Dezenas de árvores caídas, pelo menos uma casa destelhada e diversas ruas alagadas, esse foi o resultado da chuva de ontem em Campo Grande, que teve volume acumulado de 46,6 milímetros e veio acompanhada de ventos fortes, que chegaram a 52 km/h em algumas regiões da cidade.
De acordo com o meteorologista Natálio Abrahão, do Centro Meteorológico da Uniderp, a chuva que ocorreu por volta das 11h de ontem teve volume acumulado de 46,6 mm no Jardim Panamá e no Bairro Lar do Trabalhador. Na mesma região, os ventos chegaram a 52 km/h. A situação ocasionou alagamentos em diversas ruas.
Já na região da Vila Santa Luzia e no Bairro Amambaí, ovolume de precipitação foi um pouco menor, 38,4 mm, com ventos de até 50 km/h. O menor volume acumulado foi registrado na região da Vila Progresso, onde choveu apenas 15,6 mm.
A chuva acompanhada de vento forte derrubou diversas árvores, segundo a Defesa Civil municipal, que atendeu 20 chamados de queda de árvore em via urbana.
Um dos incidentes ocorreu no estacionamento do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, onde duas árvores de grande porte caíram em cima de sete veículos. No local, dois caminhões do Corpo de Bombeiros fizeram o atendimento, com equipamentos para retirar as árvores de cima dos veículos.
Preocupada com o retorno para casa, a professora de Português Marta Jane, de 55 anos, que mora em Rio Verde do Mato Grosso, foi uma das vítimas. Ela chegou a Campo Grande por volta das 11h, veio trazer o irmão para consulta médica e não sabia como voltar para casa.
“Faz 60 dias que meu irmão fez cirurgia do coração e ele nem sabe o que aconteceu. Acabei de ligar para minha família contando o ocorrido, e eles estão a caminho de Campo Grande para ver como vamos voltar para casa”, relatou a professora na tarde de ontem.
Outra vítima foi Doralice Bejarano, de 70 anos. Assustada com os estragos, lamentou ter perdido o carro, mas ficou feliz por estar viva. A árvore caiu em cima de seu veículo, um Corsa, e um dos galhos pequenos quebrou o vidro e sua ponta ficou sobre o banco do motorista.
“Isso foi questão de segundos. Eu vim com uma amiga para uma missa e começou a chover fraquinho. Estávamos preocupadas com o horário da missa, saímos correndo do carro. Se a chuva tivesse apertado, não teria saído do veículo e não sei o que seria de mim”, relatou.
No Bairro Aero Rancho ocorreram diversos estragos, e a equipe de reportagem flagrou outras cinco árvores caídas no quadrilátero onde fica o Hospital Regional.
Já na Avenida Engenheiro Luthero Lopes, também no Aero Racho, uma árvore caiu sobre a fiação de energia e derrubou um poste.
Muitas residências na região ficaram sem energia e sem internet por conta desses estragos, mas, durante a tarde, equipes da Energisa, concessionária de energia elétrica, e de empresas de internet foram até a região para trabalhar no restabelecimento dos serviços.
Os ventos foram tão fortes na região que chegaram a destelhar uma casa na Travessa Ricky Nelson.
CHUVA
Apesar de ter chovido bastante, Campo Grande ainda tem um volume acumulado de precipitação abaixo do esperado para o mês de novembro.
De acordo com a meteorologista Andrea Ramos, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o esperado era que neste mês chovesse 206,5 mm, porém, até sábado o acumulado registrado era de 72,8 mm. Com a chuva de ontem, com volume de 46,6 mm, o total para o mês até agora seria de 119,4 mm.
Há previsão de que a chuva continue nos próximos dias, com indicativo de tempestade para esta quinta-feira, com a chegada de uma frente fria que avança da Região Sul do País.
Conforme Andrea Ramos, até quinta-feira, Campo Grande deve registrar máxima 33°C e mínima de 22°C, porém, a partir de sexta-feira, poderá haver queda de temperatura com a chegada da frente fria.
“Nós tivemos pouca chuva neste mês muito por conta da atuação da onda de calor, que durou de 8 a 19 de novembro. Essa massa de ar seco e quente inibiu a formação de nuvens de chuva, e, por isso, tivemos essa irregularidade de precipitação, também por conta da atuação do El Niño, que eleva as temperaturas no centro do País”, afirmou a meteorologista.
“O mês deve terminar já com características do verão, que começa em dezembro, com altas temperaturas e muita chuva”, completou Andrea Ramos.
Conforme a meteorologista do Inmet, a previsão indica que em dezembro o verão deve ser ainda mais quente este ano, com temperaturas acima da média histórica, assim como as chuvas, que também devem ter volume acumulado superior à média na Capital.