 - 18h19

O reajuste de 5% que o governo decidiu nesta quarta-feira (13) dar aos servidores públicos federais foi recebido negativamente por algumas categorias, que já falam em intensificar manifestações.

O governo tomou a decisão mesmo sem ter espaço suficiente no Orçamento, o que vai ocasionar um corte de verbas em outras áreas. A estimativa é que o custo da medida seja de aproximadamente R$ 6 bilhões em 2022.

A decisão foi confirmada pela reportagem com integrantes da equipe econômica e do Palácio do Planalto. A opção pelo formato linear vem depois de meses de idas e vindas sobre os reajustes do funcionalismo e após pressão do Palácio do Planalto sobre a equipe econômica nos últimos dias para se chegar um desfecho ainda nesta semana.

Para Amauri Fragoso de Medeiros, do Andes-SN (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior), a medida pode ser interpretada como um recuo de Bolsonaro, ao se pensar que a proposta inicial do governo era que o reajuste fosse dado apenas a uma parte da sua base eleitoral -os policiais. Apesar de não suprir toda a necessidade dos servidores, é uma derrota deles, diz.

"Mas a carestia, com aumento de combustíveis e desemprego, tem prejudicado o sustento dos servidores. Estamos em pleno processo de construção de greve e isso não dá conta das nossas perdas salariais. Tenho a impressão de que os servidores irão ficar revoltados, já que 5% equivalem à inflação apenas deste ano, praticamente."

O presidente do Fonacate (Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado), Rudinei Marques, também criticou a medida, ao apontar que a defasagem salarial dos servidores federais está entre 30% a 40%. "Então, recomposição de 5% é mais do que inaceitável, é revoltante."

Segundo Marques, as mobilizações dos servidores devem se intensificar nas próximas semanas, por conta da janela orçamentária e legal, que está se fechando. "Para os servidores, o ideal seria algo mais próximo aos percentuais de perda do poder aquisitivo no período. Um reajuste de 20% agora seria razoável, e a gente poderia corrigir o restante nos próximos anos."

Para o economista Marcos Mendes, um dos criadores do teto de gastos, no entanto, o reajuste pode aumentar a incerteza fiscal.

Mendes questiona, primeiramente, se cabe dar um reajuste para os servidores públicos agora, já que eles tiveram emprego garantido durante a pandemia, enquanto boa parte dos brasileiros perdeu renda.

"O segundo ponto é se ele cabe no bolso do governo, por conta da limitação do teto de gastos. Vai ser preciso decidir onde cortar despesas e o mais importante seria cortar nas emendas de relator, que são despesas de baixa qualidade e que estão gerando todo o tipo de suspeita de corrupção."

Se tiver um reajuste de 5%, custando R$ 6 bilhões ou R$ 7 bilhões, e isso for feito no corte de emenda de relator, o problema é menor, diz. "Mas o mais provável é que esse aumento de despesa com pessoal se junte a outros aprovados pelo Congresso -como piso salarial de enfermeiros, ajuda às Santas Casas- e isso gere uma pressão para flexibilizar o teto de gastos ainda em 2022. Seria problemático para o país e aumentaria a incerteza fiscal."

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