Apesar dos constantes alertas emitidos por institutos de meteorologia, das quedas de temperatura e das nuvens carregadas que chegam a Campo Grande ao longo dos últimos meses, a chuva mais uma vez está muito abaixo da média histórica tanto para outubro quanto para o ano inteiro.
Restando apenas dois meses, a Capital recebeu apenas a metade daquilo que registra normalmente ao longo de um ano. Conforme o meteorologista Vinícicius Sperling, do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de MS, do começo do ano até a última segunda-feira foram 786 milímetros.
Faltando somente dois meses para o fim do ano, isso representa um pouco mais da metade da média história anual, que é de 1.455 milímetros. Porém, se a comparação for com o ano passado, classificado como "ano desastroso" pelo meteorologista, a quantidade registrada em 2025 já conseguiu superar o volume de 2024. Nos doze meses do ano passado foram apenas 780 milímetros.
Ou seja, a não ser que ocorram chuvas excepcionalmente fortes, Campo Grande deve fechar mais um ano com volume abaixo da média. Nos últimos cinco anos, somente em 2023 esta média foi superada, e mesmo assim, em apenas 3,3%.

Se forem levados em consideração os dados relativos somente a outubro, as precipitações também estão bem abaixo do esperado. Até agora foram somente 88 milímetros, sendo que a média histórica para o mês é de 150 milímetros. Em setembro, que oficialmente é o primeiro mês da estação das chuvas, a situação foi pior ainda. Foram somente 23 milímetros, sendo que o esperado é de 77.
Embora não estejam sendo registrados os bloqueios atmosféricos e as ondas de calor que marcaram os meses de setembro e outubro dos dois anos anteriores, o que está ocorrendo agora é a irregularidade das precipitações.
No extremo sul do Estado, Mundo Novo já superou os 300 milímetros em outubro, sendo que a média histórica é de 172 milímetros. Nas últimas 24 horas, por exemplo, foram mais 65 milímetros. Enquanto isso, em Figueirão, na região norte, foram apenas 27 milímetros nos 27 primeiros dias de outubro.
E esta irregularidade nas precipitações tende a continuar e por isso o meteoroligista nem mesmo se arrisca a fazer um prognóstico para os próximos dois meses. Ele acredita que a irregulardade esteja sendo reflexo do fenômeno La Niña, que se caracteriza pelo resfriamento das águas no Ocenao Pacífico.
TEMPERATURAS
Por conta da inexistência dos bloqueios atmostéricos, as frentes frias estão chegando a Mato Grosso do Sul neste ano, ao contrário do que ocorreu no ano passado. Mesmo assim, a temperatura média dos primeiros 28 dias ficou acima da histórica, já que teve dias com máxima de 37 graus.
De acordo com Vinícius, a temperatura média história de outubro é de 24,2 graus, conforme medições feitas entre 1961 e 1990. Neste mês, apesar das frentes frias que derrubaram as temperaturas para mínimas de 15 graus durante dias seguidos, a média dos 28 primeiros dias ficou em 26,6 graus.
Mesmo estando 2,4 graus acima da média histórica, outubro deste ano está sendo bem menos quente que igual mês de 2024, quando a média foi de 28,2 graus. Esta média é calculada com base nas mínimas e máximas diárias de um determinado período, explica o meteorologista.