Cidades

MEIO AMBIENTE

Devido a separação incorreta, 40% do lixo da coleta seletiva é impróprio para reciclagem

Processo de triagem feita por catadores é dificultada por conta de fezes de animais, folhas, fraudas e lixo em geral que chegam no meio de materiais recicláveis

Judson Marinho

03/08/2024 - 17h30

Apesar da coleta seletiva realizada pela Solurb ocorrer em Campo Grande, de porta em porta em dias e horários específicos que não coincidam com a coleta convencional, pelos menos 40% da coleta seletiva recolhida na capital é separada de maneira indevida.

Em entrevista para o Correio do Estado,  o sócio-fundador da cooperativa de coletores Coopermaras/Atmaras, Daniel Arguello Obelar, alerta sobre a falta de educação ambiental referente 

“É importante a população entender através da educação ambiental que este material que vai chegar até a gente, esteja em condições retornáveis para as indústrias. Infelizmente ainda chega na coleta de recicláveis, fezes de animais, folhas, fraudas, lixo em geral”, alertou Daniel.

O coletor que trabalha na usina de triagem de materiais recicláveis da coleta seletiva de Campo Grande, informou quais são os materiais recicláveis que são os corretos para os moradores colocarem nas calçadas para a coleta seletiva.

"Nós recebemos diariamente em torno de 15 a 20 toneladas de lixo, 30% dos recicláveis são vidros, mas também separamos para a venda, plastico, papelão, produtos de higiene, garrafa pet, sucata, material fino e cobre", disse Obelar.

Além dos materiais informados pelo coletor que chegam na usina de maneira incorreta na coleta seletiva, Daniel destaca que um dos mais frequentes é a madeira, material este que não é separado para reciclágem e comercialização.

"infelizmente estes materiais contaminam os recicláveis, deixando impróprio o material que entregamos e vendemos para as empresas de reciclágem", completou.

A Associação dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis dos Aterros Sanitários de MS (ATMARAS), em Campo Grande, trabalha com o processo de logística reversa que rendeu para a Associação R$ 500 mil no ano de 2022, com a separação e venda de produtos recicláveis que seriam descartados no aterro sanitário.

PROCESSO DE TRIAGEM

A triagem dos coletores é uma das etapas da logística reversas, que consiste em um ciclo de reutilização de embalagens que são produzidas pelas indústrias, saem para serem distribuídas no varejo, chegam no consumidor do produto que descarta as embalagens que são coletadas e selecionadas pelas cooperativas, que vendem o material para empresas de reciclagem transformarem a embalagem descartada em matéria-prima para as indústrias reutilizarem na confecção de novas embalagens.

A reportagem do Correio do Estado acompanhou como é o processo deste ciclo na fase de coleta e seleção na usina de triagem de materiais recicláveis da coleta seletiva de Campo Grande.

Conforme foi demonstrado pelo sócio-fundador da cooperativa Coopermaras/Atmaras, toneladas de lixo com materiais reutilizáveis como vidro, plástico, papelão, cobre e latinhas de alumínio passam por uma triagem inicial de catadores que colocam nas esteras os materiais reutilizáveis.

Nas esteras, trabalhadoras separam os produtos descartados para cada tipo de material reciclável.De acordo com a cooperativa Coopermaras/Atmaras, em cada esteira os catadores separam 70 toneladas de resíduos recicláveis por mês.

Porém, diariamente, quase metade do lixo que é separado pela população consumidora não é reutilizado pelos catadores, devido a separação incorreta dos materiais que não são recicláveis, ou chegam sem condições de reaproveitamento.

Após a separação de cada material reciclável feito pelos catadores nas esteiras, estes produtos reutilizáveis são prensados por máquinas, virando fardos, que são vendidos para as empresas de reciclagem. 

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