A Santa Casa de Campo Grande publicou balanço financeiro no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande). Segundo o documento, o hospital tem uma dívida total de R$ 569,2 milhões, entre empréstimos, fornecedores e obrigações fiscais não cumpridas.
A maior parte deste passivo, entretanto, está ligada a instituições financeiras, para quem o centro médico deve R$ 192,6 milhões (valor de financiamento circulante e não circulante), o que representa 33,8% do total devido.
Os empréstimos são referentes ao período de 2019 a 2022, quando a Santa Casa era comandada por outra gestão. Parte deles, inclusive, foi tomada para sanar dívidas ainda mais antigas, feitas por diretoria anterior.
De acordo com o documento, os contratos ativos começaram em 14 de novembro de 2019, quando a entidade optou por realizar um empréstimo com o banco Sicoob Credicom, no montante de R$ 10 milhões.
Em 25 de setembro do mesmo ano, a Santa Casa fez outro financiamento, desta vez no Bradesco, no valor de R$ 1,7 milhão.
Outro empréstimo foi tomado pelo hospital no dia 25 de junho de 2021, na Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 162,1 milhões, valor que foi usado para pagar outros empréstimos. No mesmo ano, no dia 29 de julho, novamente a entidade buscou uma instituição financeira, desta vez o banco Daycoval, de quem recebeu R$ 3,2 milhões em empréstimo.
No mesmo banco, apenas seis dias depois, novo financiamento foi feito, desta vez no valor de R$ 12 milhões. O último empréstimo feito até o fim do ano passado foi realizado no dia 11 de janeiro de 2022, com a Caixa Econômica Federal, no valor de mais de R$ 40 milhões.
A dívida com bancos, apesar de ter crescido 8,3% de 2021 para o ano passado (passando de R$ 177,8 milhões para 192,6 milhões), representa uma fatia menor do passivo total devido pelo hospital. Em 2021 a Santa Casa devia R$ 471,8 milhões, e 37,6% deste valor para instituições financeiras.
No ano passado, o valor total devido aumentou em 20% e chegou a R$ 569,2 milhões, porém, a parte referente ao empréstimo caiu para 33,8%, o que mostra que a instituição, apesar de ainda ter muitas dívidas, preferiu não tomar outros empréstimos, que poderiam piorar sua situação financeira.
JUROS
A Santa Casa gastou mais de 20% de sua receita de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) no ano passado com o pagamento de despesas financeiras.
O maior hospital de Mato Grosso do Sul, que em 2022 teve uma receita total de R$ 342,3 milhões em repasses do SUS (que configuram quase a totalidade de sua receita), precisou desembolsar no mesmo ano um total de R$ 69,4 milhões com despesas financeiras.
A alta alavancagem do hospital, que tem um orçamento significativo, demonstra, em parte, suas dificuldades. Em todo o ano passado, R$ 33,5 milhões foram destinados para o pagamento de juros bancários e outros R$ 7,5 milhões para o pagamento de juros à Receita Federal do Brasil ou à Procuradoria da Fazenda Nacional.
Somente o que a Santa Casa paga de juros equivale à receita de pelo menos um mês e meio de repasses públicos, e, quando a totalidade das despesas financeiras é levada em conta nesta comparação, o montante equivale a quase três meses de repasse do poder público.
DEFICIT
O balanço do controle financeiro mostra ainda que a entidade acumula deficit de R$ 189,6 milhões relativos às contas de 2021 e 2022. Em 2021, a entidade encerrou o período com deficit de R$ 86,3 milhões, e, em 2022, com prejuízo de R$ 103,3 milhões. Ou seja, no período de um ano, a diferença aumentou em R$ 17 milhões.
Enquanto isso, segundo o balanço, em repasses, o hospital recebeu R$ 342,352 milhões do SUS no ano passado, aumento de 4,7% em relação ao ano anterior, quando recebeu R$ 326,828 milhões. Houve ainda outras receitas que somam R$ 44,702 milhões, entre convênios, doações e particulares. Dessa forma, a receita total no ano passado foi de R$ 387,054 milhões.
NOVA DIRETORIA
O balanço é referente ao período em que o presidente da Santa Casa era Heitor Freire, porém, a partir de janeiro deste ano, quem está à frente do hospital é Alir Terra, que foi eleita no fim do ano passado e se tornou a primeira mulher a presidir o hospital.
Em entrevista ao Correio do Estado, em dezembro do ano passado, quando estava prestes a tomar posse, Alir afirmou que o endividamento não é um “privilégio” só da Santa Casa de Campo Grande e declarou que a diretoria vem trabalhando para reduzir os custos do hospital.
“Desde que nós assumimos, agora, na administração do doutor Heitor Freire, o que nós estamos fazendo? Nós estamos trabalhando na redução de custos, renegociando dívidas, procurando fazer esse hospital sem papel. São várias ações. Várias ações para chegar em um objetivo. Isso nós não vamos conseguir do dia para a noite, mas é o que nós vamos perseguir. É como se você estivesse arrumando sua casa”, declarou na época.
A reportagem entrou em contato com a Santa Casa para um novo posicionamento, porém, não houve retorno até o fechamento desta edição. (Colaborou Eduardo Miranda)
SAIBA
O balanço financeiro divulgado pela Santa Casa de Campo Grande nesta semana, no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande), também trouxe o valor que o hospital recebeu durante todo o ano passado em repasses feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo os dados do documento, em repasses, o hospital recebeu R$ 342,3 milhões do SUS, o que representa um aumento de 4,7% em relação a 2021, quando o repasse foi de R$ 326,8 milhões.
O centro médico ainda recebeu a destinação de outras receitas, que somaram R$ 44,7 milhões, entre convênios, doações e particulares. A instituição teve uma receita total no ano passado de
R$ 387 milhões.