“A cada dez famílias, seis ou sete negam a doação de órgãos”, disse Claire Miozzo, coordenadora da Central Estadual de Transplantes de Mato Grosso do Sul.
Segundo Miozzo, a principal negativa familiar no momento da doação de órgãos é o desconhecimento familiar sobre a vontade do ente em doar os órgãos. Segundo a pasta, neste ano, são 452 pessoas na fila por um transplante.
De acordo com os dados cedidos ao Correio do Estado, Mato Grosso do Sul realizou 227 transplantes nos últimos dois anos - 186 em 2021 e 41 até março deste ano.
“Quando questionamos, a família diz não saber da vontade da pessoa que morreu em doar os órgãos. Quando se é doador, a pessoa deve deixar claro para a família sua vontade”.
De acordo com a Central Estadual de Transplantes, em 2021 foram 163 transplantes de córnea, 18 transplantes de rim e quatro de tecidos músculo esqueléticos - popularmente reconhecidos como ossos.
A coordenadora falou sobre o processo de doação de órgãos no estado. “Aqui, realizamos transplantes de coração, rim, ossos e córnea. Outros órgãos doados seguem ao banco nacional e de lá são destinados aos estados onde o transplante ocorrerá”, relatou Miozzo.
Em MS, até março deste ano, foram 40 transplantes de córnea e apenas um de rim.
De acordo com Claire Miozzo, Mato Grosso do Sul possui duas equipes especializadas em transplantes de rim, outras duas que realizam transplantes de coração, além de uma equipe que transplanta ossos e outras 20 que transplantam córneas.
Segundo a coordenadora, transplantes de córnea podem ser realizados em Dourados e Três Lagoas, entretanto, os demais transplantes são feitos na Capital.
Mesmo em caso de negativa do ente, a família é quem decide se os órgãos serão doados, isso, segundo Miozzo, após “balancear” as ações da pessoa em vida, reconhecendo se sua vontade se alterou com o tempo.
Para ela, o tema é complicado pois ninguém quer falar sobre a morte e só reconhece a importância da doação de órgãos nos momentos de maior delicadeza. “Isso demanda um trabalho de educação midiática, para além do âmbito familiar”, relata.
Se no ato da doação, o doador não disse nada, ou disse que não doaria, é mais difícil convencer a família da doação, relata a coordenadora.
De acordo com a pasta, transplantes de rim e coração são realizados na Santa Casa, e em outros hospitais particulares com acompanhamos realizados integralmente pelo Sistema Único de Saúde. (SUS).
Brasil
De acordo com a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), até março de 2021, mais de 1,5 mil transplantes foram realizados no país, média de 500 transplantes por mês. De acordo com a ABTO, os casos de Covid-19 influenciaram no número de doações, fala confirmada por Miozzo em MS.
"Muitas vezes possuíamos um paciente em condições de doar ao lado de outro positivo para Covid. Realizavamos os testes e após o resultado positivo, o paciente estava expressamente proibido de seguir os procedimentos d doação", finalizou a coordenadora.