Cidades

Varíola

Anvisa libera kits para ampliar diagnóstico de varíola dos macacos

Com a liberação dos insumos, o Ministério da Saúde pretende abastecer os Laboratórios Centrais de Saúde Pública e acelerar o diagnóstico

Bianka Macário

29/08/2022 - 22h00

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou nesta segunda-feira (29) o uso imediato e emergencial de 24 mil kits para diagnóstico laboratorial da varíola dos macacos. A agência ainda avalia o pedido de registro definitivo do produto.

Com a liberação dos insumos, o Ministério da Saúde pretende abastecer os Laboratórios Centrais de Saúde Pública –que são públicos– e acelerar o diagnóstico da doença. Atualmente, apenas oito laboratórios fazem a análise por biologia molecular em todo o país.

A diretoria colegiada da Anvisa considerou, entre outros pontos, a grande quantidade de exames represados que aguardam investigação; "o risco associado à demora diagnóstica no que se refere à propagação da doença no país"; e o fato de não existirem testes comerciais registrados.

"Destaca-se que, atualmente, no país, estão estruturados tecnicamente oito Laboratórios de Referência para o diagnóstico da monkeypox, por biologia molecular, que têm se demonstrado limitados na capacidade de atender à crescente demanda, gerando um quantitativo de solicitações de exames represadas", afirmou a agência em nota.

Até o momento, não existe teste comercial para diagnóstico da varíola dos macacos com registro na Anvisa. Por isso, tanto laboratórios públicos como privados têm utilizado metodologia própria para análise do material. A prática é reconhecida e regulamentada pela agência.

O pedido de liberação dos kits moleculares foi apresentado à Anvisa no último dia 10 de forma conjunta pela Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde e a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

De acordo com o balanço fechado pelo ministério no sábado (27), o Brasil tem 4.493 casos confirmados de varíola dos macacos e investiga outros 4.860.

Na quarta (24), a pasta anunciou o primeiro caso em animal doméstico no país, em Juiz de Fora (MG). Trata-se de um filhote de cachorro de cinco meses.

Na sexta (26), a Anvisa liberou a importação de uma vacina contra a varíola dos macacos e do medicamento Tecovirimat, usado no tratamento da doença. Na semana passada, o Brasil recebeu 12 unidades do antiviral, doadas pelo fabricante.

Nos dois casos, a dispensa temporária de registro tem prazo de seis meses, podendo ser revogada, e vale apenas para o Ministério da Saúde –o que, na prática, impede que empresas privadas importem e comercializem os produtos.

A autorização se aplica à vacina da empresa Bavarian Nordic A/S, fabricada na Dinamarca e na Alemanha. Apesar de ser o mesmo produto, o imunizante é chamado de Jynneos nos Estados Unidos e Imvanex na Europa.

A varíola dos macacos é uma doença causada por vírus e disseminada principalmente pelo contato com lesões na pele de pessoas infectadas. Outra forma de transmissão é por gotículas respiratórias, como tosses e espirros. Nesse caso, é necessário contato muito próximo e prolongado.

Os sintomas da doença incluem início súbito de lesão ou ferida (uma ou mais) em qualquer parte do corpo, dor de cabeça, febre ou calafrio, dores musculares, cansaço, caroços no pescoço, axila ou virilha. A orientação em caso de suspeita é procurar imediatamente a unidade de saúde mais próxima para diagnóstico.

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