Cidades

SEGURANÇA PÚBLICA

Força-tarefa mira roubos de fios de cobre na Capital

Ao todo, 167 policiais participaram da Operação Vastum, entre agentes da Polícia Civil e da Polícia Militar

Depois de várias denúncias feitas pelo Correio do Estado sobre o aumento de roubos e furtos de fios e cabos de cobre, além de esculturas dos cemitérios, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp) realizou, por meio de uma força-tarefa unindo Polícia Civil e Polícia Militar, a Operação Vastum, com o objetivo de reprimir e prevenir furtos dos materiais em Campo Grande.

Ao todo, de acordo com balanço apresentado no fim da tarde de ontem, 976 quilos de fios e cabos de cobre e demais materiais furtados para venda ilegal do metal foram apreendidos durante a ação e 16 pessoas foram conduzidas para delegacias, além de seis mandados de prisão cumpridos.

Em entrevista coletiva, o coronel André Macedo, comandante de Policiamento Metropolitano, afirmou que a força policial está trabalhando em dois pontos importantes para coibir a prática de furto de fios e cabos de cobre: tirar a oportunidade dos criminosos e trabalhar em punições mais severas.

“É um trabalho que a Polícia Civil vem fazendo de investigação, e, com certeza, a gente vai conseguir minimizar – e muito – esses problemas que a população vem enfrentando em todo o Brasil, em razão, justamente, dos valores dos metais, que aumentaram. Isso faz com que as pessoas tenham a vontade de prática do crime”, declarou.

De acordo com o comandante, existem três pontos principais que circundam esse tipo de infração, que é a vontade de a pessoa cometer o crime, a oportunidade de fazê-lo e a certeza da impunidade.

“Ele acontece dentro de um triângulo: da vontade, da oportunidade e da certeza da impunidade. A vontade pouco a gente pode trabalhar; agora, na oportunidade, melhoramos nossa prevenção, assim como o cidadão buscando melhores condições de prevenção primária. E trabalhamos também na certeza da impunidade, conseguindo prender essas pessoas e levar a um julgamento, [para] que elas realmente entendam que aquela conduta criminosa não vale a pena cometer, porque vai ser punida pelo Estado”, explicou Macedo.

“É muito importante a gente conhecer essa cadeia complexa desse tipo de crime, que se inicia de forma simples, mas tem todo um desencadeamento que a gente observa e que traz problemas sérios para a sociedade”, completou.

Wellington de Oliveira, diretor do Departamento de Polícia da Capital, orienta que a população tome os devidos cuidados para não dar oportunidade para que as pessoas cometam esse tipo de crime.

“Se você colocar uma placa de aluga-se, ele sabe que não tem ninguém ali e aproveita a oportunidade. Então, quando se coloca um imóvel para alugar, não é apenas deixar ele lá com a plaquinha, é preciso colocar os apetrechos de segurança para coibir o criminoso”, apontou.

De acordo com o diretor do Departamento de Polícia da Capital, esse trabalho conduzido pela Operação Vastum permanece. “A gente vai dar foco por regiões, zonas de problemas”, declarou.

“O receptor, pequeno, intermediário ou grande, a polícia vai continuar fazendo a repressão. A gente pode evoluir em uma segunda etapa para verificar o quanto eles estão vendendo por meio de nota fiscal, pode começar a trabalhar a questão da lavagem de dinheiro, da associação com organizações criminosas, é a ponta do iceberg”, afirmou Oliveira.

FORÇA-TAREFA

Os policiais que fazem parte da Operação Vastum (sucata, em latim) estiveram presentes em 57 locais, entre residências e estabelecimentos comerciais, uma vez que esses locais são possíveis compradores de fios de cobre.

Para a força-tarefa foram mobilizados 19 viaturas da Polícia Civil e 93 policiais-civis, entre delegados, escrivães e investigadores, além de 20 viaturas da Polícia Militar e 74 soldados da corporação.

Os resultados apontaram um total de 16 pessoas conduzidas para delegacias, seis mandados de prisão cumpridos e 976 quilos de material apreendido.

AUMENTO DO CRIME

O Correio do Estado já havia mostrado, em matéria publicada no dia 24 de abril, que dados da Sejusp mostram aumento significativo no número de furtos em Campo Grande. Em 2021, de 1º de janeiro a 19 de abril foram registrados na Capital 4.506 ocorrências de furtos, já neste ano, durante o mesmo período, o número de ocorrências foi de 5.592, um aumento de 24,10%.  

E um dos principais alvos dos bandidos se tornou, justamente, fios e cabos de cobre, assim como tampas de bueiro. Isso resulta, conforme publicado no Correio do Estado no dia 28 de abril, em um prejuízo de mais de R$ 2 milhões nos últimos dois anos para a Prefeitura de Campo Grande, conforme balanço da Guarda Civil Metropolitana (GCM).

A GCM ainda tinha a previsão de que, para os próximos meses, esse prejuízo pudesse aumentar, uma vez que as ações de furtos estão recorrentes em vários pontos da Capital.

A ação criminosa não se restringe apenas a quem furta, mas também a quem adquire o material. De acordo com a GCM, alguns estabelecimentos compram essas mercadorias, cometendo o crime de receptação.

Para tentar coibir essa prática, a Guarda Civil Metropolitana já havia feito ações com a Operação Ferro-Velho. De fevereiro de 2021 a fevereiro deste ano, durante essas ações foram realizadas 77 fiscalizações em estabelecimentos nas sete regiões da Capital. Neste período, 97 notificações foram registradas, com seis pessoas presas por receptação.  

Segundo a Prefeitura de Campo Grande, até o dia 22 de março, foram registrados 2.671 metros de cabos elétricos furtados.

De acordo com a equipe de Gerência de Sinalização Semafórica da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), os furtos de fios de semáforos aumentaram no período da pandemia de coronavírus.

Os furtos ocorreram nos semáforos da Rua Lagoa da Prata com a Campestre, da Rua Campestre com a Thyrson de Almeida, da Rua Arquiteto Vilanova Artigas com Thyrson de Almeida, da Rua Raquel de Queiroz com a Thyrson de Almeida, da Avenida Fernando Corrêa da Costa com Ernesto Geisel e da Avenida Gunter Hans com Panambi Vera.

35,1 milhões de reais

O diretor do Departamento de Polícia de Campo Grande, Wellington de Oliveira, avalia que o mercado pague cerca de R$ 36 mil a cada 100 kg de cobre. Ou seja, considerando os 976 kg apreendidos ontem, o prejuízo aos criminosos foi de R$ 35,1 milhões.

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