Pelo sexto dia consecutivo o diário oficial de Campo Grande trouxe, nesta sexta-feira (24) a publicação de gigantescas listas de devedores de tributos e multas municipais, principalmente de IPTU. E nesta intimação mais recente, clubes e condomínios de luxo que abrigam boa parte da elite social e econômica de Campo Grande aparecem com dívidas milionárias.
Entre os maiores “caloteiros” estão ao menos três empresas responsáveis pela instalação da série de condomínios conhecidos como Alphaville, na região norrte de Campo Grnade, e que seguem como proprietárias de uma série de imóveis de uso comum e de terrenos que continuam à venda.
Juntas, as três empresas (Lago Azul, Nova Lago Azul e Nova Botas) ligadas aos três loteamentos do Alphaville acumulam dívidas que superam os R$ 3,2 milhões, conforme a publicação do diogrande.
Na publicação, que dá prazo de dez dias para o pagamento ou renegociação das dívidas, a empresa Damha Empreendimentos Imobiliários, que implantou quatro condomínios de alto padrão na cidade, soma dívidas que chegam a quase R$ 1,2 milhão em IPTU.
A conta, porém, deve ser bem maior, pois a publicação faz referência somente aos débitos relativos aos anos de 2020 e 2021. Dívidas de anos anteriores já foram ajuizadas e aquelas que surgiram nos anos seguintes não aparecem nas publicações do Diogrande.
E não são somente o Damha e o Alphaville, onde existem casas de até R$ 20 milhões, que devem altos valores em IPTU. Outro condomínio de alto padrão é o Terras do Golfe, localizado na saída de Campo Grande para Três Lagoas, às margens da BR-262, também repleto de mansões. Neste caso, porém, a conta é bem menor, de “apenas” R$ 231 mil.
CLUBES
Outro “símbolo” da elite campo-grandense e que aparece com dívida milionária na publicação desta sexta-feira é o Rádio Clube. Embora não esteja mais nos tempos áureos, as competições de tênis e determinados campeonatos de futebol evidenciam o poder financeiro de boa parcela dos frequentadores.
Somando os débitos de dois imóveis relativos aos anos de 2020 e 2021, o valor chega R$ 1,1 milhão. Se fossem computados os quatro anos seguintes, o valor seria mais que o dobro disso. A área do clube na região do bairro Rita Vieira é de 134 mil metros quadrados e, incluindo as construções, está avaliada em R$ 18 milhões. Isso significa que o IPTU é da ordem de R$ 180 mil.
Outro clube que aparece entre os grandes devedores de IPTU é o Clube Campestre Ype, na região do Monte Castelo. Com área de 23,8 mil metros quadrados e avalado em R$ 5,5 milhões para efeito de cálculo do imposto predial, o clube acumula débitos da ordem de R$ 213 mil. Além disso, embora não apareça na publicação do diogrande desta sexta-feira, deve mais de 200 mil dos últimos quatro anos.
Embora não seja clube, outro grande devedor de IPTU intimado nesta sexta-feira é o Jockey Club, que deve R$ 445 mil. A dívida é relativa ao imóvel de 5,4 mil metros quadrados na bairro Los Ângeles, na região sul de Campo Grande. Avaliado pela prefeitura em R$ 12,2 milhões, o IPTU anual ultrapassa os R$ 120 mil.
Historicamente o Jockey Club foi comandado pela família Name. E um dos integrantes desta família, Jamil Name Filho, recolhido no presídio Federal de Mossoró, é outro que aparece na lista dos grandes devedores publicada nesta sexta-feira. Ele deve R$ 53,6 mil, conforme o Diogrande.
Farid Jamil Georges, muito próximo da família de Jamil Name Filho, e que historicamente ostentou grande poder aquisitivo, também foi citado na publicação. Sua dívida ultrapassa os R$ 270 mil.
HOTÉIS
Não muito longe do imóvel do Jockey Club, outro grande devedor de IPTU é o Âncora Hotéis Campo Grande, nas imediações da sede estadual da Energisa. O local foi transformado em clínica, mas independentemente do nome, o imóvel acumula mais de R$ 540 mil em dívidas. Pelo fato de ter mais de 4,6 mil metros quadrados de área construída, a prefeitura avalia o imóvel em R$ 14,9 milhões.
E, o Hotel Âncora não é o único do setor que aparece entre os grandes devedores. O Hotel Mohave, localizado na Avenida Afonso Pena, no centro de Campo Grande, está sendo acionado porque está devendo R$ 346 mil relativos a 2020 e 2021. Com área construída superior a 2,6 mil metros quadrados, ele é avaliado por R$ 9,4 milhões para cálculo de IPTU, embora o valor real seja muito maior.
IGREJA E SHOPPING
Na mesma região da cidade, outro proprietário de imóvel que está sendo considerado como caloteiro pela prefeitura é a Arquidiocese de Campo Grande. Conforme a publicação, a dívida é de R$ 81 mil.
Na mesma avenida, mas na outra ponta, aparece uma empresa chamada Ecisa Eng. Comércio e Indústria, com dívidas de quase R$ 400 mil. Por si só este nome passa despercebido na publicação. Mas, uma busca um pouco mais detalhada revela que, na realidade, trata-se do Shopping Campo Grande, um dos "paraísos" do consumismo na cidade e local onde o consumidor que vai de carro é obrigado a pagar ao menos R$ 17,00 somente para entrar.
Na lista ainda aparece uma série de empresas ativas e inativas, herdeiros e proprietários de grandes imóveis e, principalmente, empresas do setor da construção civil e imobiliário.
Além disso, a publicação do diogrande desta sexta-feira traz a republicação, com correções, a lita publicada em edição extra da sexta-feira (17) da semana passada. A correção foi feita, basicamente, para retirar órgãos públicos que estão isentos de IPTU mas que apareciam na publicação.