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Prisão de estuprador ressalta caráter punitivo de tornozeleira

Em Mato Grosso do Sul, 3.295 pessoas são monitoradas eletronicamente, segundo levantamento da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário

Ketlen Gomes

16/05/2023 - 08h30

A prisão de um homem de 23 anos, suspeito de cometer estupros em série no Bairro Jardim Macaúbas, na região sul da Capital, demonstrou o caráter punitivo, e não preventivo, da tornozeleira eletrônica. Isso porque o indivíduo preso nesta segunda-feira estava usando o equipamento eletrônico, o que não o impediu de cometer atos criminosos. 

Segundo a assessoria da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), “a tornozeleira é um mecanismo de fiscalização, e não de contenção”. 

Nos casos de crimes, o monitoramento ajuda apenas na identificação. A Agepen detalha que isso contribui para que os monitorados não se envolvam em novos delitos. Segundo o último levantamento da agência, 3.295 pessoas são monitoradas no Estado. Os dados são do mês de março e esse número pode ter sofrido alterações até o momento. 

O homem em questão está sendo investigado pela prática de três estupros no Bairro Jardim Macaúbas. Segundo a Polícia Civil, o acusado já responde criminalmente por estupro de vulnerável e, na ocasião, estava usando tornozeleira. 

“A pessoa envolvida neste caso estava em medida cautelar diversa da prisão, determinada pela Justiça. A tornozeleira neste caso específico foi determinante na identificação do autor dos estupros, bem como na prisão dele”, relata a assessoria da agência. 

A Agepen comenta ainda que a tornozeleira eletrônica atua como um inibidor, pois aumenta a possibilidade de identificação da autuação dos crimes, como ocorreu nesse caso dos estupros. Além da ajuda do equipamento, duas das três vítimas registraram boletim de ocorrência e colaboraram com o reconhecimento do suspeito dos crimes. 

No entanto, de acordo com a assessoria da Agepen, “a tornozeleira é para evitar que ele [o indivíduo] percorra determinado perímetro”. 

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) é o responsável por conceder o monitoramento eletrônico a pessoas que estão em cumprimento do regime aberto, semiaberto, prisão domiciliar, medidas cautelares alternativas ou medidas protetivas de urgência, como o caso de agressores inclusos na Lei Maria da Penha. 

O TJMS não informou ao Correio do Estado quais são os critérios para que um indivíduo que está nessas condições seja monitorado eletronicamente. Para a Agepen, a medida é eficaz porque pessoas que poderiam estar sem monitoramento nenhum são minimamente acompanhadas. 

A agência esclarece que há algumas normas estabelecidas pela Justiça que variam de acordo com a pessoa monitorada. No geral, o aparelho possibilita o registro de todas as movimentações dos usuários, e sinais sonoros são emitidos à Central de Monitoramento caso o indivíduo descumpra alguma regra. Além disso, é obrigatório manter a tornozeleira carregada e atender os contatos da Central. 

Entretanto, a fiscalização desse usuário limita-se basicamente à área permitida desse indivíduo se locomover.
“Quando o monitorado sai da área permitida, por exemplo, o policial penal liga para o usuário, para que ele retorne imediatamente. Caso ele informe tratar-se de urgência, como a ida a um hospital, a equipe consegue acessar no mapa a localização, confirmando ou confrontando a informação”, relata a Agepen. 

A agência explica também que a medida é uma “alternativa à prisão preventiva, contribuindo, portanto, para diminuir a superlotação das unidades carcerárias”. 

O CASO 

O caso está sendo investigado pelo novo setor da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), que é direcionado à investigação de crimes de feminicídio e crimes sexuais contra a mulher. 
A delegada responsável pelo caso, Analu Ferraz, informou que o autor dos crimes aproveitava o momento em que as mulheres saíam para trabalhar, enquanto ainda estava escuro, e as abordava próximo ao ponto de ônibus. 

O acusado, a princípio, negou a autoria dos crimes, mas a delegada Analu Ferraz relata que o caso está extremamente materializado e o indivíduo se reconheceu nas imagens. O homem também usava uma faca para fazer a abordagem das vítimas. 

Após a prisão, o setor de monitoramento foi notificado, o que ajudou a confirmar que o acusado estava realmente nos locais dos crimes. Outras pessoas estão sendo contactadas, pois podem ser vítimas do mesmo homem. 

“Nós vamos ouvir [as vítimas] para tentar analisar os outros boletins de ocorrência que já haviam sido registrados anteriormente naquela região. Então vamos chamar essas vítimas para ouvi-las, até porque é um crime complicado e algumas mulheres se sentem constrangidas em denunciar”, disse Analu Ferraz. 
 

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