O último apagão de energia elétrica ocorrido no dia 15 de agosto deixou 18 cidades de Mato Grosso do Sul no escuro. Nesta terça-feira (29), o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Carlos Ciocchi, afirmou que o sistema de proteção de uma usina demorou mais tempo do que o previsto para entrar em ação, gerando uma sobrecarga que causou o apagão energético do último dia 15.
“Esta avaliação só foi possível graças às informações que os agentes [do setor elétrico] nos passaram, mostrando o tempo que o aparelho [um regulador de tensão] de uma usina demorou a entrar em ação”, afirmou Ciocchi na abertura da reunião conjunta das comissões de Fiscalização Financeira e Controle e de Minas e Energia da Câmara dos Deputados.
Conforme já noticiado pelo Correio do Estado, 25 estados brasileiros e o Distrito Federal registraram falta de energia elétrica, sendo Roraima o único estado não afetado. Em Mato Grosso do Sul, segundo as concessionárias, o sistema foi restabelecido em poucos minutos.
O diretor-geral do ONS explicou que o equipamento de transmissão de energia elétrica em questão deveria ter demorado 15 milissegundos para entrar em ação, conforme previsto nos projetos habilitados pelos agentes econômicos, mas demorou entre 80 milissegundos e 100 milissegundos.
Ainda de acordo com Ciocchi, ao tentar reconstituir, em simuladores, os fatos que antecederam o apagão do último dia 15, os especialistas do setor não conseguiam obter o desligamento das fontes geradoras usando o tempo de resposta indicado nos projetos. Só ao receber “a pista” de que o equipamento de uma usina pode ter demorado além do tempo previsto para entrar em ação, os técnicos conseguiram reproduzir o evento.
“A grande pista, já discutida com técnicos, engenheiros e com vários experts do setor, é que aí está a causa de uma série de outros eventos, de aberturas de linhas, que levaram a esta desconexão que atingiu praticamente todo o Brasil”, esclareceu o diretor-geral do ONS.
O apagão energético deixou cerca de 29 milhões de brasileiros sem energia em quase todo o país. A interrupção do fornecimento de energia elétrica, que começou por volta das 8h30 (horário de Brasília) do dia 15, afetou as regiões do país de forma diferente.
Cabe relembrar que o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, não descartou ação humana no ocorrido e acionou o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), a Polícia Federal (PF) e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para que investigassem o caso de apagão nacional.
Por sua vez, a ONS disse que entregará nas próximas semanas um detalhamento das causas e responsabilidades pelo apagão um relatório consolidado.
Cidades afetadas
Os municipios sul-mato-grossenses que são abastecidos pela Energisa, que tiveram alguns minutos de falta de luz, foram Corumbá, Bodoquena, Itaquiraí, Fátima do Sul, Vicentina, Laguna Carapã, Coxim, Aparecida do Taboado, Miranda, Dourados, Caarapó, Rio Negro, Jardim, Rio Brilhante, Eldorado, Ivinhema e Bonito.
Já a Neoenergia Elektro que é responsável pelo abastecimento de energia em cinco cidades da região leste do Estado e informou que, apenas Três Lagoas teve interrupção de energia, tendo 12% dos clientes afetados. A Elektro relatou também que a falta de luz ocorreu às 7h30min e foi restabelecida às 7h45min.
Evento Zero
O diretor-geral do ONS reforçou que, conforme divulgado anteriormente, o chamado “evento zero” que contribuiu para que o apagão acontecesse foi o desligamento da linha de transmissão 500kV Quixadá-Fortaleza.
Segundo as autoridades do setor, isso ocorreu milissegundos antes da pane momentânea no sistema, por “atuação indevida” dos mecanismos de proteção do Sistema Interligado.
“Repetindo o que falamos à época, isso não foi a causa do fenômeno, pois o sistema brasileiro tem suas redundâncias [proteções em sequência] e é projetado para resistir a uma perda simples desta natureza”, comentou Ciochi, voltando a classificar a ocorrência do dia 15 como um “fenômeno completamente inusitado”.
Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, de acordo com Ciochi, o serviço foi restabelecido quase que integralmente em menos de uma hora. Já na Região Nordeste, a recuperação demorou mais. Foram necessárias três horas para restabelecer apenas 70% da carga afetada. O impacto foi ainda maior na Região Norte. “Foi praticamente um blecaute total e a recuperação enfrentou algumas dificuldades. Ainda assim, às 15h49, mais de 90% da carga estava recuperada”, apontou o diretor-geral do ONS, admitindo que, em termos nacionais, o apagão foi “de grandes proporções”.
Com informações da Agência Brasil