Uma medida adotada pelo Consórcio Guaicurus solicita que os cadeirantes que utilizam o transporte público de Campo Grande atualizem seus cadastros e registrem suas viagens por meio da catraca desde o fim de julho deste ano.
Prevista na Lei Municipal Complementar 437/2022, a medida pode limitar a locomoção dos passageiros desde 31 de julho, período que segundo o consórcio, os clientes cadeirantes poderiam ser barrados.
Segundo a Lei, a ação é “necessária (..) para a substituição do cartão até dia 31 de julho”, e conforme o PLC, após a data, o uso do transporte coletivo por cadeirantes não regularizados no sistema “não seria permitido”.
Em vigor desde o início de agosto, a medida - até o momento, “conta com um relaxamento por parte do Consórcio”, disse Robson Strengari, diretor-executivo do Consórcio Guaicurus.
Anteriormente, o diretor disse ao Correio do Estado que “por mais que a lei 437/2022 já permita que a empresa fiscalize os clientes cadeirantes não regularizados, o Consórcio permitiria que todos se regularizassem até setembro, mês vigente.
Em novo contato com o Consórcio, Strengari informou que a medida segue valendo, uma vez que, de acordo com ele “a empresa não tem objetivo de limitar ou prejudicar as pessoas que utilizam o transporte público", e "segue os cadastros sem uma data como prazo”.
De acordo com Robson Strengari, o Consórcio Guaicurus estima que Campo Grande conta com um número substancialmente superior aos 224 cadeirantes cadastrados, e que o prazo de relaxamento foi estendido para acompanhar os cadastros de pessoas com deficiência auditiva e visual, previstos para este mês.
Segundo ele, o cadastramento permitirá que a empresa monitore melhor o local de moradia dos cadeirantes que utilizam o serviço, a fim de melhorar os atendimentos.
Cadastramento
A vendedora Ana Valesca (51), utiliza o transporte público da capital desde o início de 2022 e passou por uma situação inusitada no momento do cadastro.
Com limitações de locomoção em razão de um acidente vascular cerebral (AVC) sofrido há dois anos, Ana Valesca disse anteriormente ao Correio do Estado que a exigência de cadastros presenciais dificultam a vida de Pessoas Com Deficiência (PcD).
De acordo com Ana Valesca, mesmo com o cadastro atualizado, o Consórcio Guaicurus solicitou que ela fosse presencialmente ao endereço de recadastramento, localizado na Rua 25 de Dezembro, esquina com a Rua Antônio Maria Coelho, no 2º andar do Shopping Marrakech.
Chegando lá, segundo ela, os atendentes verificaram o cadastro em dia e a liberaram do atendimento. “O fato de ser algo presencial, dificulta mais a vida do PcD, quando o correto seria facilitar, mesmo porque é uma lei de acessibilidade”.
Segundo ela, os contatos de atendimento disponibilizados pelo Consórcio Guaicurus não funcionam e "também não estão aptos à atender esse público (PcD)”, disse.
Conforme o Consórcio, o cadeirante pode optar por informar o motorista do veículo por meio de nome e telefone para que o motorista anote em seu diário de bordo. A ação já auxilia pessoas PcD na capital.