Apesar do anúncio de paralisação geral, marcado para esta segunda (7), o comércio da região central segue normalizado em Campo Grande.
Na capital, sobretudo os comerciantes que são ligados ao setor do agronegócio, foram os que fecharam as portas em apoio ao movimento.
Contra o resultado do último pleito, bolsonaristas convocaram uma paralisação nacional em postagens nas redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas, de forma a ecoar em manifestações antidemocráticas, que têm acontecido desde o dia 31 de outubro.
Em Campo Grande, o Correio do Estado apurou que alguns dos empresários que fecham suas portas, em apoio à convocação, estão dirigindo-se ao Comando Militar do Oeste (CMO).
Lá, bolsonaristas se aglomeram há oito dias para pedir intervenção militar, contra o resultado apresentado nas urnas, que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência da República, pela terceira vez na história do Brasil.
Entre os comércios que não abriram as portas, um empresário de loja de produtos agropecuários apontou, na manhã desta segunda (07), que inclusive estava de saída para fortalecer os atos antidemocráticos, realizados na Avenida Duque de Caxias, indo comprar alimentos para doar à aglomeração.
Em outro ponto do centro, Alessandro, funcionário de outra empresa de produtos agropecuários, enquanto estendia uma bandeira do Brasil na fachada da empresa, declara quais as motivações que o levaram à apoiar o movimento
“Não aceitamos presidente bandido”, desabafa o colaborador.
Na mesma linha que Alessandro, Sandra - responsável pela loja -, alega que todos os apoiadores que se identificam como patriotas irão aderir às paralisações e, portanto, sua loja ficará fechada também.
Ainda na região central, na 14 de julho, a proprietária de outra loja de produtos agropecuários, Ilda, de 71 anos, afirma que as portas do seu estabelecimento irão fechar por tempo indeterminado e que o agro é quem irá decidir por quanto tempo as lojas ficarão paralisadas.
“O pessoal está achando que as eleições foram roubadas, e devem ter achado algum fundamento né, senão não estavam aí se mobilizando.”, declara a empresária.
A lei
Esse convite apresenta ares que flertam com algo que a Justiça do Trabalho entende como uma medida considerada crime, o chamado locaute — espécie de greve de empresas—, onde, em vez de os trabalhadores, são os empresários que interrompem deliberadamente as atividades.
Ainda conforme o órgão regulador, as greves constituem-se, por essência, uma importante ferramenta histórica das lutas por reivindicações trabalhistas, por melhores condições de trabalho no Brasil.
Além disso, o exercício da greve é um direito assegurado pela Constituição de 1988.
Apesar de as mobilizações estarem convocando diversos ramos do comércio, em Campo Grande a paralisação é setorizada, sobretudo por empresários do agronegócio.
Inclusive, o grupo não conta com apoio tradicional das empresas de Luciano Hang, dona das lojas Havan, que segue com suas duas unidades de Campo Grande em pleno funcionamento.
Além disso, em suma, esses empresários estão se encaminhando para somar na aglomeração que tem ocorrido em frente aos quarteis do CMO.