Cidades

CRIME ORGANIZADO

Em 6 meses, apreensões de cocaína alcançam maior valor dos últimos 8 anos

Dados da Sejusp mostram que, de janeiro a 23 de junho, as forças de segurança tiraram de circulação 8,6 toneladas da droga em Mato Grosso do Sul

Conforme levantamento realizado pelo Correio do Estado, com dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), de janeiro a 23 de junho, foram apreendidas 8,6 toneladas de cocaína em Mato Grosso do Sul. O número é superior ao interceptado durante 12 meses nos últimos 8 anos.  

Em um recorte mais preciso, a apreensão de cocaína pelas forças de segurança estaduais em todo o ano passado foi de 8,03 toneladas. 

No primeiro ano da pandemia de coronavírus, em 2020, a interceptação deste tipo de droga em MS foi a segunda menor, levando em conta dados compilados desde 2015, com 4,3 toneladas apreendidas.  

Dados da Sejusp apontam que 5,6 toneladas foram apreendidas em 2019, valor superior às 2,5 toneladas interceptadas em 2018. 

Em 2017, as forças de segurança retiraram do mercado ilegal 3,8 toneladas de cocaína. Outras 3,3 toneladas do entorpecente foram interceptadas em 2016. No ano de 2015, as apreensões da droga somaram 6,3 toneladas.  

Além da região da fronteira entre Brasil e Paraguai, Campo Grande tem se destacado como rota do tráfico de drogas. Conforme balanço da Sejusp, apenas neste ano, já foram apreendidas 2,3 toneladas de cocaína na Capital, considerando os 508 quilos interceptados ontem pela Polícia Civil.  

Em todo o ano passado, 2,1 toneladas da droga foram apreendidas no município.  

Conforme o coronel e diretor do Departamento de Operações de Fronteira (DOF), Wagner Ferreira da Silva, o aumento da apreensão de cocaína na Capital e em todas as cidades de Mato Grosso do Sul se deve ao investimento no núcleo de inteligência das forças de segurança.  

“O que temos notado em relação à cocaína é que houve uma mudança: a abertura de novas rotas e caminhos terrestres para o tráfico. E isso ampliou nossa capacidade de repressão, pois nos últimos quatro anos tivemos um investimento muito forte no núcleo de inteligência”, salientou o coronel.  

RECORDE

A interceptação mais recente foi realizada pelo Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco) da Polícia Civil nesta quinta-feira. Foram apreendidos 508 kg de cocaína escondidos em um caminhão clonado, na BR-060, em Campo Grande.  

Ao Correio do Estado, a titular do Dracco, Ana Cláudia Medina, confirmou que esta é a maior apreensão de cocaína feita pela Polícia Civil em Mato Grosso do Sul.  

O recorde anterior era de 483,6 quilos de cocaína, interceptados na MS-040, em Campo Grande, no dia 8 de março deste ano. A droga, que foi avaliada em R$ 60 milhões, era transportada em uma carreta, escondida em meio a engradados de cerveja.

Para driblar a fiscalização de ontem, os dois suspeitos transportavam meia tonelada da droga em um caminhão clonado caracterizado como da Energisa, concessionária que fornece energia ao Estado.  

“Durante a abordagem ao caminhão, os dois autores estavam uniformizados, sendo um deles efetivamente funcionário da empresa há oito anos. Depois de algumas entrevistas, acabamos localizando em uma extensão do veículo mais de meia tonelada de cocaína na carroceria do caminhão”, afirmou a delegada.  

Os dois suspeitos foram autuados em flagrante por tráfico de entorpecentes e associação criminosa. Em nota, a Energisa afirmou que as drogas apreendidas com o uso indevido da logomarca da empresa não têm nenhuma relação com o grupo.  

“Em apuração interna já foi verificado que o caminhão apreendido em atuação de sucesso da polícia não pertence à frota da companhia, uma vez que todos os veículos são monitorados por sistema de telemetria e não houve reporte de roubo em nenhuma unidade da empresa”, disse a nota.

VALORES

Diferentemente da maconha, que é trazida para consumo interno, o DOF avalia que 80% da cocaína que entra no Brasil é para exportação para países da Europa, África e Ásia.  

O quilo da cocaína no mercado europeu, por exemplo, chega a custar R$ 120 mil, segundo o coronel Wagner Ferreira da Silva.

Levando em conta esse valor, 80% dos 508 kg apreendidos nesta quinta-feira poderiam ser avaliados entre R$ 48,7 milhões e R$ 60,9 milhões. De acordo com o Dracco, a droga apreendida tem um valor estimado de R$ 56 milhões.  

Durante as maiores apreensões do Dracco, mais de 1,9 tonelada de cocaína foi retirada do comércio ilegal. A atual apreensão faz parte da Operação Hórus, trabalho integrado de Polícia Civil, Sejusp, Polícia Militar e Polícia Penal.

SAIBA

Segundo o comandante do Departamento de Operações de Fronteira (DOF), coronel Wagner Ferreira da Silva, internamente a cocaína costuma ser vendida no Brasil a R$ 30 mil o quilo. 

No entanto, apenas 20% do total produzido e transportado fica no País, o restante é encaminhado para a Europa.

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