De olho no objetivo da Arábia Saudita em transformar sua matriz energética e aumentar a descarbonização de sua economia até 2030, o vice-presidente da Raízen, Paulo Neves, ofereceu a empresários sauditas parcerias na produção de etanol, biodiesel renovável e biogás.
Em 2021, a Raízen adquiriu três usinas da Biosev em Mato Grosso do Sul, localizadas em Rio Brilhante e Maracaju e Caarapó. Atualmente a empresa possui 149 mil hectares de cana plantados no Estado, com produção de 508 mil toneladas de açúcar, 398 mil litros de etanol por safra e o maior polo em capacidade de produção. A moagem em 2023 chegou a cerca de 10 milhões de toneladas. As plantas geram 4,3 mil emprego
Além da Raízen, a Atvos, outro grupo que tem três usinas em Mato Grosso do Sul, também já firmou parecerias com países árabes prevendo investimento de US$ 500 milhões nas unidades de Nova Alvorada do Sul, Rio Brilhante e Costa Rica.
"Já oferecemos soluções para descarbonização da indústria de transporte e de energia em mais de 50 países", destacou o executivo, em palestra a empresários dos dois países na "Brazil Saudi Arabia Conference", realizada pelo Lide na sede da Federação das Câmaras de Comércio Saudita, em Riad.
Neves lembrou que o Brasil é autossuficiente na produção de petróleo, mas ainda depende da importação de derivados, chegando a 20% da necessidade anual de diesel. "Isso demonstra a complementaridade entre nossos países. O Brasil e a Arábia Saudita têm muitas oportunidades para explorar o setor de energia no comércio bilateral", completou.
O ex-presidente da Eletrobras Wilson Ferreira Junior destacou que o Brasil é o segundo maior produtor de etanol do mundo e tem uma indústria crescente de outros biocombustíveis, como o biodiesel e o Combustível Sustentável de Aviação (SAF).
O executivo também detalhou a capacidade brasileira de produzir hidrogênio verde com o uso de eletricidade proveniente de fontes renováveis. "Atualmente, 86% da capacidade instalada do Brasil para produção de eletricidade é renovável, sendo que as fontes eólica e solar já respondem hoje por 25% da produção nacional. A possibilidade de o Brasil crescer nesta área e oferecer energia para o mundo é enorme", completou.