Nesta segunda-feira (22), quatro dias após o ataque na Escola Municipal Bernardo Franco Baís, local em que uma advogada, 46 anos, foi esfaqueada por um ex-aluno da escola, guardas municipais protestaram em frente à unidade escolar sob o tema “Quanto vale a vida de um aluno da Rede Municipal?”.
Membros do Sindicato da Guarda Municipal de Campo Grande (SindGM/CG) seguravam um cartaz no horário de entrada dos alunos com os seguintes questionamentos: “Quanto vale a vida do aluno, do professor, do administrativo, dos serviços gerais? Quanto vale dar proteção real?”.
Conforme o vice-presidente do SindGM/CG, Alberto da Costa Neto, a campanha é um alerta sobre a importância da presença dos servidores da segurança nas escolas, com escalas extras e sem afetar os outros serviços prestados pela guarda municipal, como patrulha, fiscalização de trânsito, entre outros.
"Com escalas extras, poderíamos resolver o problema da insegurança da rede pública de ensino em Campo Grande", afirmou Alberto. O vice-presidente também reforçou as formações da guarda e a qualificação dos profissionais para combater os atos de violência nas escolas.
De acordo com o presidente do sindicato, Hudson Bonfim, como forma de sensibilizar e apresentar o projeto para adquirir apoio, a campanha será realizada em diversas escolas da rede municipal para pais, professores, e comunidade escolar.
“Diante do cenário de violência, existe uma carência de segurança nas escolas. Queremos o apoio da comunidade para que possamos, juntos, solicitar ao Executivo que faça o emprego das escalas extras, garantindo assim mais segurança para todos que façam uso dessa rede de ensino”, explicou o presidente do sindicato.
"Esperamos que a prefeita Adriane Lopes entenda, existe a demanda, queremos a possibilidade de realizar plantões, estamos aqui apara trabalhar, mediar o conflito e garantir segurança", concluiu Bonfim.
Vale lembrar que, na última terça-feira (16), agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) de Campo Grande estiveram na Câmara Municipal para solicitar que os vereadores fiscalizassem a lei aprovada pela Casa de Leis que trata sobre o adicional de periculosidade da categoria.
De acordo com o vice-presidente do SindGM/CG, Alberto da Costa Neto, o pagamento do adicional de periculosidade foi aprovado pela Câmara e passou pelo exame do Plano plurianual (PPA), Lei Orçamentária Anual (LOA) e na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
O Correio do Estado entrou em contato com a prefeitura de Campo Grande a fim do posicionamento sobre a reivindicação da Guarda Municipal, mas não obteve retorno até o fechamento deste material.
Relembre o caso
Na tarde da última quinta-feira (18) um adolescente, 15 anos, armado com quatro facas e uma marreta, esfaqueou uma advogada, 46 anos, que deixava o filho na Escola Municipal Bernardo Franco Baís, na avenida Calógeras.
Após avistar o ferimento, o adolescente foi contido por um agente patrimonial e pelo instrutor de badminton que dá aula na escola, e inclusive treina o esporte na escola com o filho da mulher atacada.
O autor do crime estava vestido com o uniforme da Rede Estadual de Mato Grosso do Sul. O adolescente foi até a antiga escola da rede municipal para o ataque, que aconteceu próxima à secretaria da unidade escolar.
Após o crime ele foi apreendido e levado para a Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude (DEAIJ), onde prestou esclarecimento e foi encaminhado para uma Unidade Educacional de Internação.
A advogada foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e levada para a Santa Casa de onde recebeu alta na noite de quinta (18). Ela teve ferimentos leves.