A cantora rapper Raíssa, a SoulRa, recorreu ao Instagram para denunciar que na madrugada de segunda-feira passada (28), logo após participar de um show promovido no Centro de Convenções de Dourados, foi algemada à força, posta dentro de um camburão da Polícia Militar e levada até uma delegacia da Polícia Civil da cidade, onde ficou incomunicável por duas horas.
Ela aponta como "perturbação da ordem", o motivo alegado por sua prisão, uma atitude "arbitrária" dos policiais, segundo ela.
SoulRa é de Dourados, a segunda potência econômica de MS, formou-se em Direito pela Universidade Estadual, dedicou-se a estudos sobre racismo estrutural e institucional enquanto durou o curso e aprofundou-se em questões de gênero e as especificidades da mulher negra. É uma ativista na questão.
No vídeo divulgado, ela diz que hoje mora em São Paulo, e, no domingo, foi contratada para se apresentar num show em sua cidade, que contou com participação de Thiago Castanho, CPM22, Marcão Britto, Tonelada e Miliano.
SoulRa disse que sua apresentação duraria uma hora, mas o show consumiu apenas meia hora por atrasos na programação.
A rapper subiu no palco às 19h30, após encerrado, ela desceu e ficou por lá para assistir as outras apresentações.
A rapper afirmou que por volta da 1h, mesmo sem a apresentação de todos os artistas, o show foi interrompido, acabou.
Pela narração da artista no vídeo que você pode assistir logo abaixo, o público chiou e também desapontou as bandas que ficaram de fora, justo as regionais.
Houve tumulto depois e por lá apareceu uma guarnição com ao menos três militares.
SoulRa foi conversar com os PMs e, segundo ela, foi destratada e que logo o algemaram com as mãos para trás, com truculência. "Uma falta de respeito", disse a artista.
Toda a ação, segundo ela, foi observada por uma fotógrafa, Valentina.
Depois de algemada, os policiais conduziram a artista até o camburão e condicionaram ela na parte de trás do veículo, onde os PMs costumam por as pessoas capturadas.
Dali do Centro de Convenções, os PMs seguiram para a delegacia da Polícia Civil, onde ela ficou até às 5h da manhã, conforme relato em seu Instagram. Ela diz ainda que havia homens detidos, mas nenhum algemado, somente ela. "Uma violência, uma tortura".
Soulra disse ainda que pessoas ligadas a ela foram à delegacia e tentaram ajudá-la, mas foram retiradas do prédio e aconselhadas a irem embora.
A artista conta ter se machucado por causa da algema nos braços.
Ela queixou-se aos policiais pela repressão ainda no Centro de Convenções, mas os PMs - três ao todo - teriam dito a ela que a medida seria um meio de impedi-la que fugisse.
Nos dias seguintes, a artista disse ter buscado ajuda médica e que agora está com medo de participar de outras apresentações. "Sou vulnerável aos homens de farda", afirmou.
A rapper afirmou que tem tratado do caso com auxílio de advogado, ou seja, os PMs devem ser denunciados.
A reportagem tentou falar na tarde desta sexta-feira, por telefone, com a artista, mas até a publicação deste material não tinha conseguido.
O Correio do Estado recebeu mensagens de fãs da artista que alegam que os policiais envolvidos na prisão dela já foram denunciados pela mesma prática, ou seja, violência. Nomes deles são citados e podem constar na denúncia.
Veja o vídeo abaixo