Cerca de seis horas depois de deixar a população de Campo Grande sem transporte público, o presidente do consórcio Guaicurus, Themis de Oliveira, entrou na prefeitura de Campo Grande sem falar com a imprensa e cerca duas horas depois saiu praticamente do mesmo jeito, afirmando apenas que "estamos negociando".
Por não receberam os R$ 1,3 mil relativos ao vale, que normalmente é depositado no dia 20 de cada mês, os cerca de mil motoristas começaram a trabalhar somente a partir das 6 horas desta quarta-feira (22), uma hora e meis depois do horário normal.
Mas, apesar da gravidade da sitação, o presidente do cosórcio Guaicurus, que está cobrando o repasse de cerca de R$ 9,5 milhões relativos ao pagamento do transporte dos estudantes das redes públicas, nem mesmo chegou a ser recebido pela prefeita Adriane Lopes.
Conforme informações extra-oficiais, ele teve de se contentar em negociar com o secretário de Governo e Relações Institucionais, Youssif Assis Domingos. Por conta disso, deixou o paço municipal sem a garantia que os trabalhadores estão exigindo para não decretarem paralisação maior na assembleia agendada para a próxima segunda-feira, que é a garantia de que o pagamento dos salários não sofrerá novos atrasos.
Depois da reunião, a Prefeitua de Campo Grande, que é a responsável pela concessão do serviço, se limitou a informar que se pronunciaria por e-mail sobre o impasse. Conforma e legislação trabalhista, os salários devem ser pagos até o quinto dia útil do mês seguinte ao trabalhado. Ou seja, legalmente o consórcio não atrasou os salários.
Conforme o presidente da Câmara de Vereadores, Epaminondas Papy, o poder público está há quase quatro meses sem fazer os repasses previstos para subsidiar o transporte de estudantes. A administraçao estadual estaria devendo pouco mais de R$ 6 milhões e a prefeitura, em torno de R$ 3 milhões.
Mas, de acorco com Papy, o Estado só não fez os repasses porque a prefeitura, que é intermediária, está com o 'nome sujo' e não consegue emitir a certidão exigida pelo governo estadual para que o repasse seja feito.
Por mês, de acordo com o presidente da Câmara, o Governo do Estado repassa em torno de R$ 1,7 milhão ao consórcio. Do município, os donos dos ônibus recebem mensalmente em torno de R$ 1,3 milhão, além de isenção do ISS, que supera mais de R$ 1 milhão por mês.
Em novembro do ano passado, motoristas também chegaram a anunciar a paralisação do serviço a partir do dia 25 daquele mês. Porém, acabaram recuando depois que o poder público abriu a negociação para o reajuste da tarifa, que entrou em vigor em janeiro do ano seguinte, quando a passagem aumento de R$ 4,75 para R$ 4,95. A paralisação desta quarta-feira ocorreu em meio a novos pedidos de aumento no valor da passagem.