A temporada de pesca esportiva no Pantanal de Corumbá começou em alto estilo, na beira do Rio Paraguai, de onde, ontem, saíram dez dos 28 barcos-hotéis que operam com a atividade: em ritmo de samba, com a presença da bateria e passistas da Escola de Samba A Pesada. A agremiação homenageará este ano a empresária do setor, Joice Santana, no Carnaval.
O período de defeso ainda continua em fevereiro, porém, a legislação ambiental do Estado permite a liberação da pesca esportiva neste mês, na calha do Rio Paraguai, apenas para a modalidade de pesque e solte, que já é adotada pela maioria dos pescadores que vêm à cidade. A pesca com direito a cota de um exemplar e cinco piranhas começa em 1º de março.
A saída dos barcos-hotéis movimentou o porto geral de Corumbá, durante o dia de ontem, principalmente com a recepção aos turistas do Sul, surpreendidos com a cantoria do samba-enredo que referencia uma das mulheres pioneiras no turismo de pesca da região. A saída do barco-hotel Kayama subindo o rio, o maior deles, no entanto, foi ao som da Chalana.
Foto: Silvio de AndradeUma nova consciência
O turismo de pesca esportiva em Corumbá, principal destino desse segmento no Pantanal, atraiu 30 mil turistas no ano passado. Os empresários locais são pioneiros em lançar a prática do pesque e solte, que teve a adesão de mais de 90% dos pescadores. O município tem a maior frota para essa modalidade, além de pesqueiros na beira do Rio Paraguai e seus afluentes.
“Corumbá tornou-se exemplo para o Estado e para o mercado com seu posicionamento em favor da conservação do bioma”, realça José de Carvalho, presidente da Fundação de Turismo do Pantanal. “A mudança de postura dos empresários e as novas leis favoreceram a vinda de novos perfis de pescadores esportivos como grupos de mulheres e de famílias”, cita.
Foto: Silvio de AndradePesca é consequência
A percepção do pescador, hoje, é de preservação. É o que se observa nas conversas entre os turistas que vieram nessa primeira viagem do ano.
“Há uma interação da natureza e tecnologia que transforma a pesca numa extensão de nossa casa, com lazer e conforto”, sintetiza o engenheiro João Meirelles, 63, de Campinas (SP), que vai pescar no barco-hotel Comodoro.
Em direção à Serra do Amolar, no coração do Pantanal. A embarcação saiu do porto geral com um grupo de 28 pessoas. Já o barco-hotel Kayama reuniu 24 casais de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná. Pela primeira vez pescando na região, Ricardo Teixeira, 39, empresário de Rio do Sul (SC), estava ansioso: “quero ver a fauna, a flora, a beleza do Pantanal; pesca é consequência”.