Diante do caos da falta de ônibus no transporte coletivo, o Consórcio Guaicurus - que não conseguiu pagar o adiantamento dos funcionários na data de ontem (20) - afirmou que o dinheiro que recebe da prefeitura não é suficiente para honrar os compromissos com os trabalhadores.
Ao Correio do Estado, o diretor-executivo do Consórcio Guaicurus, afirma que o aporte conquistado pela concessionária, com valores que se aproximam de R$ 1 milhão ao mês, está sendo repassado pela Prefeitura, entretanto a defasagem da tarifa, junto com os constantes aumentos do diesel, tem pressionado a folha de pagamento.
"O calculo da tarifa (da Agereg) dava R$ 5,15. Eles nos deram uma tarifa de R$ 4, 40", diz ele, ressaltando que o próprio consórcio não tem autonomia sobre os preços cobrados.
Há cerca de cinco dias, em 15 de junho, o Consórcio Guaicurus comunicou a Prefeitura Municipal sobre o esgotamento dos recursos financeiros a partir do dia 20.
Sobre o aporte, ele aponta que o valor pago não é suficiente e que, segundo a Prefeitura o município iria buscar o Estado para que o Governo de MS entrasse com uma parte, uma vez que a manobra da prefeitura cobre o pagamento da tarifa apenas de estudantes municipais (14% do total de alunos transportados) e portadores de necessidades especiais.
"Em nenhum mês atingiu 1 milhão. O máximo que atingiu, agora no mês de maio, foi R$ 830 mil. Então eles não deixaram de passar nenhum mês não", completa Robson sobre o aporte municipal.
Robson aponta ainda que tentará de qualquer forma retomar a execução dos serviços.
"Não é assim parar de uma hora para outra. Ou vai ser através da gente arrumar esse dinheiro de não sei onde né, a gente vai procurar as entidades financeiras, vamos procurar o município, Estado e vamos procurar a Justiça também", comenta.
Os alunos do município correspondem a 66 mil que recebem o benefício, enquanto os estudantes da Rede Estadual de Ensino somam 190 mil usuários.
Neste cenário, os alunos federais (de faculdades e colégios militares) são um total de 60 mil que recebem benefício, enquanto os da rede privada somam 130 mil estudantes.
"Então o mínimo é o que a prefeitura está pagando, não é? Eu não sei, já tentamos várias vezes chamar o estado para isso também, porque quase 50% dos estudantes é da rede estadual, né?", aponta.
Robson Strengari ainda expõe que realmente não havia dinheiro para pagamento do vale na data de ontem (20).
"Nós temos um limite X no banco, e esse X vai ultrapassar e o banco não vai pagar. Já tentamos aumentar esse limite com o banco. Então vamos nos de novo hoje na gestão regional deles aqui para ver se que a gente consegue", diz.
Ainda, o diretor-executivo comenta que alerta sobre esse quadro de falta de dinheiro, há pelo menos quatro anos, mas que em 2022 a coisa complicou.
"O passageiro que a gente esperava voltar não voltou na sua totalidade, né? Os custos, pneu, e principalmente, óleo diesel. No cálculo do óleo na tarifa, o valor do diesel é 4,61. Hoje já estamos pagando 7,16. Só essa diferença, por mês para nós, dá um milhão, setecentos e oitenta mil de defasagem, fora a defasagem de R$ 5,15 para R$ 4,40 ", relata.
Robson frisa que o Consórcio não é responsável pelo cálculo da tarifa, e que essa é uma situação que acontece não só em Campo Grande, mas em várias cidades brasileiras.
"Tá caro para o passageiro. O serviço do transporte, assim como a saúde no município de educação no é primário lá, né? É da alçada de quem? da prefeitura! Nós somos uma empresa que concorreu para prestar esse serviço. Nós estamos prestando um serviço, mas o serviço do transporte é da prefeitura", diz.
Apesar de ser uma situação difícil e o consórcio reforçar que lamenta o fato de respingar no funcionário, Robson lembra a inconstitucionalidade da atual greve.
"O sindicato agiu errado em não comunicar com 48 horas de antecedência, como está previsto na lei. Deixou passageiros aí, a Deus dará", finaliza.