Cidades

violência contra A Mulher

Delegada se diz assustada com a barbárie das agressões sofridas por adolescente

As lesões da jovem de 17 anos mostram que houve torturas muito fortes; ela ainda deve ficar internada por cerca de 15 dias na Santa Casa

Valesca Consolaro

20/10/2023 - 12h59

Ao passar atualizações de caso investigado, no qual Samuel Góes de 27 anos é suspeito de torturar a namorada menor de idade, 17 anos, e a manter em cárcere privado, delegada afirma que nunca viu um caso tão bárbaro de violência contra a mulher em Campo Grande. 

Conforme relato da delegada responsável pelo caso, Analu Ferraz, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), feito em coletiva de imprensa desta manhã (20), as lesões mostram que houve torturas muito fortes. 

Os primeiros exames mostram que a jovem de 17 anos tem marcas de queimadura de água quente, que deve ter sido jogada nela, bem como marcas de queimadura de ferro de passar roupa. A vítima também teve os cabelos e seios cortados e a genitália dilacerada. 

A menina ainda está internada na Santa Casa e estima-se que deva permanecer lá por pelo menos mais 15 dias. 

Em razão da gravidade da agressão, a vítima ainda não deu depoimento. Além disso,  é preciso aguardar para se ter o laudo final do caso de saúde dela. 

Até agora, três testemunhas foram ouvidas e ainda restam muitas outras. 

"A ocorrência foi atendida pelo plantão e foi direcionada pelo setor que a Deam criou para a investigação de feminicídios. A cena é bastante aterrorizante, porque quando você vai no local do crime, você faz todo um relatório de local de crime, então nós temos fotografias, temos as oitivas, agora nós começamos a ouvir as testemunhas", disse a delegada. 

As primeiras testemunhas que chegaram ao local chamaram a polícia e, em sequência, a menina foi levada a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). 

Ainda não foi esclarecido exatamente, mas os relatos são de que ela teria saído da casa, não se sabe como, e que então as pessoas teriam visto a situação dela e prestaram socorro. 

Vizinhança 

A investigação ainda não conseguiu definir uma linha do tempo do crime, em função da falta de informações.

O suspeito deu depoimento, mas escolheu ficar em silêncio. Já a família da vítima afirma que o relacionamento é antigo, mas não sabe estimar quanto tempo ela esteve em cárcere. 

Com relação à vizinhança, de um lado, havia uma casa vazia, do outro, morava um homem que diz não ter ouvido nada. Nenhum vizinho mais distante diz ter ouvido algo.

Sobre isso, a delegada explica que levanta-se a possibilidade de a vítima estar dopada durante as agressões, ou que talvez ninguém tenha ouvido mesmo, considerando ser um condomínio de kitinetes, em que a maioria das pessoas trabalha o dia inteiro. 

Segundo o dono do imóvel, o rapaz alugou a casa há cerca de três semanas, para morar sozinho, mas que sabiam que, eventualmente, a adolescente estava por lá. 

O homem está preso desde esta quinta-feira (19), por meio de medida protetiva. 

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