Cidades

Taxação

Fundamental para MS, celulose escapa do tarifaço de Trump

Em 2024, o setor exportou US$ 213 milhões em insumos para os Estados Unidos

Laura Brasil

30/07/2025 - 17h30

Entre os setores que ficaram de fora do tarifaço de 50% sobre uma série de produtos brasileiros, assinado pelo presidente norte-americano Donald Trump nesta quarta-feira (30), está o setor de celulose, que coloca o Brasil como um dos maiores exportadores deste produto no mundo.

No ano passado, Mato Grosso do Sul exportou para os EUA US$ 213 milhões em celulose, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Nos primeiros seis meses deste ano, o valor negociado foi de US$ 74,8 milhões.

Mesmo diante do cenário de incerteza quanto a um eventual recuo do republicano, o titular da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, afirmou em entrevista ao Correio do Estado que os projetos de expansão e investimentos no setor continuariam conforme o planejado.

Em nenhum momento houve sinalização, por parte das empresas instaladas em Mato Grosso do Sul, de uma eventual descontinuidade dos investimentos. Após o anúncio, foram feitas reuniões com todo o setor, que confirmou a manutenção do ritmo de trabalho.

Com isso, a preocupação relacionada ao custo dos impactos logísticos de redistribuição dos produtos exportados, frente à tarifa de 50%, deixou de existir. O setor seguirá enviando seus produtos isentos de impostos.

Exportação


Conforme reportagens anteriores do Correio do Estado, o Brasil é um dos maiores exportadores mundiais de celulose, tendo a China, países da Europa e os Estados Unidos como seus principais clientes.

Em 2023, o setor enfrentou queda de preços no mercado internacional, agravada por excesso de oferta e pelo desaquecimento global.

Ainda assim, Mato Grosso do Sul manteve sua liderança no ranking nacional de exportação do produto, com destaque para a atuação da Suzano e da Eldorado Brasil.

Diante do cenário inicial de "portas fechadas" para negociações, o governo do Estado acompanhou a evolução do contexto e chegou a articular, junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), medidas para proteger as cadeias produtivas mais expostas.

Recuo de Trump

Com o recuo do presidente norte-americano, outros setores que também ficaram de fora das tarifas foram o da mineração e o da citricultura.

O setor de ferro-gusa representa 90% da produção em Corumbá, Ribas do Rio Pardo e Aquidauana, municípios que exportam para os Estados Unidos. O produto é usado na indústria siderúrgica norte-americana.

A citricultura, que está ganhando espaço no Estado, também seria afetada caso Trump tivesse mantido o setor dentro da taxação. A elevação de custos na exportação refletiria diretamente em adiamentos de investimentos e em uma pausa na expansão do setor, que atualmente ocupa 25 mil hectares.

Atualmente, o Brasil é responsável por três em cada cinco copos de suco de laranja consumidos no mundo, e os Estados Unidos são o principal mercado para o produto brasileiro.

** Colaborou Súzan Benites

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