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Com chuvas abaixo da média, Estado começa a preparar ações de combate a incêndios

No ano passado, incêndios florestais tiveram início cerca de três meses antes do "esperado", e 2,6 milhões de hectares do Pantanal foram consumidos pelo fogo

Alanis Netto

05/03/2025 - 11h30

Em 2024, Mato Grosso do Sul teve o segundo maior recorde de destruição causada por incêndios florestais da história, com 2.620.175 hectares do Pantanal consumidos pelo fogo. O ano só não foi pior que 2020, quando mais de 3,6 milhões de hectares do bioma tiveram queimadas - cerca de 24% da área total do pantanal brasileiro. Os dados são do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa/UFRJ),

No ano passado, as queimadas ainda tiveram início cerca de três meses antes do "esperado", com grandes focos de incêndio já nos meses de maio e junho, enquanto antes o cenário era mais comum nos meses de agosto e setembro.

Para 2025, o Governo do Estado se antecipou, com o intuito de reduzir os impactos causados pelo fogo e reforçar a fiscalização e as ações de prevenção.

A previsão de chuvas abaixo da média histórica e altas temperaturas em Mato Grosso do Sul também acendem um alerta.

“Nos últimos meses, principalmente entre janeiro a 23 de fevereiro de 2025, observa-se chuvas abaixo da média histórica em grande parte do Estado. Quando observamos o bioma Pantanal como um todo, incluindo o monitoramento de pontos de medida de chuva em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, para o período de 1° de novembro de 2024 a 23 de fevereiro de 2025, é a mesma situação”, disse a meteorologista e coordenadora do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de MS (Cemtec), Valesca Fernandes.

Desde setembro de 2023 as condições de seca estão em evolução no Estado, que continua com chuvas abaixo da média, e apesar da ocorrência de precipitações desde janeiro deste ano, a quantidade não é suficiente para amenizar o cenário.

“Estamos no período chuvoso, e o que se esperava eram chuvas dentro ou próximo a média histórica. Mas os dados mostram condições de secas, sendo observada altas temperaturas e chuvas irregulares”, explicou Valesca.

Em janeiro deste ano, dos 45 municípios analisados pelo Cemtec, 39 tiveram chuvas abaixo da média histórica, apenas cinco registraram precipitação superior e um ficou dentro da previsão. A previsão para o próximo trimestre indica temperaturas mais altas e chuvas abaixo da média histórica, o que torna o ambiente favorável para a ocorrência de incêndios florestais.

Preparação

Bruno Rezende/Governo do Estado

Entre as ações já desenvolvidas pelo Governo do Estado, para a Temporada de Incêndios Florestais (TIF) 2025, estão cursos de preparação e aperfeiçoamento para os militares do Corpo de Bombeiros.

A formação faz parte das ações de preparação para o enfrentamento da fase mais crítica da temporada de incêndios florestais, para qualificar os bombeiros em missões que exigem deslocamentos fora da estrada e ainda aprimorar a execução de atividades de combate a incêndios florestais, transporte de tropa e operações especiais em locais de difícil acesso.

“Vamos realizar uma série de cursos, já para preparação e aperfeiçoamento dos nosso militares. Para que o combate, quando houver necessidade, corra sempre de forma eficiente, especialmente no Pantanal devido as dificuldades já conhecidas do bioma”, explicou o major e subdiretor da DPA (Diretoria de Proteção Ambiental) do Corpo de Bombeiros, Eduardo Teixeira.

Entre os dias 17 e 21 de fevereiro, foi realizado o estágio de direção e operação de veículos 4x4, para capacitar os bombeiros para a condução e operação de viaturas em terrenos desafiadores, como os que são encontrados no Pantanal.

Outro curso realizado pelo Corpo de Bombeiros Militar (CBMMS) foi o de operação de drones (aeronaves remotamente pilotadas) em Naviraí, para auxiliar nas missões urbanas e também durante a temporada de incêndios florestais.

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