Cidades

MEIO AMBIENTE

Processo de assoreamento está presente em todos os lagos de Campo Grande

Nascentes do Córrego Prosa, da Lagoa Itatiaia e do Lago do Amor sofrem com sedimentos causados por obras e intervenções

Presente em todos os lagos de Campo Grande, o processo de assoreamento preocupa especialistas. Após chuvas intensas, já é possível notar os sedimentos nas nascentes do Córrego Prosa, da Lagoa Itatiaia e do Lago do Amor.  

Ao Correio do Estado, o biólogo e diretor-presidente da Ecoa, André Luiz Siqueira, explicou que o assoreamento é recorrente em obras de infraestrutura e alertou que a quantidade de areia presente na nascente do Córrego Prosa é alarmante.  

“Não tem nem como calcular o impacto que é essa quantidade de areia. Essa falta de cuidado sempre existiu. Esse tipo de procedimento precisa de protocolos mais profundos em relação aos sedimentos nas áreas sensíveis e em unidades de preservação”, salientou.  

De acordo com o especialista, o assoreamento no Córrego Prosa ocorre em decorrência das obras de revitalização feitas na Avenida do Poeta. “Para mim, está muito claro. Há uma obra enorme de drenagem. Você vê claramente um grande avanço de areia. Todo esse sedimento carreado para o córrego veio da obra”, destacou.  

O gerente da unidade de conservação do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), Leonardo Tostes Palma, explicou que, todos os anos, os lagos sofrem o efeito do assoreamento e que alguns casos demandam maiores intervenções, como no episódio visto em 2019.  

À época, o instituto e a Prefeitura de Campo Grande esvaziaram o lago do Parque das Nações Indígenas para remoção da areia em excesso depositada em seu fundo.  

Leonardo ressaltou que os sedimentos estão aparecendo de maneira mais rápida, porém, com menos intensidade. O gerente pontuou que o problema, hoje, não está no lago maior do Parque das Nações Indígenas, próximo à Via Parque, mas, sim, no lago menor, localizado atrás do Museu das Culturas Dom Bosco.  

“Estamos estruturando um projeto de desassoreamento e captação dessa água que cai no Parque dos Poderes, paracontenção de algumas bordas”, afirmou.

Sobre os córregos que formam o Prosa, Leonardo esclareceu que o Córrego Desbarrancado está estável e dentro das expectativas esperadas de uma nascente, já o Joaquim Português sofreu impactos agressivos em decorrência das águas vindas da Avenida do Poeta, próximo ao Parque dos Poderes.  

“A água vinha com muita força e começou a entrar no Parque Estadual do Prosa, causando a erosão e, inclusive, atingindo o lençol freático”, salientou.

MEDIDAS

O gerente do Imasul ressaltou que foi feita uma nova bacia de contenção para evitar que os sedimentos cheguem até o córrego Joaquim Português, mas que, apesar da obra, o córrego está lotado de areia.  

Leonardo justificou a ausência de ações contra os sedimentos nas nascentes do Córrego do Prosa a partir do processo de dinâmica das águas.

“Agora é a hora de fazer obra dentro, para poder conter os sedimentos. Não adiantava antecipar, porque seria jogar dinheiro fora duas vezes”, frisou.

LAGO DO AMOR  

No Lago do Amor, o cenário não se altera. Há uma grande parte de areia presente no meio da água, as chamadas praias artificiais. Conforme o noticiado pelo Correio do Estado em 2019, foi constatado, por uma pesquisa que mede o assoreamento no local, que em 15 anos o lago poderia ficar totalmente seco.

A notícia pareceu não alarmar a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e continua não preocupando, visto que nenhuma ação tem sido feita para retardar a degradação do lago.  

De acordo com os dados divulgados em 2019 pelo grupo de pesquisa Hidrologia, Erosão e Sedimentos (Heros), da UFMS, o Lago do Amor terá seu fim em 2036.  

Em 2012, ele foi revitalizado, e em 2016, já em estado avançado de assoreamento, virou objeto de investigação do Ministério Público Estadual (MPMS).

Comerciantes locais, que optaram pelo anonimato, relataram que a única intervenção feita no lago foi a limpeza dos materiais jogados às margens. “Estou há 12 anos aqui e esses dias vieram com uma canoa e alguns aparelhos modernos, não sei se era para medir a profundidade ou a qualidade da água”, afirmou.

A reportagem entrou em contato com a UFMS, responsável pelo Lago do Amor, mas até a publicação desta matéria não obteve resposta.  

LAGOA ITATIAIA

A prefeitura da Capital abriu, no dia 3 deste mês, licitação para revitalização da Lagoa Itatiaia. A lagoa, localizada no bairro Tiradentes, é um dos cartões-postais de Campo Grande. Conforme o edital, a estimativa é de que sejam investidos R$ 1.447.860,90 nas obras.

Por enquanto, empresários da região relataram à reportagem que a única limpeza realizada é a coleta de lixo.  

SAIBA

O Córrego Prosa é formado pela junção dos córregos Joaquim Português e Desbarrancado. As suas águas deságuam direto no lago maior do Parque das Nações Indígenas.

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use a fachada da Sesau na capa e mantenha a foto de Papy com Dr. Victor Rocha no meio da reportagem, próximo ao trecho sobre o ofício enviado à Prefeitura. Foto: Arquivo Correio do Estado.

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