Cidades

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Desembargador revê decisão e manda prefeitura reajustar a tarifa do ônibus

Magistrado restabeleceu decisão que ele havia derrubado no dia 11 de dezembro do ano passado. Empresários querem que a tarifa suba de R$ 4,65 para R$ 7,79

Exatos 45 dias depois de uma primeira decisão, o desembargador Eduardo Machado Rocha, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, reviu sua decisão inicial e restabeleceu a sentença da juíza de primeira instância que determina que a prefeitura de Campo Grande reajuste a passagem de ônibus e faça uma revisão extraordinária do contrato. 

Em sua decisão, o desembargador explica que novos fotos apresentados pelo consórcio Guaicurus levaram-no a mudar de ideia e por isso derrubou a própria decisão. A Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (AGEREG) pode até recorrer, mas esse recurso terá de ser apresentado nos tribunais de Brasília. 

“Após uma melhor análise das questões trazidas em recurso, inclusive com audiência realizada nesta Corte em 19/12/2023, não tenho dúvidas em exercer juízo de retratação, para restabelecer a decisão proferida em primeiro grau”, escreveu Eduardo Machado Rocha na decisão assinada nesta quarta-feira (24)

Na decisão inicial, proferida pela juíza Cíntia Xavier Letteriello em 30 de setembro do ano passado, ela havia concedido 15 dias para que a prefeitura definisse o reajuste e também determinou que esse aumento ocorresse sempre em outubro, conforme prevê o contrato assinado no final de 2012.

A prefeitura, porém, recorreu alegando que não poderia conceder dois reajustes no mesmo ano, já que a tarifa havia sido corrigida em março do ano passado e a administração municipal alegava que  poderia haver nova correção em março de 2024. 

A Agereg até chegou a divulgar que a tarifa técnica, aquela que seria a ideal para que o consórcio operasse no azul, teria de ser elevada em 15 centavos, passando de R$ 5,80 para R$ 5,95. Porém, essa possível correção seria aplicada somente a partir de março. 

E por conta deste represamento do reajuste, o consórcio alega que está sofrendo prejuízo mensal de quase meio milhão de reais.

“O município fez um reajuste bem abaixo do esperado, aliás, do necessário, concernente a apenas R$ 0,15, que sequer foi implementado até o momento, causando um prejuízo, a cada dia atraso na sua implementação, de aproximadamente R$ 15.750,00, alcançando R$ 472.500,00 mensal”, conforme texto anexado na decisão do desembargador. 

Além disso, o desembargador também derrubou a própria decisão por entender que era pertinente o argumento de que os motoristas poderiam entrar em greve caso não ocorresse o aumento. 

Sobre essa possibilidade, o consórcio afirmou que "o risco de greve só existe porque o poder público não implementa o reajuste da tarifa que estava prevista para outubro de 2023; aplica um valor de reajuste (R$ 5,95) muito inferior àquele que ela própria confessou ser necessário para a manutenção saudável do transporte público (R$ 7,79);  e se nega a efetuar a revisão do contrato sugerido pela própria agravada no TAG firmado perante o Tribunal de Contas Estadual”. 

Os empresários alegam que o valor de R$ 7,79 seria o ideal para que pudessem operar. Porém, a tarifa atual está em R$ 4,65, uma diferença de R$ 3,14. Parte desse déficit é coberto pela isenção de ISS que a prefeitura concede ao consórcio, que chega a cerca de R$ 12 milhões por anos. Além disso, a prefeitura e o governo estadual repassam outros R$ 22 milhões anuais para bancar o transporte dos estudantes das redes públicas. 

Até a publicação desta reportagem a prefeitura e a Agereg não haviam se manifestado se vão recorrer da decisão ou se vão ou quando vão aplicar o reajuste. 

 


 

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