Cidades

INFRAESTRUTURA

Com número de equipes de tapa-buraco menor desde 2020, crateras se multiplicam

Reportagem encontrou buraco que atrapalha desembarque de passageiros em ponto de ônibus na Avenida Calógeras

Valesca Consolaro

12/10/2022 - 09h00

Os buracos no asfalto já são velhos conhecidos dos moradores de Campo Grande. Desde o início da pandemia de Covid-19, a prefeitura da Capital reduziu diversas vezes as equipes encarregadas de tapá-los.

Já foram, em determinado momento, 15 equipes, mas atualmente, segundo o titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), Rudi Fiorese, há 9 equipes trabalhando neste setor, mesmo com a volta das chuvas intensas, que é uma das causas dos estragos no asfalto.

“As nossas equipes vêm trabalhando normalmente, fizeram expediente neste sábado [8] e na segunda-feira [10]. 

Rudi Fiorese também falou que neste período chuvoso a Prefeitura de Campo Grande deve aumentar o número de equipes. “Iniciando o período de chuvas, devemos aumentar o quantitativo de equipes”.

Um dos exemplos de danos no asfalto foi encontrado pela reportagem do Correio do Estado na Avenida Calógeras, entre a Avenida Afonso Pena e a Rua 15 de Novembro. Na região, há dois buracos que estão dificultando o embarque e desembarque de passageiros do transporte coletivo.

O ponto de ônibus, que é um dos poucos locais onde há a parada para o transporte coletivo naquela região do centro de Campo Grande, estava lotado de pessoas na tarde de segunda-feira (10), aguardando a chegada dos veículos.

Logo à frente, dois buracos grandes o suficiente para formar poças de água causam transtorno para os passageiros, que precisam “driblar” o obstáculo para conseguir entrar nos veículos. 

Valdete de Fátima, 60 anos, que trabalha como auxiliar administrativa, era uma das passageiras que aguardavam o ônibus no ponto da Calógeras.

Indignada com a situação da rua, Valdete reclamou sobre os buracos que atrapalham no embarque das pessoas nos ônibus coletivos. 

“Estamos aqui em pé, muitas vezes esperando o ônibus, e ele vem, passa com os pneus no buraco e a água parada, que já está aí há bastante tempo, acaba espirrando na gente”, declarou.

Valdete trabalha no centro da cidade e precisa ficar praticamente todos os dias da semana no ponto de ônibus para locomover-se do trabalho para casa.

“Por causa dos buracos, o ônibus não consegue parar aqui na faixa em frente ao ponto, isso dificulta o embarque para pessoas com cadeira de rodas, por exemplo”, acrescentou.

RISCO A IDOSOS

Durante a reportagem, Robernan Costa, 82 anos, desembarcou de um dos ônibus da frota do Consórcio Guaicurus no ponto. 

O veículo parou em cima do buraco alagado, e o idoso, vendo o obstáculo abaixo da porta traseira do ônibus, precisou se inclinar e estender o máximo possível a sua perna de apoio para não escorregar e cair na poça. 

Em uma breve conversa com Costa, ele disse que o buraco na avenida, próximo ao ponto de ônibus, é um perigo para os idosos que precisam desembarcar ali. 

Maria Viana, dona de casa de 67 anos, se surpreendeu com o tamanho que ficou o buraco desde a última vez em que ela esteve no ponto de ônibus da Avenida Calógeras.

“Este buraco, quando eu vi pela primeira vez, era pequenininho, aí ele foi se abrindo e, se continuar assim, daqui a pouco ele estará lá no meio da pista”, disse.

A idosa, que aguarda ônibus no ponto pelo menos três vezes por mês, ainda ressalta: “Dia de chuva aqui é difícil por causa das poças que o buraco faz. Uma pessoa idosa que tem dificuldade não entra fácil no ônibus”.

RESPOSTA

“Sobre os buracos na Avenida Calógeras, podemos iniciar o tapa-buraco nesta terça-feira (11), já que será feriado e por este motivo terá pouco movimento no trânsito”, declarou o secretário, porém, a obra não foi iniciada ontem.

Sobre o trânsito movimentado e o fluxo de ônibus no ponto de transporte, o secretário detalhou como funciona o trabalho nesta situação.

“Quando executamos o tapa-buraco em locais mais movimentados, atrapalha mais o trânsito, porém, o serviço demora entre 30 minutos e 1 hora, deixando apenas uma via interditada até a conclusão do serviço”.

A reportagem do Correio do Estado já havia mostrado o problema em março deste ano, quando diversas degradações na malha asfáltica foram encontradas, o que coloca em risco o trânsito de motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres.

Entre os trechos visitados naquela época, foi possível encontrar buracos na Rua Doutor Mário Corrêa, na Vila Santa Dorotheia; degradações no asfalto da Rua Floriano Paula Corrêa, no Bairro Jardim Nhanhá; e na Rua Beneditinos, na Vila Ipiranga.

Na época, a cidade vivia a temporada de chuvas, que retornou neste mês de outubro, com isso, pode ser mais frequente o encontro dos motoristas com buracos nas vias, já que a previsão para este mês é de um acumulado superior a 100 milímetros em Campo Grande (Veja mais na página 6).

 

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