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Famasul publica nota de repúdio após STF anular tese do Marco Temporal

"Não há justiça quando se comete uma injustiça com milhares de produtores rurais que possuem justo título de propriedade há séculos", diz em nota

Valesca Consolaro

22/09/2023 - 12h00

A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) publicou uma nota de repúdio, nesta quinta-feira (21), após o Supremo Tribunal Federal (STF) anular a tese sobre o Marco Temporal. 

Conforme dados da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a medida faz diferença em 26 territórios indígenas de MS, que estão em processo de demarcação. Caso o Marco Temporal fosse aprovado, essas terras poderiam ser passadas para as mãos de fazendeiros que brigam pelos locais. 

Entretanto, nesta quinta-feira (21), por 9 votos a 2, o STF decidiu contra a validade da tese do Marco Temporal das terras indígenas. O resultado é uma vitória dos povos originários e foi comemorada por lideranças e entidades.

Diante da decisão, a Famasul posicionou-se contra a decisão, publicando uma nota de repúdio, alegando ver com preocupação o julgamento do STF. 

“Não há justiça quando se comete uma injustiça com milhares de produtores rurais que possuem justo título de propriedade há séculos, e mesmo assim, nenhuma garantia da posse do seu imóvel. A segurança legislativa e judicial que se busca não é apenas para a área rural, afinal, sem a definição do Marco Temporal, qualquer área urbana pode ser considerada como Terra Indígena. O fim do Marco Temporal trará consequências drásticas, não só para a atividade agropecuária de Mato Grosso do Sul e todo Brasil, mas para milhares de famílias do campo que há séculos ocupam suas terras passadas de geração em geração e que garantem segurança alimentar para a população mundial”. 

Para a Famasul, o direito à propriedade não foi reconhecido pelo STF.

Marco Temporal 

O julgamento começou em 2021 e foi retomado em diferentes sessões desde junho deste ano. 

Nesta quinta, votaram os ministros Luiz Fux, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e a presidente da corte, Rosa Weber. Eles acompanharam o relator do caso, Edson Fachin, contra a tese, assim como haviam feito Dias Toffoli, Luís Roberto Barroso, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes.

Kassio Nunes Marques e André Mendonça foram os únicos ministros que votaram a favor do marco.

A tese do marco temporal estabeleceria que a demarcação dos territórios indígenas deveria respeitar a área ocupada pelos povos até a promulgação da Constituição Federal, em outubro de 1988.

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