Cidades

IMPASSE

Prefeitura espera por subsídio do Estado para definir tarifa de ônibus em Campo Grande

Município depende do valor repassado pelo governo para definir um preço bem mais abaixo de R$ 5,80, a tarifa técnica

Eduardo Miranda

02/02/2023 - 15h35

O impasse sobre o valor do subsídio a ser oferecido pelo poder público é o principal fator responsável pelo atraso da divulgação da tarifa do transporte coletivo de Campo Grande. O novo preço da passagem deveria ser divulgado antes da virada de 2022 para 2023, mas, no dia 2 de fevereiro, ainda não há previsão alguma de quando será revelado ao usuário. 

Por enquanto, o que existe é a definição da tarifa técnica do transporte coletivo em R$ 5,80. Tarifa técnica, para que o leitor entenda, é o valor que o Consórcio Guaicurus, concessionário do transporte coletivo, recebe pela viagem de cada passageiro. Neste valor estão incluídos os subsídios. 

Atualmente, nas catracas, o valor cobrado é de R$ 4,80 ao usuário do transporte coletivo, com uma tarifa técnica de R$ 5,15. 

O impasse para o financiamento, segundo apurou o Correio do Estado, é a indefinição do valor que o governo de Mato Grosso do Sul ajudaria para subsidiar o transporte coletivo de Campo Grande. 

Apesar de a prefeita Adriane Lopes (Patriota) ter recebido uma sinalização positiva da administração estadual, ainda não se tem um valor definido, nem tampouco quando esse subsídio começará a entrar no caixa do município - que é quem repassa os valores ao Consórcio Guaicurus. 

Até o ano passado, o governo de Mato Grosso do Sul contribuía com R$ 1,2 milhão por mês para o sistema de transporte da Capital. 

Do lado do município, o valor do subsídio deve continuar inalterado, em R$ 1 milhão por mês (R$ 12 milhões) por ano. Este valor sozinho, porém, reduziria muito pouco o preço de R$ 5,80 da tarifa técnica. O preço cobrado ao consumidor depende do tamanho do subsídio que o município conseguir.  

Aliás, o valor da tarifa técnico não deve mais ser alterado, para que uma nova crise seja instalada. Ele serviu de lastro para a negociação salarial envolvendo motoristas e o empregador, Consórcio Guaicurus, e qualquer alteração, poderia desencadear novas paralisações ou até mesmo uma greve. 

Nos bastidores, também apurou o Correio do Estado, o município também espera por uma sinalização do governo federal. A expectativa é de que haja um subsídio ao transporte coletivo em nível federal, assim como houve no último semestre do ano passado, em compensação à gratuidade dos idosos.

No caso do subsídio do município e do estado, a justificativa é a gratuidade dos estudantes destas duas redes. 

“Estudo”

Pela manhã, na abertura dos trabalhos da Câmara dos Vereadores, a prefeita de Campo Grande Adriane Lopes (Patriota), preferiu não ser indelicada com o governo, do qual ela espera ajuda. Preferiu falar que ainda está se fazendo um “estudo para se atingir um valor”. 

“A gente  está discutindo esse valor ainda, não não chegamos a conclusão, tendo em vista que são vários itens e subsídios que vai compor para que a gente chegue no valor final dessa tarifa”, disse.

Em 2012, quando a Prefeitura de Campo Grande e Consórcio Guaicurus firmaram contrato de concessão do transporte coletivo, a data de revisão tarifária era o dia 25 de outubro. Em 10 anos, porém, a data foi sendo empurrada, pelos gestores.

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