Em viagem à Brasília, na terça-feira (23), a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, se reuniu com Rose Modesto, a nova presidente da Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste para levantar recurso a fim de concluir a obra de 20% do espaço do Centro Municipal de Belas Artes, obra que está inacabada há mais de três anos.
No entanto, o espaço segue sem previsão de ser concluído, embora a empresa Campana e Gomes Engenharia tenha sido contratada e esteja dando andamento à obra mesmo sem orçamento e com a planilha de gastos desatualizada.
“Atualizando esse projeto o ar-condicionado, por exemplo, vai ficar na faixa de R$ 2,5 milhões. Não tem verba para isso, já que a obra toda está orçada em R$ 4 milhões e com o aditivo fica em R$ 6 milhões”, afirmou João Marcelo, sócio da empresa que está na execução da obra.
Em visita realizada no espaço, na tarde desta quarta-feira (24), João ainda contou que na época em que assumiu a obra a prefeitura pediu para que as tubulações de ar-condicionados fossem mantidas, contudo, não contavam que a estrutura está totalmente degradada em diversos espaços do local.
“Ninguém teve a capacidade de olhar para ver como estava e dizer que não dá pra aproveitar nada porque vamos ter que tirar o forro todo, tirar a tubulação do ar-condicionado”, completou João.
O presidente da Comissão Permanente de Cultura da Câmara Municipal de Campo Grande, o vereador Ronilço Guerreiro, também acompanhou a visita à obra e afirmou ao Correio do Estado que está preocupado já que há riscos dos materiais serem perdidos mais uma vez.
Guerreiro ainda destacou que há algum tempo, aproximadamente 12 anos atrás, a primeira fase da obra chegou a ter 87% do cronograma cumprido, inclusive com instalação de janelas blindex, conclusão dos banheiros e salas de dança, teatro e cinema.
Porém, como não houve mais movimentações, o espaço que antes era aberto e não contava com seguras, foi depredado e, muitas coisas, como as janelas, fios de eletricidade, pias e outros materiais foram roubados da edificação.
Andando pelos cômodos ainda é possível ver outras intervenções realizadas pela atual empresa, como reboco nas paredes, instalação de azulejos e estruturas de armação metálica no teto e tubulações para o sistema contra incêndios.
Uma grade ao redor do terreno onde fica a construção também foi instalada e um segurança foi contratado pela empresa, que desembolsa cerca de R$ 6 mil por mês para realizar o pagamento do funcionário.
Ainda conforme o relatado por João Marcelo, é possível que a obra seja concluída, mas depende da prefeitura disponibilizar recursos para isso, já que tudo que está sendo feito está sendo pago pela empresa, que depois precisará acertar as contas com o Executivo.
O vereador ainda criticou o fato de que apenas uma porção do local será restaurado e concluído com essa licitação, já que os outros 80% aguardam uma Parceria Público Privada (PPP) com alguma empresa interessada no empreendimento.
A esperança mais recente que o campo-grande teve em ver o espaço finalmente concluído foi em fevereiro de 2022, quando o então prefeito Marcos Trad (PSD) assinou a ordem de serviço. Nesta ocasião, a vencedora da licitação era a Orkan Engenharia, que abandonou a obra cinco meses depois.
Desde então, a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, chamou a Campana e Gomes, que ficou em 2ª lugar na licitação em 2020, para dar continuidade nas obras, porém, não realizou a atualização do projeto e nem da planilha orçamentária. Na placa que identifica a obra, o ano de início e conclusão do empreendimento é 2022.
Mesmo diante este cenário, ontem, a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, esteve em Brasília e solicitou que recursos do Sudeco fossem liberados para a conclusão do Centro de Belas Artes.
Ao Correio do Estado, Rose Modesto, que está à frente da Superintendência, afirmou que ainda não existe um valor acertado, mas apenas conversas iniciais a respeito de um possível financiamento.
Modesto ainda afirmou que até o Ministério do Desenvolvimento Regional poderá ser acionado se houver necessidade.