Promessa feita dentro do pacote de investimentos na educação, anunciado no ano passado, de entrega e instalação de ares-condicionados para Escolas da Rede Municipal de Ensino (REME) vão acontecer no inverno, após as ondas de calor com temperaturas elevadas em Campo Grande.
Devido ao clima intenso, alunos sofrem no dia-a-dia com o tempo quente dentro das salas de aula, enquanto as Secretarias de Educação do Estado e Município buscam soluções para evitar o mal estar dos estudantes devido ao calor.
Mesmo com estas situações do calor afetando as atividades escolares, o que é recorrente nas escolas, segundo o professor e presidente do Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública (ACP), Gilvano Bronzoni, as Secretarias de Educação nunca tiveram uma política de promover a climatização das unidades.
“Não existe política de Estado e nem do município de Campo Grande sobre climatização das escolas. As escolas que têm ar-condicionado na rede municipal adquiriram por meio do trabalho da própria comunidade escolar”, disse Gilvano.
De acordo com o professor, caso a prefeitura efetue a entrega dos ares-condicionados para a rede municipal, será a primeira vez que Campo Grande “desenvolve uma política de climatização do ambiente escolar”.
Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Educação (SEMED), que dentro do projeto de 2024 do pacote de melhorias na infraestrutura das escolas, informou que as salas de aulas terão o equipamento do ar-condicionado para climatização do ambiente, informou que o uso dos aparelhos depende também da instalação e funcinamento da energia fotovoltaica [solar] nas escolas.
“A Secretaria Municipal de Educação [SEMED] informa que dentro do projeto de 2024, as unidades escolares da REME estão recebendo energia fotovoltaica, sendo que algumas já estão em pleno funcionamento, para que assim, possam receber os aparelhos de ar-condicionado. A Prefeitura de Campo Grande vai comprar 4 mil aparelhos de condicionadores de ar”, informou em Nota.
Questionada sobre orientações com relação as altas temperaturas no ambiente escolar.
“A Semed ressalta ainda que neste período de temperaturas elevadas, os professores orientam os alunos quanto à hidratação constante. E o cardápio é priorizado para sucos, frutas, saladas e alimentos refrescantes. A orientação para as unidades é que mantenham portas e janelas abertas para uma melhor ventilação”, acrescentou a SEMED.
ESCOLAS ESTADUAIS
Em entrevista para o Correio do Estado, o Secretário Hélio Queiroz Daher, da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul (SED), confirmou que os alunos vem sofrendo com o aumento das temperaturas no Estado, que deixam a sensação térmica elevada dentro das salas de aula.
“Vem tendo muita reclamação, o calor está acima da média, e trabalhamos para mitigar com dois eixos de atuação, primeiro de instrução, a gente fala para as escolas diminuírem as atividades físicas, incentivar mais a hidratação, trabalhar com atividades que exigem menos exposição ao sol, e ao calor. A outra parte é a infraestrutura, com relação aos ares-condicionados, climatizador. A secretaria vem fazendo a aquisição de climatizadores e ventiladores para encaminhar para as escolas”, declarou.
Na sua fala, o secretário citou exemplos de como a temperatura afeta diretamente no ambiente escolar.
“Mesmo com as ações o calor é extremo. Em alguns casos, tivemos que suspender a aula atarde, caso que aconteceu em uma escola em Corumbá, ficando dois ou três dias sem aula em um período”, acrescentou.
A SED acompanha os casos de influência do calor nas atividades escolares através do núcleo de prevenção a acidentes, com o auxílio dos bombeiros, que orientam e monitoram as escolas sobre os procedimentos a serem tomados.
Em março, a Secretaria de Educação chegou a emitir um alerta para as escolas, com recomendações especiais devido as altas temperaturas.
Entre as orientações passadas para as unidades escolares estão:
- Suspender exercícios físicos e exposição solar nos momentos mais quentes do dia (entre as 10h e 16h), realização de atividades em locais com sombra e ventilação ou arborizados;
- Oferecer alimentação mais leve aos estudantes, dando preferência aos alimentos in natura, tais como verduras, legumes e frutas;
- E se caso algum estudante ou servidor passe mal em razão das altas temperaturas, a escola seguirá o protocolo já utilizado na rede de educação, ligando para os pais/responsáveis e, se necessário, acompanhar o estudante até a Unidade de Saúde mais próxima.
SEM CONDIÇÕES
Utilizando das redes sociais, uma professora da Escola Estadual Padre José Scampini, denunciou a falta de ares-condicionados nas salas de aula, que no período de altas temperaturas, fazem falta para climatizarem o ambiente, deixando propício para o andamento normal das aulas.
“Os alunos estão reclamando do calor que fica dentro de sala de aula. Sem falar que tem salas de aulas que na Escola sem ar-condicionado, enquanto outras salas têm dois ares-condicionados. Para aumentar os efeitos do calor os bebedores estão com a água quente”, informou.
Na postagem é dito que os professores já reclamarão sobre a situação para a coordenação da Escola, já que os estudantes estão passando mal devido ao calor extremo.
“Muitos estão sofrendo com o calor em sala de aula, sem falar dos alunos que estão passando mal. Já fomos comunicar para coordenação sobre esses acontecidos. Precisamos que as autoridades prestem mais atenção no que está acontecendo na escola, com esse calor infernal. Não tem como estudar, focar nos estudos, sem ter no mínimo água gelada para beber”, descreveu a professora.
Em contato com uma aluna da Escola Padre José Scampini, foi informado para a reportagem, que um Grêmio Estudantil foi criado pelos alunos, justamente para debaterem e cobrarem sobre a possibilidade da Escola adquirir ares-condicionados para todas a salas de aula, já que apenas duas salas do 3º ano têm o equipamento.
“As únicas salas que tem ar condicionado são as duas primeiras salas, que seriam os dois 3º anos, o resto das salas da Escola só tem ventilador, têm salas que os quatros ventiladores funcionam, têm salas que funciona só dois, e já teve sala que ficou sem ventilador. Além disso as janelas na Escola são bem pequenas e abrem pouco”, disse a aluna.
SAIBA
De acordo com as informações divulgadas no anuncio do pacote de investimentos na Educação, feito pela prefeitura, os 4 mil ares-condicionados que estão sendo adquiridos terão o custo de R$ 2,6 milhões.