Valéria Garcia Gabas é Superintendente Regional do Grupo Plaenge.
É engenheira civil, formada pela UFMS há 31 anos, sendo que destes, 20 são de atuação no Grupo Plaenge. Tem MBA pela Fundação Dom Cabral e pela Northwestern University, já gerenciou a marca Vanguard e em 2019 assumiu a gerência regional da Plaenge em Campo Grande. A Plaenge é a maior construtora de capital fechado do Brasil.
Com o propósito de ser cada vez mais sustentável, a Plaenge, incorporadora que atua em Campo Grande há 35 anos, recebeu recentemente a certificação EDGE, selo criado pela International Finance Corporation (IFC) por meio do “Programa de Transformação de Mercado para as Construções Sustentáveis”. A busca da incorporadora por projetos mais sustentáveis já gera efeito na prática, com redução significativa no consumo de água e energia em seus projetos.
Para além disso, a empresa tem atuado em outros pilares em seu comprometimento com a sociedade local, explica a superintendente regional do Grupo Plaenge, Valéria Gabas. “Neste projeto do Momentum, conseguimos reduzir em 20,3% o consumo de água, em 31,8% o consumo de energia, e a energia incorporada aos materiais em 23%”, afirmou Valéria sobre o Momentum, o primeiro edifício a conseguir a certificação, projeto que está localizado em frente ao Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande.
Recentemente a Plaenge recebeu um selo de excelência ambiental, o EDGE, gostaria que explicasse como funciona esta certificação?
O selo EDGE é uma certificação para os edifícios considerados verdes. Esse é o objetivo principal. Sobretudo, consiste em excelência no designe e em eficiência nos projetos. Para os projetistas, o selo é um direcionamentos sobre como nós podemos projetar edifícios mais eficientes. E é muito importante que este trabalho tenha sido reconhecido e foi certificado, para nós isso é um marco.
E como essa certificação se dá na prática, em economia de materiais, em preservação do meio ambiente?
Hoje temos muitas certificações no mercado e, há uns anos, em 2013, tivemos o IFC, que é um órgão do Banco Mundial, que decidiu que deveria ter algo que falicitasse para os projetistas, construtoras, para que eles desenvolvessem projetos mais eficientes. E também passamos a trabalhar a partir desta diretriz. E essa forma de trabalho consiste em uma mudança na forma de utilizar os materiais e aplicá-la na construção civil, e no impacto causado no clima. O mais importante é reduzirmos o consumo de energia, o consumo de água, e atingir estas reduções não é algo simples. Para atingir estas metas temos de mudar nosso comportamento no dia a dia.
Então funciona assim: os projetos que conseguem ter uma redução de pelo menos 20% no consumo de água e energia, e também nos materiais, sobretudo na energia incorporada nos materiais, eles podem obter a certificação EDGE. Trata-se de uma mandeira que direciona e ajuda projetistas e o mercado da construção civil a construir e projetar e trazer mais eficiência para toda a cadeia.
Ouça no Spotify caso preferir:
Valéria, e qual é o empreendimento do Grupo Plaenge que conseguiu a certificação EDGE?
Nós recebemos o certificado no Projeto Momentum. E este projeto já havia recebido uma premiação em design, então a gente já parte de uma primeira referência. Este projeto do momento e a certificação EDGE comprova nossa eficiência nos processos. Este projeto Momentum foi todo direcionado para ser desenvolvido de forma diferenciada. Neste projeto do Momentum, conseguimos reduzir em 20,3% o consumo de água, em 31,8% o consumo de energia, e a energia incorporada aos materiais em 23%.
O certificado EDGE tem duas etapas. A primeira etapa é uma etapa de projetos. Agora, nós estamos construindo o empreendimento e ao final, ele também será vistoriado, auditado, e será verificado se tudo o que estava previsto no projeto está, de fato, na obra. É um passo importante.
É realmente impressionante toda essa economia de materiais e de energia. A Plaenge é pioneira nestes processos? Ela tem inspirado outras incorporadoras?
A Plaenge tem esse propósito da sustentabilidade, da inovação e da eficiência em na sua essência. Estamos constantemente olhando para o que há de novo e buscando eficiência em tudo, e nos pautamos muito nisso, garantindo confiança e credibilidade do nosso cliente naquilo que a gente constrói. Então, tudo que a gente faz, a gente faz bem feito. Ao longo dos 35 anos da Plaenge estamos cada vez mais fomentando estes princípios, porque nossas obras carregam toda essa responsabilidade. Temos uma forma de fazer muito cuidadosa, e cada vez mais, estamos aprimorando isso. Por isso acredito que essa preocupação ambiental sempre existiu.
Temos, por exemplo, um projeto ambiental, chamado de Projeto Raízes, que no fim da década passada consolidamos nossas ações quando completamos 30 anos na cidade. Hoje já temos 35 anos aqui. Por isso sempre apoiamos construções cada vez mais sustentáveis, e também sabemos que o nosso trabalho contribui para o desenvolvimento sustentável da cidade também. É assim que a gente enxerga.
Para além do impacto ambiental, qual o impacto social dos empreendimentos da Plaenge hoje em Campo Grande?
Quando olhamos para a sustentabilidade, olhamos para todos os pilares. Temos, claro, a questão ambiental, que é muito importante, mas também temos as questões social, econômica e cultural. Acredito que, quando temos a atuação local no nível que temos, demonstramos ter um forte compromisso com Campo Grande. Por isso temos esse olhar para todos os pilares.
E na questão social, a gente vê que a construção civil como um todo, gera muitos empregos, gera renda para a cidade, e também atrai muitos outros investimentos. É um suporte para a cidade crescer, e Campo Grande é uma cidade que vem se desenvolvimento muito. A cidade tem necessidade de habitação, de moradia, e temos de ter uma construção civil forte para poder dar respaldo para esse crescimento. Pessoas e famílias crescem, e elas precisam morar.
Mas a construção civil também é uma grande geradora de renda para a sociedade como um todo, e isso é muito importante. E a gente olha para este contexto com uma visão progressista, gerando emprego, gerando renda, podendo cuidar das nossas comunidades. Esse é todo um arcabouço, um efeito positivo que a construção civil provoca no mercado.
Uma dúvida: um empreendimento do tamanho do Momentum, emprega quantas pessoas? Qual o impacto da Plaenge na economia local?
Olha, na verdade a gente tem um número, um edifício em construção, e quando a gente vê a obra, a gente só imagina quem está trabalhando dentro do canteiro, mas é muito mais que isso, porque desde o momento que a gente compra um terreno nós já estamos empregando. E estes profissionais que a gente emprega desde o início são profissionais muito especializados.
Então, por exemplo, quando começamos a trabalhar em um projeto, em um edifício como o Momentum, temos de contratar parceiros especializados. E quem desenvolve um projeto como o Momentum? Em torno de 30 escritórios de arquitetura e engenharia. É muita coisa, é muita gente. E depois deste projeto aprovado, ele se transforma em um projeto aprovado que vai ser uma obra, e então temos 150 trabalhadores dentro de um canteiro. E hoje temos um sistema logístico muito padronizado, com muitos engenheiros (civis e de produção, arquitetos, trabalhando dentro de um canteiro. Então, não é só mão de obra de produção. É como se fosse uma indústria automobilística construída na vertical.
Então, se pegarmos o Momentum hoje, devemos ter em torno de 150 pessoas alocadas e, além de tudo isso, o Grupo Plaenge tem em suas obras, entre entre colaboradores diretos e funcionários das empresas especializadas parceiras, algo em torno de 1,100 mil pessoas trabalhando. Se somarmos todos os parceiros, temos 3 mil nesta cadeia.
Você conta os setores de venda e financeiros nestes números?
Não, aí é outra conta, e certamente aumenta para muito mais gente envolvida. É uma cadeia produtiva bastante extensa, da qual muita gente trabalha.
Em se tratando de tendências, como a inteligência artificial tem chegado à construção civil? Ela já está no desenvolvimento dos projetos da Plaenge?
Sim. Hoje temos todos os nossos prédios desenvolvidos na plataforma BIM, que desenvolve o projeto em três dimensões. Antes, fazíamos em duas dimensões, e só começávamos a enxergar como seria a construção quando a obra começava. Hoje temos o BIM, que é em 3D, então temos condições de verificar possíveis interferências poderiam ocorrer na obra, enquanto o projeto é desenvolvido. Quando eu antecipo isso, evito o desperdício de material e também de tempo. Imagine só: construir uma parede e depois vem uma tubulação que eu não tinha visto, e depois eu tenho de quebrar e refazer.
Isso para o meio ambiente também ajuda muito, pois se economia tempo de exeução, materiais, reduzimos desperdício. Mas também ajuda a equipe que vai construir, porque ela já vê antecipadamente o projeto pronto e já se antecipa quanto a eventuais problemas. E ainda temos toda a informação dos projetos que alimentam nosso banco de dados, que contribuem para os próximos projetos. Esse caminho de usar a inteligência artificial para se projetar é o caminho da inovação.
E se alguém quiser conhecer os processos da Plaenge de perto, como podem fazer?
Temos alguns programas na empresa em que recebemos, por exemplo, os alunos das universidades. Recemos estagiários, estudantes, para que elas conheçam os projetos, desde os projetos até um apartamento decorado, que mostramos para o cliente. O estudante consegue olhar lá o apartamento, e depois visita a obra para entender como aquilo tudo está sendo construído. Temos essa relação proativa com a comunidade, porque a gente entende que somos um player importante até para o desenvolvimento da mão de obra e do mercado de trabalho.
Ainda falando em tendência de mercados, como a Plaenge está lidando com algumas tendências, como a eletrificação dos carros, por exemplo?
Temos projetos em que a gente já prevê a mudança de tecnologia para carros elétricos e tudo mais. A gente faz a previsão de que, quando tiver um número de moradores precisando dos carregadores e já utilizando o carro elétrico, que o empreendimento possa ser adaptado.
Então, conforme o projeto temos estações de carregamento que atendem moradores e visitantes, e também carregadores exclusivos para o morador diretamente na garagem, tudo depende da tipologia do projeto. Pensamos em tudo isso com antecedência.
Uma mensagem final para o público
Essa troca é muito importante. É muito boa esta oportunidade de mostrarmos como a indústria da construção civil está se preparando e vem inovando. É um trabalho de longo prazo que estamos desempenhando. E vejo Campo Grande como uma cidade muito pro-ativa nas questões ambientais, e nosso Estado também, tem sinalizado muitas ações.
Nós, como empresa, temos um papel fazendo isso juntos, alinhados com a cidade, com o crescimento e desenvolvimento do Estado, e com essa visão do desenvolvimento sustentável. Temos um futuro muito bom.
ASSINE O CORREIO DO ESTADO