Cidades

EDUCAÇÃO

Ministério da Educação lança Canal Educação e Canal Libras

Objetivo da programação é atingir estudantes desde o ensino infantil

Judson Marinho

26/04/2022 - 16h48

O governo federal lançou, nesta terça-feira (26), dois canais voltados para a área educacional: o Canal Educação e o Canal Libras, voltado para quem fala a Língua Brasileira dos Sinais. O lançamento contou com a participação do presidente da República, Jair Bolsonaro, e da primeira-dama Michelle Bolsonaro.

O Canal Educação será transmitido em televisão aberta digital em multiprogramação nas capitais onde a TV Brasil possui transmissoras (2.3 no Rio de Janeiro, Distrito Federal e São Luís; e 1.3 em São Paulo). A programação também estará disponível na TV por assinatura e por meio de satélite para escolas com antena parabólica.

O Canal Libras será transmitido prioritariamente pela internet, mas alguns programas serão retransmitidos pelo Canal Educação.

De acordo com o presidente Jair Bolsonaro, o novo canal de Libras tem como objetivo a inclusão da população surda. Para ele, os canais trarão mais qualificação para os estudantes brasileiros. 

“Nós temos de agregar valor àquilo que nós temos e como fazê-lo? Através do conhecimento”, disse. “Cada jovem brasileiro é uma pedra que precisa ser lapidada”, concluiu

Programação

Na grade do Canal Educação estarão programas destinados a elevar a taxa de alfabetização nacional e universalizar a educação, além de produtos que vão auxiliar na capacitação de professores e gestores escolares. 

Entre os programas estão: Fala Cientista, Que Invenção É Essa? e Caminho da Escola, entre outros. “Serão conteúdos variados como aulas remotas, preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio [Enem], documentários, programas educativos e culturais de qualidade”, disse o ministro da Educação, Victor Godoy.

O Canal Libras terá uma grade especialmente dedicada à comunidade surda, desde a educação infantil até o ensino superior. Um dos programas será o Bate-Papo em Libras, que terá como entrevistada a primeira-dama Michelle Bolsonaro. 

“A utilização das Libras é uma forma de garantir a identidade das pessoas surdas e contribuir para a valorização e reconhecimento da cultura surda”, disse a primeira-dama, em um discurso todo feito na Língua Brasileira dos Sinais. 

Segundo o apresentador do programa, Nelson Pimenta, o programa será uma conversa que, em vez da fala, utilizará as mãos e terá como entrevistados surdos e ouvintes.

De acordo com Pimenta, o intérprete na “janelinha” acaba não estimulando a comunidade surda a assistir a um programa, o que deve mudar a partir do momento em que ela verá um apresentador que “fala a sua língua” na TV. 

 “Às vezes achamos que usando a língua de sinais você vai segregar, mas não. Usamos a língua própria e isso precisa ser respeitado”, conta, na língua de Libras, Nelson Pimenta.

Canal Libras é um marco para a comunidade surda

O diretor-geral do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), Paulo Bulhões, acredita que essa foi uma grande conquista para a comunidade surda. 

Segundo ele, anteriormente, houve algumas tentativas de estabelecer um canal voltado para a comunidade surda, mas elas acabaram não avançando e a abrangência era menor do que o alcance do Canal Libras. “Tem criança no interior sem internet, só com canal via satélite. A pessoa na roça, ela conseguirá assistir ao canal”, comentou, em Libras.

De acordo com o professor doutor em linguística pela Universidade de Brasília (UnB) Messias Ramos, a acessibilidade em telas tem de ser difundida. Esse é um direito para que a comunidade surda possa estar em pé de igualdade com os demais. 

Segundo ele, a maioria das redes privadas precisam se adaptar ao quesito acessibilidade. “Muitas vezes o surdo perde a informação porque a TV não tem. É um sonho você trazer a TV e vê-la toda acessível”, comemora.

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