Nos últimos dois anos, a Prefeitura de Campo Grande registrou um prejuízo de mais de R$ 2 milhões em decorrência de furtos de fios de eletricidade de locais públicos, bem como tampas de bueiros e grelhas de bocas de lobo, conforme balanço da Guarda Civil Metropolitana (GCM).
Para os próximos meses, a previsão é de que esse prejuízo aumente, uma vez que as ações de furtos estão recorrentes em vários pontos da Capital.
Ao Correio do Estado, a Guarda Municipal informou que os criminosos roubam a fiação elétrica pelo interesse no fio de cobre, uma vez que o material está valorizado no mercado ilegal. O material furtado tem inclusive destino certo: ferros-velhos espalhados pela Capital.
“Estamos registrando uma grande incidência de roubo de fios, porque houve um aumento significativo no valor do cobre. Os furtos de fios acontecem durante a madrugada”, esclareceu a GCM em nota.
RECEPTAÇÃO
A ação criminosa não se restringe apenas a quem furta, mas também quem consome aquele material. De acordo com a Guarda, alguns estabelecimentos adquirem essas “mercadorias” cometendo o crime de receptação.
“Criamos a Operação Ferro-Velho para combater esse tipo de roubo, se tem gente que rouba é porque tem gente que compra. Nós vamos até os pontos de compra de ferro e fiscalizamos. Caso o material furtado seja encontrado, encaminhamos os envolvidos à delegacia, para que sejam autuados”, explicou a GCM.
De fevereiro de 2021 a fevereiro de 2022, durante a Operação Ferro-Velho, foram realizadas 77 fiscalizações em estabelecimentos nas sete regiões da Capital. Neste período, 97 notificações foram registradas, com seis pessoas presas por receptação.
ESCURIDÃO
Moradora do Bairro Jockey Club, a cabeleireira e esteticista Rose Schirmann, 47 anos, relatou à reportagem que, com os furtos, partes do bairro estão na total escuridão, além de bueiros entupidos por falta de tampas.
“Sempre vemos usuários de drogas roubando fios e metais na rua, como tampas de bueiros e grelhas de bocas de lobo, uma forma de eles ganharem dinheiro rápido. Tem muitos pontos de receptação aqui no bairro, e aí ficamos sem iluminação nas ruas e os bueiros ficam entupidos sem tampas”, salientou a moradora.
O titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), Rudi Fiorese, esclareceu que a falta de iluminação é um problema que está sendo solucionado.
“Estamos trabalhando para resolver a escuridão de trechos da cidade, mas os roubos são constantes. Às vezes, fazemos a manutenção em um dia e no outro os fios já são levados, mas a Guarda está com a operação Ferro-Velho, que tem surtido efeitos positivos”, disse Fiorese.
APREENSÕES
Segundo a Prefeitura de Campo Grande, até o dia 22 de março, foram registrados 2.671 metros de cabos elétricos furtados.
De acordo com a equipe de gerência de sinalização semafórica da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), os furtos de fios de semáforos aumentaram no período da pandemia de coronavírus.
“A maioria dos casos de semáforo desligado é por conta de furto”, declarou o gerente de sinalização semafórica, Fernando Henrique Caetano. Há cerca de um mês, equipes da Operação Ferro-Velho, encontraram mais de 30 quilos de fios de cobre, em ferros-velhos da Capital.
Os furtos aconteceram nos semáforos das ruas Lagoa da Prata com a Campestre, na Campestre com a Thyrson de Almeida, Arquiteto Vilanova Artigas com Thyrson de Almeida, Raquel de Queiroz com a Thyrson de Almeida, Fernando Corrêa da Costa com Ernesto Geisel e Gunter Hans com Panambi Vera.
MEDIDA
Para tentar conter o furto de fios de semáforos, a Agetran passou a instalar concertina – barreira de segurança laminada – em equipamentos de trânsito de Campo Grande. Ao todo, já foram aplicados 110 metros de concertina em 20 semáforos.
Outra alternativa que também vem sendo aplicada é a concretagem de pontos subterrâneos de passagem de cabo, cerca de 50 concretagens já foram aplicadas na Capital. A Guarda Municipal orienta que a população faça denúncias se presenciar um furto.
“Quando denunciam, mandamos mais agentes para aquela área, dessa forma a região vai estar mais segura e a situação vai ser controlada. Podem nos ligar no 153”, finalizou.
SAIBA
Segundo a Prefeitura de Campo Grande, foram registradas 570 ocorrências de casos como vandalismo e destruição de material semafórico entre 2021 e 2022.