Desde o dia 1º de fevereiro, apesar da Piracema, a pesca amadora na modalidade “pesque e solte” está liberada nos rios Paraguai e Paraná e, para estimular o turismo na região do Passo do Lontra, agora empresários pedem que a medida seja estendida também para o ponto onde as águas dos rios Miranda e Aquidauana se juntam.
Rogério Iehle administra um hotel e um pesqueiro no Passo do Lontra, ele conta que neste ano a população local ainda não enfrentou a enchente esperada.
"2023 a gente teve uma enchente até boa, mas por enquanto o negócio tá quieto, muito quieto. Você não tá vendo o movimento de peixe... o rio pega um aguinha, sobe e baixa", revela Rogério.
Pelo decreto nº 15166 DE 21/02/2019, as calhas dos rios Paraguai e Paraná ficam liberadas para o "pesque e solte", sendo que o texto ainda especifica o período de Piracema a ser executado em Mato Grosso do Sul entre os dias 5 de novembro a 28 de fevereiro.
Ainda, sobre o "pesque e solte" liberado nas calhas dos dois citados rios, o Governo do Estado esclarece que de modo algum a modalidade pode ser praticada na foz de seus afluentes, sendo necessário inclusive Autorização Ambiental para Pesca Amadora que pode ser providenciado no Sistema Siriema CLICANDO AQUI.
Assim, Rogério salienta a necessidade e desejo de que a mesma modalidade tenha início também na mesma época para a região do Passo do Lontra, "pelo menos do Morro do Azeite para baixo", indica ele.
Conforme o empresário, essa abertura da pesca em 1º de fevereiro serviria como fomento para o ramo de turismo dos hotéis da região do Passo do Lontra.
Rogério ainda frisa saber que tal medida depende principalmente de votação em plenário e do que chama de "pessoas influentes para entrar e fazer esse pedido", porém afirma que em conjunto os locais devem buscar providenciar tal ação.
Chuva para o turismo
Na região do Pantanal, seja pelo nível dos rios ou no combate às recorrentes queimadas, a falta de chuva preocupa principalmente pelo local ser característico pelo turismo da pesca, como o Rio Miranda, por exemplo, sendo conhecido como um dos mais "piscosos", ou seja, com maior quantidade de peixes na região.
Rogério indica que na região a água não saiu da calha do rio, ou seja, não houve aumento no nível do Rio Miranda, com a esperança de que chuvas futuras.
"Geralmente 30% do nosso público diminui, sim, porque eu digo que essa parcela do nosso público ainda não está adaptado com o pesque e solte, de vir sem fazer questão de levar peixe, se pegar pegou, se não pegar também, de que o negócio é estar na beira do rio para se divertir, para se distrair, esfriar a cabeça", comenta ele sobre o comportamento turístico local.
Conforme o empresário, se implantado o pesque e solte nessa região do Rio Miranda junto das demais calhas, isso ajudaria na adequação do comportamento desse turista, podendo essa modalidade, inclusive, tornar-se o carro-chefe no Pantanal.
"Também para ajudar na preservação em cima dessa lei do Pantanal que tá tendo aí, o turismo do pesque e solte para nós seria interessante... só que a gente precisa de uma adaptação que não existe, o governo quer fazer direto pegando e empurrando goela abaixo", complementa.
Vale lembrar também que, desde o fim de janeiro, a região pantaneira vem sendo duramente castigada pelas chamas, fogo esse considerado atípico para essa época do ano, sendo que até a segunda semana de fevereiro a área queimada já ultrapassava 4 mil hectares.
Sem as devidas precipitações para dar um refresco, o foco iniciado em 27 de janeiro passou a ser controlado dois dias depois e, em 1º de fevereiro, o Grupamento de Operações Aéreas (GOA) precisou fazer o papel da chuva, usando aeronave ‘air tractor’ para lançar água onde os bombeiros, em solo, não conseguiam acessar.
Importante ressaltar que, além da exceção citada, a pesca segue fechada em todos os rios de Mato Grosso do Sul, podendo levar os infratores à prisão, com pena de um a três anos de detenção. Demais crimes e infrações ambientais preveem também penas que podem chegar a R$ 50 milhões.
Além disso, há multa em valor que varia de R$ 700 a R$ 100 mil, mais de R$ 20 por quilograma do pescado irregular, e a legislação esclarece que itens de pesca; motor de popa; veículos e barcos também podem ser apreendidos.