Cidades

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Mensalidade nas escolas sobe 10% com justificativa de cobrir perdas da pandemia

Particulares afirmam que tiveram perdas que chegaram a 60% durante o período e por isso a alta está acima da inflação

A mensalidade das escolas particulares de Campo Grande deve ter uma alta de cerca de 10% no próximo ano, segundo o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Privado do Mato Grosso do Sul (SinepeMS). O aumento, que está bem acima da inflação, seria motivada para recompor perdas que o setor teve durante a pandemia de Covid-19, que durou de 2020 a 2022.

Apesar de já terem se passado três anos desde o período crítico da doença, segundo o presidente do Sinepe-MS, Audie Andrade Salgueiro, o setor ainda não teria conseguido recuperar totalmente o que teria sido perdido naquela época, principalmente durante o período em que a presença de crianças em escolas estava proibida por decreto municipal.

“As perdas foram imensuráveis, inclusive o número de alunos. Está havendo [uma recuperação], mas é muito lenta, levando inclusive em consideração a dificuldade econômica das famílias”, afirmou o presidente do Sinepe-MS.

Em março de 2020, o então prefeito Marquinhos Trad instituiu decreto de distanciamento social após os diversos casos da doença na Capital. Entre as medidas estava a proibição de aulas presenciais nas escolas públicas e particulares. 

A situação seguiu até setembro daquele ano, quando os alunos puderam retornar ao ambiente escolar nas escolas particupares, porém, ainda com um número menor de estudantes por sala de aula e regras rígidas de distanciamento social.

A situação só foi completamente normalizada em 2022, após boa parte da população ter recebido, ao menos, uma dose de vacina contra a Covid-19.

Segundo Salgueiro, durante este período algumas escolas chegaram a ter perdas de 60% no faturamento, além de outras que fecharam.

“O universo é muito adverso, mas podemos cravar 30% [de perda], isso pós-pandemia. Durante a pandemia na casa de 60% em alguns casos mais”, contou o presidente do Sinepe-MS.

O aumento tem se mantido nesta média nos útimos anos, ainda segundo Salgueiro, sempre acima da inflação do período “para podermos corrigir as perdas da pandemia ainda”.

O aumento deste ano, que deve ficar entre 5 e 10%, fica acima dos 4,68% do acumulado dos últimos 12 meses da inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), divulgado no mês passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

PESQUISA

Conforme a última pesquisa realizada pelo Procon Municipal, em janeiro deste ano, sobre a variação de preços das mensalidades, foram encontradas variações entre R$ 488 a R$ 3,6 mil.

Do 1º ao 5º ano escolar (geralmente crianças de 5 a 10 anos), os menores e maiores preços encontrados para cada período foram: integral – R$ 730,00 (Colégio Rui Barbosa Unidade CDA) e R$ 3.011,59 (Escola Paulo Freire – Colégio Master); meio período – matutino: R$ 699,00 (Colégio Novo Século) e R$ 2.153,00 (Colégio Alexandre Fleming); meio período – vespertino: R$ 488,97 (Escola Mace Elite) e R$ 2.153,00 (Colégio Alexandre Fleming); período intermediário – apenas a Escola Paulo Freire – Colégio Master oferece (a partir do 2º ano), com preço de R$ 2.624,31.

Já do 6º ao 9º ano (pré-adolescentes de 11 a 14 anos), os menores e maiores valores observados para cada período foram: Integral – R$ 1.388,00  (Colégio Novo Século) e R$ 3.642,58 (Colégio Harmonia Bilíngue Unid. III); meio período – matutino: R$ 770,00 (Colégio Novo Século) e R$ 2.400,00 (Colégio Bionatus); e meio período – vespertino: R$ 488,97 (Escola Mace Elite) e R$ 2.324,00 (Colégio Alexandre Fleming);

No Ensino Médio, que vai do 1º ao 3º ano, os preços aumentam ainda mais: Integral – R$ 1.262,50 (Escola do Sesi) e R$ 3.605,88 (Colégio Harmonia Bilíngue Unid. III); meio período – Matutino: R$ 1.157,00 (Funlec Prof. Lourival M. Fagundes) e R$ 3.222,63 (Colégio Paulo Freire); e meio período – vespertino: apenas o Colégio Nova Geração oferece, com preço de R$ 1.743,72.

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