Cidades

TEMPO

Frio prejudica famílias que vivem de improviso na Capital

Moradores de comunidades vulneráveis em Campo Grande recorrem a doações de roupas e agasalhos para enfrentar as mudanças intensas de temperatura

A frente fria e as chuvas, que começaram em Campo Grande no domingo e se intensificaram nesta terça-feira, trouxeram mais desafios para as famílias que já passam por dificuldades por morarem em barracos improvisados em diversos bairros da Capital.  

Desempregada, Géssyca da Silva, de 17 anos, mora com o marido e o filho de três anos em duas peças feitas de madeira e lona, no Conjunto Habitacional José Teruel. Ela conta que quando o tempo muda não há muito o que fazer além de tentar manter a criança dentro de casa, onde é mais quente.  

“Meu filho fica só dentro de casa porque não tem para onde ir e tento esquentar ele como dá. Na verdade, a gente sempre faz apenas o que é possível”, relatou.

Não muito longe dali, também no José Teruel, Alessandra Morais, de 28 anos, foi uma das contempladas com um terreno no processo de reassentamento das famílias da antiga favela Cidade de Deus.  

“A gente recebeu o terreno da prefeitura, mas tivemos que levantar a casa com o nosso dinheiro. A prefeitura vai ajudar na pintura e a terminar o banheiro”, detalhou.  

Embora simples, a casa chegou em um momento muito oportuno para a família, que hoje tem um local mais confortável para se abrigar do frio.

Mãe de três meninos, que têm 12, 10 e 4 anos, e uma menina recém-nascida, de um mês, ela conta como os dias frios e chuvosos eram piores quando morava em um barraco na antiga favela. “Lá molhava tudo, inclusive os colchões. Recebíamos doações, mas sempre fazia muito frio”, relembrou.  

DIFICULDADES

Quem também está sofrendo ainda mais com a mudança de tempo são as oito pessoas que continuam morando em um barraco improvisado na Rua Brígida de Melo, no Jardim Los Angeles.  

“Aqui só não molhou por conta da lona que ganhamos de doação. Coloquei a lona por cima para segurar a chuva”, explicou Cláudia Moreira, de 49 anos.

A moradora disse que à noite o frio só não é maior porque muitas pessoas fazem doação de cobertores e agasalhos para que eles passem pelos dias de baixas temperaturas. O fogão de lenha improvisado também ajuda a aquecer o ambiente, de acordo com Cláudia.  

“Não tem muito o que fazer, mas buscamos lenha para o fogão e todo mundo fica em volta tentando se esquentar”, relatou. A líder da comunidade Lagoa, Rosana do Amaral, de 49 anos, afirmou que muitas crianças precisam dormir juntas para dividir os poucos cobertores que tem.  

Além das casas serem improvisadas com lonas e madeiras, a vegetação e a estação de tratamento de esgoto fazem o lugar ficar ainda mais gelado, por conta da água que corre atrás da ocupação.  

A líder da comunidade explicou que as madeiras que formam barracos já estão deterioradas e o vento gelado passa pelas frestas, o que intensifica o desconforto nos dias frios.

ASSISTÊNCIA SOCIAL

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS) de Campo Grande, informou que, desde a primeira frente fria registrada este ano, está adotando medidas urgentes para proteger qualquer pessoa em situação de vulnerabilidade social.  

As Unidades de Acolhimento para Famílias e Adultos (Uaifas) foram ampliadas e supridas com camas, alimentação, casacos e cobertores, para garantir a acolhida a quem precisar. A SAS ainda reforça que os serviços de abordagem e acolhimento funcionam todos os dias, 24 horas.  

PREVISÃO

A frente fria formada no sul do País está se deslocando para o leste e, antes de perder força, exercendo bastante influência no clima de Mato Grosso do Sul.  

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão para esta quarta-feira é de baixas temperaturas, com possibilidade de chuva isolada. Na Capital, a mínima será de 8ºC, e a máxima, de 18°C.  

Para amanhã, a mínima deve continuar na casa dos 8ºC, com máxima de 21ºC, conforme o Inmet. 

SAIBA

Para realizar pedidos de ajuda para pessoas em situação de vulnerabilidade, qualquer pessoa pode entrar em contato pelos telefones (67) 99660-6539 ou 99660-1469. 

Doações de roupas e agasalhos podem ser direcionadas para o Centro POP, localizado na Rua Joel Dibo, nº 255, Centro.

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