Cidades

IMPRUDÊNCIA

Mais violento, trânsito da Capital mata em 5 meses o total do 1º semestre de 2021

Média saiu de uma morte registrada a cada seis dias para uma vítima das vias de Campo Grande a cada quatro dias

Mais violento em 2022, o trânsito de Campo Grande já foi responsável pela morte de 35 pessoas de janeiro a maio deste ano, um crescimento de 29,6% se comparado às 27 mortes registradas nos primeiros cinco meses de 2021. Conforme dados da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), no ano passado, o mesmo número de óbitos só foi computado ao fim do primeiro semestre.

Em um recorte mais preciso, o trânsito da Capital saiu da média de uma morte registrada a cada seis dias para uma vítima do trânsito a cada quatro dias. Até esta terça-feira, o município contabilizou 4.468 sinistros (acidentes) em 2022. No mesmo período de 2021, foram registrados 4.579 sinistros.

Os motociclistas continuam como as maiores vítimas do trânsito. Nos primeiros

cinco meses de 2022, 23 condutores de motos perderam a vida. Levando em consideração o balanço de janeiro a maio do ano passado, quando 15 pessoas morreram em acidentes no município, houve crescimento de 53,3% nos registros de mortes de motociclistas.

A imprudência, atrelada ao descumprimento das regras de trânsito, é responsável, ainda, pela maior incidência de colisões aos fins de semana. Conforme dados da Agetran, o período de maior registro de acidentes começa a partir das 6h das sextas-feiras. 

A concentração dos acidentes aos fins de semana segue entre as noites de sábado, das 18h às 23h59min, e aos domingos, das 0h às 5h59min.  

FATORES DE RISCO

Ao Correio do Estado, a chefe da Educação para o Trânsito da Agetran, Ivanise Rotta, relatou que o principal fator de risco para os acidentes é a velocidade inadequada ou excessiva.  

“A maioria dos acidentes é causada por excesso de velocidade. Nossas ações são educativas, de conscientização, além de um trabalho em conjunto com os agentes de fiscalização, os redutores de velocidade, o planejamento urbano”, reiterou.  

Segundo Ivanise, qualquer velocidade praticada na via que seja diferente das que estejam estabelecidas nas placas ou na sinalização vertical é considerada de perigo, podendo causar um acidente grave ou fatal.  

De acordo com a Agetran, os acidentes de trânsito são registrados com maior frequência nas avenidas Afonso Pena, Guaicurus, Duque de Caxias e das Bandeiras. Em entrevista ao Correio do Estado no mês passado, o especialista em trânsito Carlos Alberto Pereira disse que, por serem vias extensas e que cortam a cidade, elas são proporcionalmente locais de maior incidência de colisões.  

“Tanto a avenida Duque de Caxias quanto a Afonso Pena são vias extensas, classificadas como arteriais, onde o trânsito não é rápido. Pelo próprio comprimento, os acidentes tendem a ocorrer mais nessas regiões”, explicou.  

Segundo a médica emergencista da Santa Casa de Campo Grande Kellen Teodoro, dentro do perfil dos pacientes vítimas do trânsito, a maioria é do sexo masculino, com idade entre 20 e 40 anos.

“Os condutores estão sempre muito rápidos e costurando o trânsito. A nossa demanda, inclusive, aumenta a partir das quintas-feiras, quando temos um número maior de acidentes, sendo a maioria casos graves e com procedimentos que demandam cirurgias”, disse.

MAIO AMARELO

A campanha de conscientização Maio Amarelo, com o tema “Juntos Salvamos Vidas”, foi encerrada ontem pela Prefeitura de Campo Grande. Durante todo o mês, 15 empresas e quatro escolas foram atendidas com palestras e ações educativas para um trânsito mais seguro.  

As ações na Capital alcançaram 2.711 pessoas. Para o diretor-presidente da Agetran, Janine de Lima Bruno, é necessário um trabalho em conjunto para que o trânsito seja um ambiente mais seguro para todos. “Todos nós trabalhando em conjunto, é possível reduzir o número desses sinistros [acidentes]”, declarou.

De acordo com Ivanise Rotta, os resultados das campanhas educativas são colhidos ao longo do tempo. 

“A educação para o trânsito acontece de janeiro a janeiro, damos uma ênfase maior no mês de maio por conta do Maio Amarelo, instituído mundialmente, mas o resultado vem com o tempo”, completou.

SOLIDARIEDADE

Roberto Luiz de Oliveira, 36 anos, uma das vítimas fatais do trânsito da Capital, foi o 23º motociclista a perder a vida após um sinistro. Depois de colidir sua motocicleta com um carro na sexta-feira (27), Roberto precisou ser reanimado no local do acidente, na Rua da Divisão, no Bairro Parati.  

Na Santa Casa de Campo Grande, foi constatado o quadro de traumatismo craniencefálico (TCE) e, por conta da gravidade dos ferimentos, Roberto não resistiu e faleceu no domingo. Em um gesto de solidariedade, sua família optou por doar os órgãos.  

Na manhã de segunda-feira, a Organização de Procura de Órgãos (OPO) da Santa Casa de Campo Grande realizou a captação dos rins e do fígado. A nona captação de órgãos feita pelo hospital em 2022 beneficiou três pessoas. O fígado captado foi encaminhado para Rio Branco, no Acre.  

De acordo com o cirurgião responsável, Juan Rafael Branez, especialista em transplante de órgãos abdominais, esse processo garantiu uma nova vida para aqueles que aguardam nas filas por um órgão compatível.

“Não existe transplante sem doação. Em um momento de dor, a família poderá dar vida a outra pessoa, e isso significa uma segunda chance com mais qualidade de vida para quem recebe o órgão”, destacou o médico.

Já os dois rins do paciente foram encaminhados para São Paulo. A captação dos órgãos foi conduzida pela equipe do Serviço de Urologia da Santa Casa de Campo Grande. Os traslados dos órgãos aos destinos foram feitos em voos comerciais, e, no hospital, os pacientes já aguardavam pelo transplante.

SAIBA

Na contramão de 2022, nos últimos 10 anos, houve uma redução de 42,27% no número de vítimas fatais no trânsito de Campo Grande, com 132 mortes registradas em 2011 e 75 em 2021.

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