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Administradora da BR-163 pretende acabar com dinheiro vivo nos pedágios até 2026

Cobertura 5G nas estradas irá possibilitar operações digitais

Alanis Netto

08/02/2024 - 17h56

Durante um evento, na última quarta-feira (7), Miguel Setas, CEO da CCR, grupo de infraestrutura que opera concessões rodoviárias no Brasil e que admnistra a BR-163, afirmou que a empresa pretende eliminar o pagamento em dinheiro vivo dos pedágios até 2026.

A medida será possível após a revolução tecnológica que deve acontecer nos próximos anos, com coberturas 5G nas estradas e a facilidade de ter mais operações digitais.

"Nós temos o objetivo de chegar a 2026 sem nenhum dinheiro nas nossas pedágios, de ter apenas cobrança com meios digitais, free flow e as outras ferramentas digitais", afirmou.

Nesse modelo, a cobrança é feita pela leitura automática de placas ou tags, sem que os motoristas precisem parar em cabines. A tecnologia abre caminho para que a cobrança seja feita por distância percorrida por cada veículo.

De acordo com Setas, o nível de inadimplência hoje na rodovia está na casa dos 11%.

"Já foi bem mais alto, mas os benchmarks internacionais mostram que nós devemos nos situar entre 5% ou 8% de inadimplência, que ainda assim é bem mais alto do que uma rodovia que tem os pedágios tradicionais."

O executivo participou de painel sobre concessões de infraestrutura, ao lado do ministro dos Transportes, Renan Filho.

Também estava no evento o CEO da Ecorodovias, Marcello Guidotti, que disse que 80% da receita da companhia hoje já é obtida de forma eletrônica, sendo 70% com cobrança em tags e 10% em cartões.

Segundo ele, essa dinâmica vai transformar o sistema de rodovias, inclusive porque hoje os contratos já colocam obrigações nesse sentido desde o começo.

CCR-MSVia

Em Mato Grosso do Sul, a CCR administra 845 km desde 2014, e apesar de a concessão ter 30 anos de duração, a empresa não conseguiu cumprir os encargos estabelecidos no contrato e, há cinco anos, chegou a pedir a devolução amigável do trecho.

 

 

Quando assumiu a rodovia, a previsão era de que toda a estrada fosse duplicada em dez anos. Depois de 2016, porém, os créditos que o governo federal se comprometeu a liberar via Caixa Econômica Federal e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não foram liberados, a concessionária reduziu os investimentos, e não cumpriu as metas estabelecidas em contrato.

No segundo semestre de 2023, a continuidade da concessão da CCR e as exigências para a BR-163 foram tema de uma série de debates, audiências públicas e reuniões com o Ministério dos Transportes. Por fim, foi decidido que um novo contrato seria assinado em abril de 2024.

A previsão é maior do que a esperada pelo governo do Estado, que acreditava que ainda em 2023 atualização do acordo seria assinada e que os investimentos já começariam a ser utilizados em janeiro de 2024.

A demora se deve à falta de aprovação do Tribunal de Contas da União, já que o ministro da Corte de Contas ainda não deu seguimento.

Assim que aprovado, serão iniciadas as discussões técnicas, para enfim realizarem a assinatura do termo aditivo.

O novo contrato prevê R$ 12 bilhões de investimentos na rodovia federal que corta Mato Grosso do Sul de norte a sul, saindo de Sonora, na divisa com Mato Grosso, até Mundo Novo, na fronteira com o Paraná.

Esse recursos será investido ao longo de 35 anos de contrato. A CCR MSVia teria mais 20 anos com a BR-163, porém, com esse novo acordo, o prazo será estendido por mais 15 anos.

Nos primeiros três anos contratuais, haverá investimento de boa parte do total de recursos destinados. De acordo com Santoro, serão R$ 2,5 bilhões investidos nesse período.

A concessionária está à frente da rodovia desde 2014 e, desde então, já duplicou 150 km dos 845 km totais de concessão. O valor era o mínimo exigido para que a CCR iniciasse a cobrança de pedágio na BR-163.

Agora com esse novo contrato, a empresa promete a duplicação de mais 190 km e mais 170 km de terceira faixa. Os trechos que receberão essas obras ainda não foram todos divulgados, porém, o governo do Estado já informou que um deles deve ser entre Nova Alvorada do Sul e Campo Grande, onde há apenas cerca de 6,7 km duplicados dos 117 km de distância. A promessa é que todo esse trecho ganha mais faixas.

Colaborou: Daiany Albuquerque

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