Em Mato Grosso do Sul, produtores da agricultura familiar têm recebido suporte e acompanhamento para que possam melhorar a qualidade dos produtos oferecidos e ampliar as vendas.
Essa iniciativa é oferecida pelo Sebrae/MS, por meio do programa Cidade Empreendedora, como explica o analista técnico do Sebrae/MS e coordenador do eixo Compras Públicas do programa, Marcus Rodrigo de Faria.
O programa é executado em parceria com as prefeituras dos municípios participantes, que atualmente está com 32 cidades de Mato Grosso do Sul e, em 19 delas, cerca de 340 pequenos produtores são atendidos.
Como muitos agricultores têm na feira da cidade um dos principais canais de comercialização, juntamente com a consultoria, o programa também tem oferecido suporte para revitalizar esses espaços, possibilitando a reformulação da identidade visual das feiras em 16 cidades empreendedoras.
Em Bandeirantes, Costa Rica, Inocência, Nova Andradina, Paraíso das Águas, Rio Brilhante e Terenos o novo layout foi instalado e apresentado à população. Já em Amambai, Camapuã, Corumbá, Dourados, Maracaju, Nova Alvorada do Sul, Ribas do Rio Pardo, Rio Verde de Mato Grosso e Sonora, a instalação das peças será feita até o fim do ano.
“O objetivo do Sebrae é fazer com que o município não só se fortaleça, mas também possa aumentar a participação do pequeno produtor rural local nas suas compras públicas nos programas federais, chamados de Programa da Agricultura Familiar Pnae [Programa Nacional de Alimentação Escolar] e também no PAB [Programa Alimenta Brasil], e também criando outras alternativas de comercialização do agricultor com o poder público local e com a população local”, declarou Faria.
Junto da melhoria, os feirantes também recebem capacitações para que possam agregar valor ao produto e dar mais visibilidade ao negócio. E, nesta entrevista ao Correio do Estado, Faria explica como funciona o programa.
Para Faria, um dos principais desafios enfrentados pelos pequenos produtores é fazer com que o resultado do seu trabalho chegue ao poder público ao mesmo tempo que a necessidade surge.
“O grande desafio enfrentado por esse público é, sem dúvida nenhuma, produzir de forma sincronizada com a necessidade de utilização por parte parte dos programas com alimentação escolar e assistência social. Então, organizar essa produção, que normalmente o produtor já faz de forma planejada, é o nosso grande desafio”, disse coordenador do eixo Compras Públicas do programa.
Marcus Rodrigo de Faria
Formou-se em administração em 1996 pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e concluiu o mestrado em Agronegócio em 2013, pela Uniderp Anhanguera.
Trabalha no Sebrae/MS desde 2005 e hoje atua como analista técnico da entidade, além de ser coordenador do eixo Compras Públicas do programa Cidade Empreendedora.
O senhor pode falar sobre o programa Cidade Empreendedora e como ele atua? Qual o propósito do trabalho feito pelo Sebrae/MS com a agricultura familiar?
O objetivo do Sebrae é fazer com que o município não só fortaleça, mas também possa aumentar a participação do pequeno produtor rural local nas suas compras públicas, nos programas federais, chamados de Programa da Agricultura Familiar Pnae [Programa Nacional de Alimentação Escolar] e também no PAB [Programa Alimenta Brasil], e também criando outras alternativas de comercialização do agricultor com o poder público local e com a população local.
Como funciona a consultoria oferecida pelo Sebrae/MS para dar suporte aos pequenos produtores da agricultura familiar presentes nos municípios onde é desenvolvido o Cidade Empreendedora?
O Sebrae disponibiliza consultores especializados em compras públicas, em chamada pública, para orientar o município, para que ele consiga fazer todos os trâmites, seguindo a legislação, e que possa, com isso, ter a transparência e a licitude para poder fazer as aquisições necessárias, tanto nos programas governamentais federais quanto no local e, ao mesmo tempo, nós disponibilizamos consultores agrônomos para orientar o produtor no processo de organização da produção, melhoria dessa produção e, principalmente, montar com esse produtor um planejamento da sua produção para que a gente organize a sincronia das entregas, para que no momento que a prefeitura precise dos produtos, para alimentação escolar ou para a assistência social, seja o momento em que o produtor já tenha a produção pronta para ser colhida e entregue.
São ensinadas estratégias para que eles consigam conquistar novos mercados e até mesmo vender para o poder público via Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e Programa Alimenta Brasil (PAB)?
Sim. O trabalho ele tem como estratégia organizar a prefeitura, o poder público, para que ele exerça essas compras de Pnae e PAB e sincronize isso com os produtores, para que eles conheçam esses programas, se habilitem de forma organizada para participar e, principalmente, para que ele organize a sua produção, para poder fazer a entrega desses produtos que ele participou.
Quais são os principais desafios hoje enfrentados por esse público e de que maneira a consultoria tem ajudado?
O grande desafio enfrentado por esse público é, sem dúvida nenhuma, produzir de forma sincronizada com a necessidade de utilização por parte parte dos programas com alimentação escolar e assistência social.
Então, organizar essa produção, que normalmente o produtor já faz de forma planejada, é o nosso grande desafio.
Além disso, poder colocar esses produtos de forma rápida na alimentação escolar e também criar outros canais de comercialização é um desafio constante que a gente busca suprir com essa ação integrada e coordenada.
Esse acompanhamento já tem trazido resultados para os produtores? É possível perceber os reflexos desse trabalho? Pode citar exemplos?
Sim, esse trabalho já tem demonstrado resultados que a gente já começa observar em diversos municípios onde o produtor tem conseguido se habilitar nessas chamadas públicas, bem como produzir e entregar um produto com qualidade e de uma forma mais fresca nas escolas e nas cestas da assistência social, além de conseguir mostrar para eles a oportunidade que surge nas diversas outras possibilidades de compras do poder público municipal e no fortalecimento das feiras dos produtores.
Sabemos que grande parte dos produtores da agricultura familiar adquirem renda ao comercializar os produtos na feira da cidade. O programa Cidade Empreendedora também tem atuado para fortalecer esses espaços e despertar o interesse da população?
A feira do produtor é um importante canal de comercialização e de aproximação do produtor com o consumidor, com a dona de casa, com o morador do município.
Fortalecer esse canal de comercialização que é a feira dos produtores é um dos fatores prioritários no programa Cidade Empreendedora no quesito de compras públicas da agricultura familiar.
O trabalho do Sebrae tem esse objetivo, de fortalecer esse canal, bem como criar esse novo espaço de lazer e de integração do produtor junto à população.
O poder público tem um papel importante no processo de fortalecimento da agricultura familiar e na geração de renda, de que maneira as prefeituras têm contribuído com esse trabalho e qual a importância disso?
Estimular o poder público, a prefeitura, em relação a esse importante papel de fortalecer a agricultura, os pequenos negócios rurais do entorno do município é fundamental para melhorar esse ambiente que é a agricultura familiar e possibilitar a eles essa independência de renda e fortalecer esse vínculo para que eles tenham acesso a essas oportunidades de compra, de comercialização, de acesso à informação, de acesso ao maquinário no momento e da forma adequada.
Tudo isso faz parte das orientações do Cidade Empreendedora com os municípios, e nós buscamos trabalhar junto à Secretaria de Agricultura na organização de um programa que fortalece essas ações da prefeitura com a agricultura familiar local.
Como todas essas iniciativas auxiliam no processo de desenvolvimento dos municípios que participam do programa?
O nosso desafio é ter essas ações de forma organizada e que isso possa virar um programa de governo, um programa que tenha continuidade e permanência, para que as ações tenham um impacto no desenvolvimento desse segmento, que é o pequeno produtor rural e a sua grande possibilidade de crescimento e aumento da produção para abastecimento do comércio local, da alimentação saudável junto às escolas e junto a toda uma população do município.
Com iniciativas integradas e organizadas como essa, nós acreditamos que o desenvolvimento acontece e se fortalece e a possibilidade de fixação do homem ao campo, com a participação da família, dos filhos, só tem a aumentar e engrandecer os municípios e a atividade de geração de emprego e renda.