No dia 18 de maio a Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul) informou que num prazo de 30 dias seriam ativados 22 radares em 11 pontos críticos da MS-040 para tentar reduzir o número de acidentes envolvendo animais silvestres, principalmente antas, nos cerca de 230 quilômetros da rodovia. O prazo acabou e nenhum equipamento foi instalado até agora.
O anúncio foi feito cerca de 15 horas depois de mais uma morte de motorista na estrada que liga Campo Grande a Santa Rita do Pardo. Por volta das 18 horas do dia 17 de maio, o condutor de uma van morreu esmagado depois que uma anta que acabara de ser atropelada por um carro que seguia no sentido contrário voou para dentro de seu veículo.
Esta havia sido a segunda morte somente em maio deste ano e a sétima desde que a rodovia foi entregue, no final de 2014, segundo Patricia Medici, doutora em Manejo de Biodiversidade e coordenadora da Iniciativa Nacional para Conservação da Anta Brasileira (INCAB).
Ainda de acordo com ela, 208 carcaças de antas foram cadastradas à beira da rodovia neste período. Mas, o número é pelo menos 50% maior, já que muitas delas morrem longe da estrada depois de serem atingidas e não são cadastradas pela ong.
Agora, como o prazo acabou e não existe sinal de radares, a Agesul informou que as marcações já estão feitas e a instalação deve ser concluída em julho. Depois o Inmetro tem que aferir o equipamento para então ele ser ligado. Ou seja, agora não existe mais data para que os controladores de velocidade sejam ativados.
TELAS DE PROTEÇÃO?
E no dia 22 de maio, também horas depois de outro acidente, no qual uma pessoa sofreu ferimentos e uma anta morreu atropelada, o governado Eduardo Riedel afirmou que uma série de medidas estavam sendo adotadas para reduzir o número de ocorrências. Afirmou, ainda, que 40 quilômetros de telas de proteção que já teriam sido instaladas ao logo de rodovia.
Animados com o anúncio, integrantes da ong Iniciativa Nacional para Conservação da Anta Brasileira (INCAB) decidiram então fazer uma espécie de vistoria nestas telas, percorrendo toda a rodovia no último dia 13. Para surpresa, simplesmente não encontraram nenhum metro de tela.
O Correio do Estado apurou que pode ter havido uma confusão nos números divulgados, e que na MS-040, seriam 1,2 mil metros de cerca guia condutora da fauna no km 30.
Mas, para Patrícia Medici, “esse cercamento não é guia condutora de fauna. Isso é uma cerca de gado. Parabéns Agesul”, ironizou ela.
Desde 2017 a instituição que ela coordena elaborou um plano de mitigação e cobra a implantação de pelo menos 100 quilômetros de telas para “forçar” os animais a utilizarem as passagens subterrâneas já existentes para cruzar de um lado ao outro do asfalto.
A Agesul foi procurada, mas não enviou resposta até a conclusão da reportagem.