Cidades

OPERAÇÃO ITAMARÃ

Sul-mato-grossense integrava quadrilha de extração e comércio ilegal de ouro e diamante

Organização criminosa movimentou mais de R$ 30 milhões com exportação de pedras preciosas para mais de 10 países

Com alvo em Mato Grosso do Sul, a Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (26), a Operação Itamarã, para desarticular organização criminosa internacional, especializada na exploração, comércio e exportação ilegal de pedras preciosas, especialmente diamante e ouro.

Conforme a Polícia Federal, a quadrilha atuava em vários países e a movimentação de recursos era milionária.

Não foi divulgado qual a participação do investigado de Mato Grosso do Sul no esquema. A Polícia Federal informou, no entanto, que não foi cumprido mandado de prisão no Estado.

No total, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão e oito mandados de prisão preventiva nos estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Minas Gerais e no Distrito Federal.

Em coletiva de imprensa, o delegado Henrique de Souza Guimarães informou que quatro pessoas foram presas nesta manhã, sendo dois em Piracicaba (SP), dois em São Paulo e um no Distrito Federal.

Foram apreendidos diamantes, ouro, dinheiro e acrma. O delegado afirmou que as apreensões ainda estão sendo computadas e não há um balanço do total de bens retidos.

Além dos mandados, a Justiça Federal determinou o bloqueio de R$ 38 milhões dos investigados.

Investigação

As investigações começaram em 2020, a partir de informações recebidas pela Unidade de Inteligência da PF em Piracicaba, que apontaram a existência de uma organização criminosa que atuava na extração mineral irregular, na receptação e contrabando de pedras preciosas.

Segundo o delegado, um dos integrantes da quadrilha foi identificado e preso ao tentar embarcar com quatro diamantes no Aeroporto de Guarulhos. As pedras foram avaliadas em R$ 350 mil e seriam levados para Dubai.

As investigações continuaram e mais integrantes da organização criminosa foram identificados, com novas apreensões de diamantes e barras de ouro e prisões.

"Os diamantes e ouro, nós conseguimos identificar através da análise de dados em nuvens armazenados dos alvos, como sendo provenientes de Rondônia, Mato Grosso e Minas Gerais. Essas pedras, os diamantes eram trazidos em voos domésticos pelos investigados para São Paulo, Paraná e posteriormente tinham suas destinações ao exterior", disse o delegado.

Foram identificados envios e negociações com intermediários na China, Inglaterra, Bélgica, Emirados Árabes, Estados Unidos, Cingapura, França, Canadá, Gana, Namíbia, África do Sul, Espanha, Serra Leoa e Suíça

Além dos mandados de prisão e busca e apreensão cumpridos no Brasil, também constam medidas cautelares a serem cumpridas mediante cooperação policial e jurídica internacional nos Estados Unidos, Bélgica, Inglaterra e Emirados Árabes.

Em território brasileiro, a organização criminosa atuava em diversos estados e era dividida em três grupos, sendo associados, fornecedores e financiadores.

Conforme o delegado, não é possível precisar o valor das pedras preciosas exportadas ilegalmente, porque os valores dependem de vários fatores agregados, mas foi identificada que a movimentação financeira da quadrilha é de, pelo menos, R$ 30 milhões.

Entre os recursos criminosos utilizados estão a abertura de empresas, com o fim específico de emissão de notas fiscais falsas para enganar os órgãos de fiscalização, e a cooptação de empresas legítimas, devidamente regularizadas no Cadastro Nacional de Comércio de Diamantes Brutos (CNCD), para emissão de documentos falsos e viabilização da remessa das pedras ao exterior.

Os envolvidos no esquema responderão por crime contra o patrimônio, na modalidade de usurpação; por promover, constituir, financiar ou integrar, pessoalmente ou por interposta pessoa, organização criminosa; importar ou exportar clandestinamente mercadoria que dependa de registro, análise ou autorização de órgão público competente; e receptação qualificada, além de outros que porventura forem constatados no curso das investigações.

O nome da operação Itamarã faz referência à comunidade indígena Tekoha Itamarã, de etnia Guarani, a qual utiliza o nome Itamarã em referência a diamante.

 

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