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Após ataque de onça, IHP reforça recomendações de segurança para evitar acidentes

Ataques são raros, mas acontecem, e a prevenção é essencial para garantir a segurança

Alanis Netto

30/08/2023 - 18h09

Após um ataque de onça na manhã da última terça-feira (29) em uma fazenda na região do Paiaguás, no Pantanal sul-mato-grossense, o Instituto Homem Pantaneiro (IHP) emitiu uma nota se solidarizando com a vítima, um trabalhador rural de 39 anos, e destacando recomendações de segurança a serem seguidas pela população em caso de aparição de animais da espécie.

"O Instituto Homem Pantaneiro (IHP) solidariza-se com o trabalhador rural que sofreu vários ferimentos graves e relatou o ataque de onça no Pantanal do Paiaguás em 28 de agosto de 2023. A equipe torce pela sua recuperação e fica à disposição para prestar apoio sobre a prevenção de outros casos", diz nota.

Recomendações

Os médicos veterinários do Programa Felinos Pantaneiros, mantido pelo IHP, explicam que as onças-pintadas e onças pardas são animais selvagens, e que exigem medidas de segurança para qualquer chance mínima de contato. No caso dos safaris pelo Pantanal, por exemplo, profissionais sempre garantem a integridade do grupo.

"A prioridade deve ser, sempre, a vida e a saúde das pessoas, com respeito ainda aos animais", reforçam.

No caso dos pantaneiros e pantaneiras que vivem em áreas remotas e acabam ficando mais expostos por coexistirem no mesmo território desses animais, a prioridade deve ser sempre evitar o contato direto. Essa preocupação existe principalmente para garantir a segurança das pessoas, em especial de trabalhadores que acabam ficando mais expostos em áreas de campo.

Baseado em estudos sobre o comportamento desses animais e conhecimento do campo de pantaneiros e pantaneiras, foram listadas as seguintes regras a serem seguidas por quem "está na lida":

1 Verifique com pessoas que conhecem a região se há avistamentos recentes de onça-pintada ou onça parda, em que locais eles ocorreram para se acender um alerta;

2 Procure não andar sozinho e caso suspeitar de rastros que indiquem pegada de onça, faça barulho pelo caminho ou evite o trajeto;

3 Se encontrar carcaça de animal morto, evite chegar perto, principalmente se não houver urubus presentes no local;

4 Locais onde ocorrem a "ceva", prática considerada crime pela legislação ambiental, devem ser evitados porque trazem grande risco de conflito com as onças, bem como denunciados à Polícia Militar Ambiental;

5 Verifique pelo caminho que estiver possíveis rastros que onças deixam, como pegadas, se há mais de uma pegada, sugerindo mais de um indivíduo no local, ou até fezes, e se esses detalhes sinalizam serem frescos ou antigos;

6 Caso encontrar com uma onça no trajeto, evite a aproximação e tente manter a maior distância possível até que o animal saia do contato visual;

7 Se você estiver frente a frente com uma onça, não se vire e não corra esse comportamento remete a de uma presa;

8 Ainda no caso de estar frente a frente com uma onça, mantenha contato visual e procure distanciar-se andando para trás sem movimentos bruscos;

9 Onças com filhotes tendem a ser mais defensivas, o mesmo ocorre quando estão em período de acasalamento andam em dupla;

10 Depois que a onça sair do contato visual, procure evitar o trajeto ou, se precisar seguir adiante, espere por um período médio para continuar o trajeto.

Ainda segundo o material, os estudos apontam que os ataques são raros, porque o comportamento contsiderado normal é que a espécie se afaste do ser humano. No entanto, ainda acontecem, e por isso a prevenção é fundamental.

Para acionar socorro, a orientação é procurar os Bombeiros (193). A Polícia Militar Ambiental também pode atuar e dar suporte nesses casos. O IHP pode prestar apoio técnico, após o resgate da vítima. O contato é [email protected].

O ataque

Na manhã da última terça-feira (29), o Corpo de Bombeiros foi acionado para realizar o resgate de um homem, de 39 anos, que foi atacado por uma onça na região do Paiaguás, Fazenda São Lourenço, no Pantanal sul-mato-grossense.

Segundo informações locais, o homem trabalhava na fazenda quando ouviu os cachorros latirem próximo a uma cerca, e decidiu verificar. Quando chegou ao local, se deparou com a onça, e chegou a lutar com o animal para tentar se salvar.

A vítima apresentava cortes na região da cabeça, em decorrência de arranhões, mordidas nos membros superiores, que resultaram em fraturas expostas. Além disso, teve queimadura de segundo grau na coxa direita, em decorrência da explosão da bateria do celular, que foi mordido pelo animal.

O homem precisou ser socorrido de avião, e encaminhado para o pronto socorro da Santa Casa de Corumbá, município localizado a 427 quilômetros de Campo Grande.

Sobre o IHP

Com mais de 20 anos de atuação, o Instituto Homem Pantaneiro (IHP) compartilha com a sociedade os desafios para a conservação do Pantanal e toda sua biodiversidade. O Instituto é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, que atua na produção de natureza no bioma Pantanal, com respeito à história e à cultura local. Dentre as atividades desenvolvidas, destacam-se a gestão de áreas protegidas, o apoio a pesquisas e a promoção de diálogo entre os atores com interesse nas áreas.

Entre as atividades desenvolvidas pela instituição destacam-se a gestão de áreas protegidas, o desenvolvimento e apoio a pesquisas científicas e a promoção de diálogo entre os atores com interesse na área.

Os programas e projetos permanentes que o Instituto atua são Rede Amolar, Cabeceiras do Pantanal, Amolar Experience, Felinos Pantaneiros, Memorial do Homem Pantaneiro, Brigada Alto Pantanal e Estratégias para Conservação da Natureza. Saiba mais em https://institutohomempantaneiro.org.br/. O IHP também integra o Observatorio Pantanal.

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