Cidades

PARQUE DOS PODERES

Acordo vai além de lei e aumenta área de preservação

Impasse dividiu ambientalistas e órgãos públicos, interessados em realizar novas construções no Parque dos Poderes; acordo visa a conciliação das partes

Ketlen Gomes

19/01/2024 - 09h30

Meses após impasse a respeito da preservação do Parque dos Poderes, a juíza de Direito em substituição legal Elisabeth Rosa Baisch homologou acordo assinado por representantes do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), do governo do Estado e do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), que tem como um dos objetivos aumentar a área de preservação do complexo. 

O texto autoriza o governo do Estado, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) e a Defensoria Pública do Estado a realizarem novas construções no local e também cria o chamado cinturão verde, que é o cercamento do complexo por mata nativa, que mantém o parque sem conexão direta com alguns bairros vizinhos. 

Na homologação, está prevista a proibição da permissão de novas áreas de supressão arbórea, ainda que estejam previstas por lei, salvo o que está autorizado no acordo. Também haverá a proteção de 11 hectares a mais de mata nativa do que estava previsto na Lei n° 5.237/2018, que ainda está vigente. 

Haverá, ainda, “a obrigação de compensar eventual desmatamento nas áreas permitidas, preferencialmente dentro do Complexo dos Poderes”, a obrigatoriedade de audiências públicas e também uma previsão de cláusula penal para o caso de descumprimento dessas obrigações. 

IMPASSE 

A homologação do acordo foi publicada nesta semana, mas o impasse a respeito do Parque dos Poderes é antigo. Em 2019, o advogado Ricardo Pereira dos Santos ajuizou uma ação popular pedindo antecipação de tutela provisória de urgência para suspender o processo administrativo n° 03556/2018, do Imasul, que visava a autorização do desmatamento de 3,31 hectares de Cerrado na área do complexo. 

Entretanto, a tutela não foi concedida, e foi a vez do MPMS entrar com tutela cautelar antecedente, com fundamentação vinculada à ação popular, mas com novos laudos que apontavam os impactos ambientais das intervenções no parque. 

Porém, no texto da homologação do acordo, a juíza esclarece que o ponto que motivou a propositura da ação civil pelo MPMS foi o equívoco quanto aos projetos das construções significarem o desmatamento de algo em torno de 28 hectares, quando posterior exame do Núcleo de Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto (Nugeo) demonstrou que nem todas as áreas previstas no anexo estavam intactas, e que em algumas já havia antropização. 

A respeito das ações civis públicas que foram emitidas para tentar barrar as construções, com a alegação de que há prédios abandonados no centro da cidade e de que o acordo não era claro, a juíza pontua que “é um erro pensar que o acordo permite o desmatamento, quando, na verdade, é a lei estadual que o permite”. 
Além disso, também pontua que a iniciativa “salva” efetivamente 11,05 hectares de vegetação nativa, que poderiam ser suprimidos de acordo com a atual lei. 

“A única vitória no Tribunal de Justiça até agora conseguida proibiu apenas o desmatamento de 3,31 hectares, com indeferimento da proibição para outras áreas. Enquanto isso, o acordo avança na blindagem de quase oito hectares a mais”, alega a juíza, na homologação. 

O TJMS possui dois locais disponíveis para intervenções, nos quais seria construído um novo prédio para o tribunal. 

A Defensoria Pública também teria um novo espaço físico, e o governo do Estado faria ampliações no Palácio do Governo e em oito estacionamentos.

Um dos signatários do acordo, o procurador-geral de Justiça, Alexandre Magno Benites de Lacerda, frisa que a iniciativa é importante porque prevê a criação do cinturão verde, de corredores de passagem para a fauna, e ainda protege as características do Parque dos Poderes. 

O acordo sancionado obriga a criação de uma nova lei, a ser elaborada pelo governo do Estado para substituir a atual, n° 5.237/2018, que prevê a proteção de 164,61 hectares de mata nativa do Parque dos Poderes, enquanto, com o acordo, a área preservada vai passar para 175,66 hectares. 

SAIBA

A inclusão do cinturão verde abrange as áreas reservadas à Procuradoria-Geral do Estado, ao Batalhão de Choque e duas áreas destinadas a pretensões futuras do Executivo.

Nova Mobilidade

Prefeitura vai usar carros de aplicativo para transportar servidores em Campo Grande

Contrato com o Banco do Brasil prevê corridas por aplicativo e táxi para viagens de trabalho; município estima economia de até 30% com manutenção da frota e combustível

05/11/2026 17h46

Prefeitura de Campo Grande vai adotar corridas por aplicativo e táxi para transportar servidores durante o expediente, com previsão de economia de 30% nos gastos com frota e combustível.

Prefeitura de Campo Grande vai adotar corridas por aplicativo e táxi para transportar servidores durante o expediente, com previsão de economia de 30% nos gastos com frota e combustível. Foto: Divulgação Prefeitura de Campo Grande

Continue Lendo...

Educação

Rede Estadual amplia vagas em 10% para 2027 em MS

Prazo começa na segunda-feira (9) e segue até 6 de janeiro; número é 20 mil superior às 200 mil vagas disponibilizadas para o ano letivo de 2026

05/11/2026 17h19

Rede Estadual amplia vagas em 10% para 2027 em MS

Rede Estadual amplia vagas em 10% para 2027 em MS Paulo Ribas

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).