Cidades

Saúde

Campanha alerta para ameaça de retorno da paralisia infantil

Ressurgimento de casos onde doença estava erradicada preocupa

Bianka Macário

22/08/2022 - 16h27

A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) lançou nesta segunda-feira (22) a campanha Paralisia Infantil - A Ameaça Está de Volta, para estimular a adesão à campanha de vacinação contra a poliomielite, que está sendo realizada desde o dia 8 deste mês pelo Ministério da Saúde. 

As ações serão realizadas nas redes sociais e junto a profissionais de saúde.

O Brasil tem registrado queda de coberturas vacinais desde 2015. 

No caso da poliomielite, a preocupação de pesquisadores é que o movimento de queda coincide com o ressurgimento de casos em locais em que a doença já estava erradicada, como Estados Unidos, Malawi e Israel. 

No Brasil, o último caso confirmado foi em 1989.

Estima-se que três em cada 10 bebês brasileiros nascidos em 2021 não tomaram as doses da vacina intramuscular contra a pólio, previstas para os 2, 4 e 6 meses de idade.  

A proteção contra a doença também requer doses em gotinhas aos 15 meses e aos 4 anos de idade, e, segundo o Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações, somente 54% das crianças completaram o esquema vacinal no ano passado, enquanto a meta que deve ser atingida para garantir a imunidade coletiva é de 95% das crianças vacinadas.

Para melhorar esse cenário, começou em 8 de agosto a Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e Multivacinação de 2022, e, no último sábado, foi realizado o Dia D de Mobilização.

O presidente da SBIm, Juarez Cunha, afirma que o mais importante é que as crianças que não foram vacinadas sejam levadas aos postos, mas que os pais daquelas que estão com a imunização em dia também podem levá-las para receber um reforço na proteção.

"A pólio não tem um tratamento específico. A única coisa que a gente tem como ferramenta de proteção são as vacinas, que são ferramentas extremamente seguras, eficazes e gratuitas", destaca Juarez.

A infecção pelo poliovírus pode causar sequelas e levar à morte. 

Embora a maioria das pessoas que contrai o vírus não apresente sintomas, as infecções podem levar à paralisia irreversível em algum dos membros, sendo as pernas acometidas com maior frequência.  

Entre os pacientes que sofrem de poliomielite paralítica, 5% a 10% morrem por paralisia dos músculos respiratórios.

A campanha da SBIm pretende destacar a ameaça que a doença representa e contará com depoimentos de duas pessoas que vivem com sequelas da pólio. 

Peças informativas e vídeos com especialistas que serão divulgados nas redes sociais e sites da SBIm e de entidades apoiadoras, como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e Bio-Manguinhos/Fiocruz e as sociedades brasileiras de Pediatria (SBP), Infectologia (SBI) e Ortopedia e Traumatologia (SBOT).

"Um dos grandes problemas que levam a uma baixa adesão à vacinação é a falsa sensação de segurança em relação a doenças que as pessoas só não conhecem, ou nunca viram, porque foram vacinadas contra elas", lembra Juarez Cunha.

DIA D EM CAMPO GRANDE

Aconteceu neste sábado (20) em Campo Grande, o Dia D da campanha de multivacinação contra a poliomielite para crianças entre 1 e 4 anos.

Segundo o Secretário Municipal de Saúde, José Mauro Filho, a ação faz parte das estratégias adotadas pelo Ministério da Saúde para ampliar a cobertura vacinal, que tem sido cada vez menor nos últimos anos.  

Ele ainda ressalta a necessidade da aplicação das vacinas, uma vez que elas protegem contra doenças graves. 

“Conhecemos a poliomielite como paralisia infantil, e as sequelas motoras dessa doença são as menores, uma vez que o vírus pode até provocar o óbito”, enfatiza.  

Também estiveram disponíveis outras vacinas para as crianças e adolescentes, como Hepatite B, Pentavalente, Rotavírus, Febre Amarela, Tríplice Viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. 

Além das que protegem contra Hepatite A, Varicela, Difteria e tétano adulto.  

A campanha de multivacinação seguirá ativa até o dia 9 de setembro.

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