Cidades

CRIME ORGANIZADO

PF prende "empresários" que lavam dinheiro do tráfico em Campo Grande

Agentes foram às ruas nesta quinta-feira para prender quatro pessoas e para cumprir mandados de busca em 13 enderenços em Campo Grande

Operação da Polícia Federal e a Receita Federal feita na manhã desta quinta-feira (14) prendeu quatro pessoas em Campo Grande e fez apreensões em 13 endereços onde supostamente ocorria lavagem de dinheiro procedente do tráfico de drogas e de armas. 

Conforme as informações iniciais, um dos alvos é um haras e os outros alvos são “empresários” que atuam na revenda de veículos e em oficina mecânica. A operação Contra-ataque III tem por objetivo
combater os crimes de tráfico de drogas, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Ainda de acordo com informações iniciais, um dos mandados de busca ocorreu no em uma das unidades do condomínio Dahma 2, onde dois veículos teriam sido apreendidos pelos agentes da Polícia Federal. Não há confirmação, porém, se o morador do imóvel foi preso.

Neste endereço os agentes apreenderam dois carros de passeio (um modelo da Volvo e um Up) e um mini-bug, que saiu sobre um reboque.

A ação é decorrente da análise de materiais apreendidos em investigação realizada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado - FICCO/MG, relacionada a uma organização criminosa dedicada a comercialização de armas e drogas na região do Triângulo Mineiro. 

Em um dos endereços alvo da operação na manhã desta quinta-feira, no Damha 2, o morador tentou se desfazer de dois celulares, jogando-os sobre uma lage. Porém, a operação estava sendo acompanhada por um drone, que flagrou a tentativa e os aparelhos acabaram sendo apreendidos.

SEM LASTRO

Após a identificação de que os fornecedores estariam sediados na cidade de Campo Grande, houve decisão judicial da 1ª Vara Criminal de Uberaba autorizando o compartilhamento de provas, as quais foram encaminhadas à Superintendência da Polícia Federal no Mato Grosso do Sul para  prosseguimento da apuração.

Com o aprofundamento das investigações, foi possível constatar um complexo esquema elaborado para consecução da traficância, com a utilização de mercadorias agrícolas para ocultar as drogas e empresas, que apresentaram vínculos com os investigados, para o recebimento dos valores atinentes às negociações.  

Referidas empresas não possuíam lastro fiscal para a realização de substanciais movimentações financeiras, adotando atividades econômicas como comercialização de veículos e oficinas mecânicas para blindar a origem dos recursos.

No decorrer da deflagração da operação foram cumpridos em Campo Grande 4 mandados de prisão preventiva, 13 mandados de busca e apreensão em residências e estabelecimento empresariais (incluindo um haras), além do sequestro de contas bancárias e bens imóveis vinculados a pessoas físicas e jurídicas relacionadas com o esquema criminoso.

De acordo com a Receita Federal, através das análises bancárias e fiscais dos envolvidos, foi possível constatar um grande esquema utilizado na logística para entrega dos entorpecentes e no recebimento dos valores decorrentes dessa comercialização.

Na entrega das drogas, foram empregadas empresas ligadas a familiares ou aos próprios envolvidos para emissão de documentos de transporte e notas fiscais de mercadorias agrícolas utilizadas para ocultar as drogas, continua nota da Receita.

Para o recebimento desses valores, as transações bancárias eram realizadas através de contas de empresas autorizadas pelos sócios e de contas vinculadas a parentes. Esses últimos não possuíam lastro fiscal para a realização de substanciais movimentações financeiras.

Ressalte-se que, para blindar a origem dos recursos ilícitos, foram realizados investimentos em outras atividades econômicas como comercialização de veículos em garagens de terceiros, bem como atividades de manutenção e reparo de veículos.

Mini-bug foi um dos três veículos apreendidos em um imóvel no Damha 2 na manhã desta quinta-feira pela PF (Foto Marcelo Victor)

(reportagem editada às 09:30 para acréscimo de informações)

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