Cidades

HISTÓRIA

Com troca de nome, 19 de abril de 2023 marca o primeiro Dia dos Povos Indígenas

"Dia dos Povos Indígenas" deixa no passado a nomenclatura "Dia do Índio", considerada ultrapassada e pejorativa

Valesca Consolaro

17/04/2023 - 12h30

Comemorado no dia 19 de abril, 2023 marca o primeiro Dia dos Povos Indígenas, deixando no passado a nomenclatura “Dia do Índio”, considerada ultrapassada e pejorativa. 

Em Mato Grosso do Sul, há aproximadamente 100 mil indígenas de sete etnias diferentes: Terena, Guarani Kaiowá, Guarani Nhandeva, Guató, Atikum, Kinikinau, Kadiwéu, segundo divulgação da Secretaria de Estado de Turismo, Esporte, Cultura e Cidadania (Setesc).

A data é comemorada desde 1943 no Brasil, sendo uma homenagem aos povos originários do Brasil. 

A mudança da nomenclatura foi estabelecida pela Lei 5466/19, de autoria da ex-deputada e atual presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joenia Wapichana (Rede-RR). 

Para Joenia Wapichana, a intenção ao renomear a data é ressaltar, de forma simbólica, não o valor do indivíduo estigmatizado "índio" mas o valor dos povos indígenas para a sociedade brasileira. 

"O propósito é reconhecer o direito desses povos de, mantendo e fortalecendo suas identidades, línguas e religiões, assumir tanto o controle de suas próprias instituições e formas de vida quanto de seu desenvolvimento econômico", afirmou a deputada. 

Entenda a mudança 

Segundo o professor, pós-graduado em Língua e Cultura Terena, Sérgio da Silva Reginaldo, o "Dia do Índio” é  uma mentira histórica, pois o nome surgiu devido a um erro náutico que aconteceu pela tripulação de Colombo, pensando que tinha chegado à Índia, nome que passou a ser utilizado de forma pejorativa. 

Ele pontua que o termo “Dia dos Povos Indígenas” é mais suave e confortável. “Se for analisar mais a fundo o radical da discriminação ainda nos persegue (indí)genas. A mudança foi necessária nesse aspecto de amenizar essa mochila de preconceito que tem a palavra índio”, explicou o professor. 

Além disso, uma das estratégias coloquiais que os povos indígenas utilizam para substituir o termo “índio” é a inclusão da etnia de cada povo no sobrenome, por exemplo “Sérgio Terena”.

O coordenador Regional da Funai de Campo Grande e mestrando em antropologia social, Elvisclei Polidorio, explica que muitos dos “parentes” nem sabem que existe essa discussão, principalmente aqueles que não têm acesso às mídias digitais e outros tipos de canais de informação. 

No entanto, para os indígenas que estão na academia e no mercado de trabalho essa mudança do termo é fato e precisa ser levada aos outros.

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