Há quase dez anos, em 22 de agosto de 2013, o corpo de Rafael Leonardo do Santos, que tinha 29 anos, foi encontrado às margens do anel viário de Campo Grande, próximo ao aterro sanitário, parcialmente carbonizado e esquartejado. Estava decapitado e sem braços e pernas.
A identidade só foi confirmada após exame de DNA com material genético fornecido pela mãe. O corpo foi encontrado quase dois meses depois do assassinato do delegado aposentado Paulo Magalhães, executado com tiros de pistola no dia 25 de junho, na frente da escola da filha, no Jardim dos Estados, em Campo Grande.
Conforme a polícia, Rafael havia sido o piloto da moto na qual estava o autor dos disparos fatais contra o delegado. Ou seja, o assassinato, esquartejamento e carbonização do corpo, além de ser queima de arquivo, foi uma espécie de recado dos mandantes para garantir o silêncio de outros envolvidos no crime.
O homem que estava na garupa da moto e que matou o delegado era José Moreira Freires, o Zezinho, que seis anos depois daria os tiros de fuzil que mataram o estudante de Direito Matheus Coutinho Xavier, de 20 anos, morto por engano em abril de 2019 quando manobrava a caminhonete do pai, o ex-PM Paulo Xavier.
Zezinho deixou claro que entendeu o recado e nunca revelou a identidade dos mandantes. Ele até chegou a ser levado a júri popular e foi punido a 18 anos de prisão pela morte do delegado, mas uma decisão do Tribunal de Justiça garantiu que respondesse em liberdade, sob a condição de que usasse tornozeleira. Ele sempre negou que fosse o autor dos disparos e consequentemente não revelou quem encomentou o atentado.
E foi justamente essa tornozeleira, que é rastreada, que levou os policiais da Operação Omertá a terem certeza de que Zezinho estava envolvido na morte de Matheus Xavier. Os registros eletrônicos mortraram que dias antes do atentado passou pelo menos duas vezes na frente da casa do alvo e no dia do crime se livrou da tornozeleira e desapareceu.
Ele só viria a ser encontrado em 14 de dezembro de 2020, no Rio Grande do Norte, quando foi morto durante suposto confronto com policiais daquele estado. A morte aconteceu próximo a Mossoró, onde estavam presos preventivamente Jamil Name e Jamil Name Filho.
Zezinho viveu um pouco mais que Rafael, mas também não chegou a completar 50 anos, o que aconteceria somente agora em 15 de outubro.
Jamil Name, que estava preso preventivamente por ser o suposto mandante do atentado que vitimou Matheus, morreu na prisão, aos 82 anos.
O filho, de 46 anos, foi condenado a 23,5 anos de prisão por ter mandado Zezinho a matar Paulo Xavier. Só que os pistoleiros erraram e mataram o filho dele. Jamilzinho já tinha outros 23 anos para cumprir por ter outras três condenações, todas iniciadas depois da prisão, em setembro de 2019. E, por responder a outras 15 denúncias, possivelmente terá longos anos no regime fechado, a não ser que seja absolvido nas instâncias superiores.
MISTÉRIO
Embora as autoridades não saibam se está vivo ou morto, o pistoleiro Juanil Miranda Lima também está longe de ser considerado um homem longevo. Em 24 de dezembro deste ano completa (ou completaria) 47 anos.
Ele é acusado de ser o autor dos disparos fatais contra Marcel Colombo, morto em outubro de 2018, e de ter dirigido o carro usado no atentado que resultou na morte de Matheus Xavier. As duas mortes, segundo o acusação do Ministério Público, foram encomendadas pela família Name.
Durante a Operação Omertá, o MPE também chegou a desarquivar o caso do assassinato de Paulo Magalhães por suspeitar que os mandantes também teriam sido os Name, mas por falta de provas os próprios promotores pediram o arquivamento do caso.
Durante o júri que levou à condeção de Jamil Name Filho, promotores insinuaram, mais de uma vez, que o destino de Juanil tenha sido semelhante ao de Rafael, com a diferença de que não existe corpo para comprovar sua morte.
Juanil Miranda Lima, de 46 anos, está na lista dos bandidos mais procurados do Ministério da JustiçaDesde abril de 2020 o nome de Juanil está na lista dos mais procurados do Ministério da Justiça por ter sido condenado pela morte do delegado Paulo Magalhães e por ser suspeito de envolvimento na morte de Orlando da Silva Fernandes “Bomba”, ex-chefe de segurança de Jorge Rafaat Tuonami.
Na época em que foi incluído na lista dos mais procurados ainda estavam no começo as investigações sobre a morte de Marcel Colombo, o Playboy da Mansão.Agora ele também está sendo caçado por causa deste crime. Mesmo assim, continua desaparecido.